Histórias Extraordinárias, Edgar Allan Poe, tradução de Eliane Fittipaldi Pereira e Katia Maria Orberg, 2ª edição, São Paulo-SP: Martin Claret, 2012, 128 páginas

Conhecido por seu estilo único de contar uma história, Edgar Allan Poe nasceu na cidade de Boston em janeiro de 1809 e faleceu com apenas quarenta anos, deixando uma vasta coleção de contos e poemas. O autor norte-americano é considerado o percursor da literatura fantástica e tem cinco dos seus principais contos reunidos na obra Histórias Extraordinárias.
No início da nova edição, lançada pela editora Martin Claret, encontramos uma apresentação escrita pela tradutora Eliane Fittipaldi Pereira, que é mestre e doutora em Letras pela USP. Em dez páginas, Eliane faz uma breve explicação sobre o diferencial dessa edição e responde a pergunta: Poe é Pop? Com toda a importância da obra de Allan Poe, é difícil responder negativamente, mas ela explica que muitas vezes a tradução muda o estilo do autor. Sendo assim, sua missão é manter o estilo e resgatar o verdadeiro Poe na literatura brasileira, o que segundo ela, foi perdido há anos.
Ainda no primeiro conto, O Gato Preto (1843), percebemos o motivo de Edgar Allan Poe ter se tornado um verdadeiro clássico da literatura mundial e inspiração para diversos autores do mesmo nível. Ainda que todas as histórias sejam contadas por períodos longos, e com muitas descrições, em nenhum momento a leitura se torna cansativa, pelo contrário, a narrativa é instigante e o que realmente queremos é conhecer o desfecho de todas as histórias – sejam elas boas ou não.
Diferente das atuais histórias de terror, aqui o que realmente assusta as personagens são os seus próprios dramas psicológicos, e não criaturas que surgem querendo aterrorizá-las. A exceção é o conto citado anteriormente, onde o gato, um animal inofensivo, causa mudanças na vida do narrador-personagem e este, por sua vez, comete atitudes perversas, até o final, quando o leitor é surpreendido.
Em todos os contos, o autor explora a obscuridade e pra isso usa adjetivos que causam a apreensão de seus leitores. Encontramos esses detalhes em O Enterro Prematuro (1844) e O Poço e o Pêndulo (1842), que ao lado de O Gato Preto, é o melhor conto dessa coletânea. No primeiro conto, o narrador-personagem – característica do autor – conta diversas histórias de pessoas que foram enterradas ainda vivas e em seguida faz um relato do que ele próprio sofreu com sua catalepsia. Já O Poço e o Pêndulo, é angustiante do início ao fim, pois o narrador cai em uma armadilha e fica em um poço, enquanto, mais tarde, percebe a existência de um pêndulo em formato de uma lâmina afiada que se aproxima de seu corpo. Enquanto o conto não chega ao fim, e a aflição é narrada, nossa atenção fica presa e a vontade de ter alguma atitude apenas aumenta.
A nova versão de Histórias Extraordinárias possui ainda A queda da Casa de Usher (1839) e William Wilson (1839), deixando de lado outros contos famosos do autor e que estiveram presentes em versões anteriores. Apesar do talento de Allan Poe ser indiscutível, os dois contos não chegam a ser surpreendentes como os demais e também revelam que com o tempo, o que é natural, ele amadureceu e suas histórias também melhoraram. Ainda assim, o uso de um doppelgänger em William Wilson é algo que não esperava encontrar antes da leitura e por isso o considero um conto para ser lido. A queda da Casa de Usher, em nenhum momento surpreendeu – o que pode acontecer com outros leitores - e por isso é o mais fraco, se é que podemos dizer isso de uma obra de Edgar Allan Poe.
Volume 32 da Coleção a Obra-Prima de Cada Autor, Histórias Extraordinárias segue a mesma diagramação dos demais livros, como As Aventuras de Sherlock Holmes (Resenha) e ainda conta com a belíssima capa de Getulio Delphim, que como se nota, tem grande relação com os contos e é bem superior a capa anterior, que não tinha um charme como a atual.
Edgar Allan Poe tem importância fundamental para a literatura mundial e Histórias Extraordinárias dá apenas uma degustação do que podemos encontrar em toda a obra do autor norte-americano – que não só influenciou, como também gerou adaptações. É um estilo único de escrever e sua narrativa é encantadora, e porque não assustadora. Um livro para ser guardado em um espaço especial de sua estante, porque Edgar Allan Poe é um autor especial. Assim como suas histórias, ele é extraordinário!

“Há momentos em que, mesmo aos olhos sóbrios da Razão, o mundo de nossa triste Humanidade pode assumir a aparência de um Inferno - mas a imaginação do homem não é Carathis, para explorar com impunidade todas as suas cavernas.” (pág. 53).