As Idades do Amor (Manuale d’Amore 3)

Resenha: Dirigido por Giovanni Veronesi, o filme As Idades do Amor dá continuidade a uma série, até então com três filmes, que estreou nos cinemas italianos em 2005 e ainda conta com o ator Robert De Niro. Como não é preciso assistir aos filmes anteriores, é ótimo para quem deseja o típico humor italiano.
Assim como o filme Guerra dos Sexos (Resenha), As Idades do Amor conta três histórias paralelas, porém, neste caso, são sequenciais e contadas do início ao fim, sem que mude de história a cada cena. Dessa forma, a agilidade com que a história é contada faz com que nossa atenção aumente e o espectador pode acompanhar e sentir a verdadeira essência em cada uma delas.
O filme é dividido em três partes e em cada uma delas narra determinada idade do amor, começando com a Giovinezza. Roberto (Ricciardo Scamarcio) sonha em se casar, mas ao ir à Toscana para realizar a compra de uma propriedade, ele se envolve com Micol (Laura Chiatti) e surge a dúvida: vale a pena arriscar o término de um relacionamento, por um desejo quase adolescente?
Em Maturità, conhecemos Fabio (Carlo Verdone), um apresentador de um telejornal, casado há 25 anos, e que durante uma festa, conhece uma bela mulher (Donatella Finocchiari), com quem acaba indo para a cama. No início, Fabio tenta resistir, mas o desejo é ainda maior do que sua fidelidade. O que ele não imagina é que essa mulher pode transformar sua vida em um verdadeiro inferno.
Por fim, a história mais aguardada é ...Oltre, onde Robert De Niro vive o simpático Adrian, um americano professor de história da arte que se mudou para Roma logo após se divorciar. Adrian é amigo do porteiro de seu prédio, Augusto (Michele Placido), e após este brigar com a filha, Viola (Monica Bellucci), Adrian a recebe em seu apartamento e ele volta a entender como o amor muda a vida das pessoas, independente de sua idade.
Ainda que sejam histórias paralelas, todas elas têm alguma relação, além dos encontros que sempre acontecem. A principal relação é o taxista (Vittorio Propizio), que narra e está presente em todas as histórias, com o papel de um cupido e fazendo reflexões sobre a vida dos três personagens principais.
O típico humor italiano presente em As Idades do Amor, reuni a leveza e a sensualidade, sem que em nenhum momento se torne um filme pesado – e proporciona inclusive uma cena hilária, onde a personagem de Monica Bellucci ensina Robert De Niro a fazer um strip-tease. Mesmo com pessoas maduras, o amor adolescente e sem limites está presente em todas as idades, e também por isso o clichê – principalmente nos diálogos – não deixa de existir. Um clichê, que neste caso, é muito bom de acompanhar.
A traição, na primeira história, e o envolvimento de um homem mais velho com uma jovem – ainda que nem tão jovem assim -, na terceira, geram momentos engraçados, mas não chegam a ser como as confusões causadas na vida do apresentador Fabio. Tudo por uma mulher, que entra em sua vida, descobre o segredo de sua peruca, causa problemas com a polícia, invade sua casa e têm diversas outras atitudes que acabam, literalmente, com a vida do renomado apresentador. O amor e o romantismo podem não estar presentes, como é usado em grande parte na história seguinte, mas as risadas são certas, e por isso, como humor, essa é a melhor história.
Com exceção de Robert De Niro – como sempre um gênio -, as atuações não chegam a perfeição e em alguns momentos sentimos falta da naturalidade. Mas, a trilha sonora casa bem com as cenas românticas e sensuais, e o enquadramento de câmeras faz total diferença, principalmente na queima de fogos ao fundo de um beijo de Adrian e Viola - clichê, porém muito bela. Tudo isso fazem de As Idades do Amor, um ótimo filme para ser visto sozinho, e principalmente acompanhado.