Quem de nós não tem o espírito de uma criança que nos faz continuar em busca de nossos sonhos? O entrevistado de agosto cultiva esse espírito e já gerou diversos trabalhos literários, como os contos Blackhills (Resenha) e Paranoia (Resenha). Seja no terror, ou nos versos líricos, como no livro Mentalmorfose (Resenha), percebemos o talento promissor de um jovem de dezenove anos, que no futuro pode se tornar um exemplo a se seguir. É uma pessoa culta, que se dedica extremamente aos estudos e a sua escrita. Vencedor de prêmios estaduais, o escritor alagoano Elton Silva de Lima tem muito que passar e por isso agora você fica De Olho Nele:
Over Shock - Elton SDL, antes de tudo, gostaria de dizer novamente que o admiro por seu trabalho, amizade, e por sua vontade de fazer a diferença na literatura e na arte em geral. Para começar nossa entrevista, conte um pouco mais para os leitores quem é o escritor alagoano Elton Silva de Lima.
Elton SDL - Fico deveras feliz, muito grato e lisonjeado com seu apreço, Ricardo. Saiba que ele é diretamente recíproco – a você e ao Overshock. Sinto-me bastante honrado em ceder essa entrevista para o site, já que para mim o Overshock é o “Jô Soares da Internet.” Muito obrigado!
Elton SDL é um homem que teima em cultivar o menino que fora. O mesmo menino que, desde o dia no qual leu pela primeira vez, gostou tanto que decidiu não parar nunca. Porém, como não se deu por satisfeito, resolveu também que escreveria, pois assim sua alma seria completa. Para sua felicidade e espanto de alguns, viu que isso era o que chamavam vulgarmente de “alegria”.

Over Shock - Elton, seu gosto pela leitura iniciou ainda na infância, mas em que momento você decidiu que iria se tornar um escritor? Em algum momento pensou em desistir?
Elton - Essa é uma pergunta que nem eu mesmo sei responder ao certo. Isso, pois, talvez antes mesmo de aprender a ler eu já tivesse o desejo oculto e inconsciente de escrever jazendo em mim. Sempre fui um garoto imaginativo, sonhador. Não raro era (sou) taxado de “idiota”, “distraído” e alcunhas similares, pelo fato de ter os pés no chão e a cabeça na lua. Desde pequeno eu criava histórias no teatro da minha mente e foi apenas questão de tempo até descobrir que eu podia transportá-las para a brancura inerte do papel, dando um sopro de vida maior a elas. Em suma, creio que desde sempre quis ser escritor, mesmo quando não sabia disso. Nunca pensei em desistir ou tomar um rumo distinto; sei que fui feito pra isso, minha vida se resume a isso. Se tivesse pensado em desistir, não teria levado essa ideia a sério.

Over Shock - Sua primeira obra, divulgada ainda na internet, foi a coletânea de contos de terror intitulada Vozes na Madrugada. Onde surgiu a inspiração para a escrita de cada um dos contos dessa coletânea?
Elton SDL - Como os contos são bastante diferentes entre si, seja no texto ou no contexto, as inspirações vieram de formas e lugares diferentes. Ou ainda, vieram de “lugar algum.” Para muitos escritores e profissionais de outras áreas, como a psicologia, a inspiração não é algo que surja por “geração espontânea”, de modo inesperado ou inusitado – como se as musas a soprassem em nossos ouvidos. Mas, que a inspiração já repousa em algum recanto do nosso cérebro, esperando apenas por ser desperta. Seja como for, a maioria dos contos de “Vozes na Madrugada”, assim como a quase totalidade dos meus trabalhos, vieram de lugar algum. Simplesmente a concepção, a ideia geral dos escritos, veio voando de algum lugar e pousou em minha cabeça durante uma volta na rua, a audição de alguma música ou uns minutos de descanso no sofá.
Há ainda aqueles textos que, de forma consciente ou inconsciente, vieram com base em algum livro, filme ou experiência vivida. Nesse último caso, enquadra-se, por exemplo, o conto “Paranoia”, da coletânea supracitada. Algumas vezes, antes de sair de casa logo após o café da manhã, eu olhava para o meu fogão e pensava meio loucamente: “Será que o gás não vai escapar por aí?” Em seguida, ia conferir se a válvula do botijão estava realmente fechada. A partir disso, passei a imaginar como seria a vida de um homem comum do mundo contemporâneo, já tão soterrado de loucuras (o homem do século XXI é um receptáculo de insanidades) caso ele tivesse sua vida ditada por uma paranoia aparentemente ignóbil.

Over Shock - Você foi o vencedor do Concurso de Poesia Graciliano Ramos e terceiro colocado no III Concurso Prosa e Verso, promovido pela Academia Palmeirense de Letras, Ciência e Artes. Qual foi a sensação de ver o seu trabalho reconhecido em concursos importantes em sua região?
Elton - As premiações desse tipo são de fundamental importância, ainda mais quando se é escritor iniciante, pelo fato de garantir maior autoconfiança e eliminar os titubeios interiores. Em suma, servem de estímulo. São importantes, sobremaneira, porque o próprio autor e o público começam a enxergar seu trabalho com mais seriedade. São nessas ocasiões que as pessoas têm a chance de perceber: “Puxa! Ele estava falando sério! Ele quer mesmo ser escritor!” Nada muito além disso. Depois desse ponto, penso o mesmo que Stephen King sobre premiações literárias (que nem sempre são justas): fico feliz em deixar as pessoas felizes, quando entregam algum prêmio a mim. Mas, depois eles ficam nas prateleiras. As pessoas não sabem disso, quem sabe esquece e seguem suas vidas.

“Não dessa vez. Realmente qualquer ambiente seria ótimo para levar os filhos à escola, abrir o próprio negócio e ao futebol ou pescaria no término da semana. Qualquer lugar, exceto Blackhills.” – conto Blackhills

Over Shock - E a sensação de ver seu primeiro livro, Mentalmorfose, ganhando vida?
Elton - A dádiva sofrível e maravilhosa do parto foi permitida somente às mulheres. Mas, eu te digo: sei bem como deve ser dar a luz a um filho (risos). A alegria de ver seu primeiro embrião tomar forma e finalmente começar a caminhar, depois de tanto tempo, é de fazer brilhar os olhos. No dia em que recebi a resposta positiva da editora Multifoco abri um sorriso de alegria que esboço até hoje. É um pouco surreal ver um sonho de infância se realizando. Digo... Não se vê sonhos se tornarem reais todos os dias, certo? Temos alguma fé neles, é o máximo que podemos ter. E, apesar da confiança no que acreditamos, é um tanto irreal quando vemos as coisas se concretizando. “Olha! Isso aconteceu! Aconteceu de verdade!” Foi o que pensei.
É uma das melhores sensações do mundo.

Over Shock - Você encontrou dificuldades em publicar sua primeira obra? Como reagiu a elas?
Elton - Apesar de eu ter meu original aprovado de primeira, logo de cara para a primeira editora que enviei, tive uma série de desafios a serem superados. Aliás, creio que todo escritor é um suicida por escolha própria. E o escritor brasileiro, além de suicida, é um masoquista. Se houver um país onde publicar, distribuir e fazer com o que o público conheça uma obra menos sofrível que o Brasil, por favor, não me digam.
Em relação aos empecilhos encontrados na beira do caminho, o maior deles foi interno. O embate de compartilhar algo tão pessoal, uma grande fatia da minha alma em larga escala foi travado. Não quero estereotipar o gênero lírico, mas poesia é uma espécie de texto muito sensível, seja ela romântica ou concretista. Exige um nível de recepção do leitor que nem sempre é correspondido, um terceiro olho quase nunca usado – apesar de eu estar bastante satisfeito com a repercussão do meu trabalho. No fim das contas, foi como disse a artista (que também trabalha como supermulher nas horas não vagas), Edneide Torres: “Elton, o poeta não deve temer a incompreensão.” E essa sempre foi a realidade. O poeta existe mais para ser incompreendido do que o inverso; ele semeia uma aparente confusão apenas para que as pessoas tenham a chance de estabelecer a ordem. Portanto, de posse dessa ideia na cabeça e um punhado de poemas nas mãos, fui à luta.
Depois disso, tive que “convencer” as pessoas de que eu estava investindo em um trabalho sério. Tive algumas complicações de cunho financeiro/editorial: adiamento do lançamento, falta de local para a cerimônia, de capital para alguns investimentos, etc. Para minha sorte, tenho alguns anjos ao meu lado que me auxiliaram em demasia nessa empreitada, como Edneide Torres, Vanusia Amorim e o pessoal do IFAL – Palmeira dos Índios.
Atualmente, a grande problemática que estou tendo como escritor é divulgar e distribuir meu livro. Não tenho nenhuma equipe de assessoria que faça isso por mim, como os grandes autores. Portanto, além de escritor, tenho que bancar o jornalista, designer, publicitário, empresário e terapeuta. E isso é mais dispendioso e exaustivo do que aparenta.

Over Shock - E como Mentalmorfose tem sido avaliada pelos primeiros leitores?
Elton - Como disse anteriormente, a despeito das mazelas desse caminho ao mesmo tempo tortuoso e prazeroso, o segmento de pessoas que teve minha obra em mãos tem sido bastante caloroso. Mentalmorfose tem conquistado bom reconhecimento e espaço dentre os leitores – essa é a maior recompensa. Dois grandes autores nacionais também tomaram a leitura do livro: Arnaldo Antunes e Antônio Torres. Ter meu livro lido por nomes artísticos dessa importância foi de grande responsabilidade e alegria.
Recentemente, parte da obra foi transformada em um sarau que une poesia, teatro, música e arte experimental para ser apresentado no VIII Festival de Artes Aldeia do Velho Chico, na cidade de Petrolina-PE. Alguns professores do ensino fundamental e superior têm lançado mão dos meus versos em sala de aula e, cito novamente Edneide Torres, que vem se mostrando uma grande entusiasta do meu trabalho, não raro utilizando-o em sala e em seus trabalhos acadêmicos. Inclusive, a performance de sarau está sendo liderada por ela, juntamente ao Núcleo Experimental de Artes do Instituo Federal de Alagoas – Pin.
O melhor mesmo é ver algumas pessoas se dizerem inspiradas com minha obra; inspiradas simplesmente ou a escrever. Isso é um sonho!
Há algum tempo atrás, uma garota chamada Williany Souza (que tem um potencial imenso para a poesia) obteve o 1º lugar em concurso literário, na categoria “verso” com um poema inspirado em meu trabalho e na minha pessoa. A satisfação em ver os frutos de Mentalmorfose é impagável, é a minha maior recompensa, repito.

Over Shock - Você é fã confesso de autores como Stephen King, C. S. Lewis e J. R. R. Tolkien. Como esses e outros autores te inspiram a criar suas obras?
Elton - Já é um fato bem estabelecido que, sempre que jogo os olhos em algum texto desses caras, sou imediatamente cativado. King, Lewis e Tolkien compõem a tríade de autores que melhor conseguem escrever, para mim. Seja na engenhosidade das ideias, na simplicidade aconchegante dos enredos ou na complexidade dos universos inventivos eles são os melhores contadores de histórias que já vi – e sabemos que um bom contador de histórias nunca conta apenas histórias.
King e Lewis conseguem criar uma gama de personagens totalmente cativantes, do tipo que faz você sentir saudades deles, ao terminar o livro. Eles se tornam seus amigos. Tolkien é um artesão da palavra: além de sua potência imaginativa ele trabalha com excelência nos níveis léxicos e semânticos da escrita. Sempre que leio algo desses gênios, fico pensando que é esse o tipo de coisa que quero criar, o tipo de livro que quero escrever. Obras que surtam no leitor o mesmo efeito que essas surtem em mim. Quero provocar o medo criativo que Stephen King lança em seus fãs, a magia narniana de C.S. Lewis e a força épica de Tolkien. Por isso, sempre pesco alguma técnica pertinente a esses camaradas ali e acolá.
Ler a biografia deles, especialmente a de S.K. (com a qual me identifico bastante), também é uma inspiração e tanto.

“Aproximei-me e perguntei o nome do sujeito.
Ele respondeu reto, direito.
De maneira certa:
“Meu nome? Meu nome é poeta.”” – O Vômito e o Homem (Mentalmorfose)

Over Shock - Sabemos que existe uma diferença no processo de escrita dos diversos gêneros narrativos. No seu caso, qual a diferença da escrita de poesias e contos?
Elton - Antes de tudo, a escrita é a expressão máxima de liberdade da alma humana. No ato de escrever, podemos desfrutar verdadeiramente da real liberdade – aquela liberdade utópica cujo gozo sentimos muito pouco fora do papel. Podemos regressar à nossa essência mais primitiva e livre, especialmente com a poesia. Há uma grande concepção ainda muito parnasiana sobre a poesia ter que obedecer certos parâmetros e se limitar dentro de certos aspectos. Eu digo que não. Poesia é anarquia, libertinagem plena. Ela é tão livre que permite que um escritor do século XXI possa escrever como um escritor do século XXI ou do século XVIII.
No ato de fazer poesia é mais a poesia que vai fazendo e refazendo o poeta. Um fluxo rebelde de ideias e sentimentos vai sendo despejado no papel, com o ímpeto do amor dos românticos boêmios ou a rebeldia dos modernistas e beatniks. Claro que, em alguns casos é preciso pensar e repensar o poema, dependendo da sua proposta. Em suma, escrevo meus poemas como quem conversa com o papel, simplesmente. Penso, vejo, penso e escrevo.
Já na prosa, e aí se inserem os contos, não há tanta abertura assim para desconstruir, subverter, desobedecer e bagunçar os pilares da palavra. Há maiores limitações no campo textual e contextual e você tem que se ater a elas se quiser que a receita não desande. A prosa, por exemplo, exige um número considerável de revisão. Eu não me lembro de ter revisado poema algum de minha autoria. Foram dados como foram concebidos.
A prosa é mais pensada, a poesia mais visceral. E acho isso o máximo – talvez seja a única circunstância na qual o homem pode emular seus dois lados constitutivos sem maiores complicações: o racional e o passional.

Over Shock - Além desses dois gêneros, qual outro você pretende se aventurar em sua carreira literária? Tem algum projeto em mente que possa ser revelado?
Elton - Pretendo ser tão versátil quão é minha alma. Tenho ideias de atuação em quase todas as áreas textuais – com exceção do teatro e um pouco da crônica, ao menos por ora. Sempre penso que, muitos dos meus futuros projetos podem “assustar” o leitor que acostumou-se a me ver como poeta. Mas, é preciso atentar para o fato de que eu sou um escritor e não um poeta, apenas.
Pretendo lançar parcial ou integralmente a coletânea de contos de terror “Vozes na Madrugada”, no próximo ano. Além disso, tenho alguns poemas que “sobraram” de Mentalmorfose. Penso em uni-los a outros que escrevi ultimamente em um momento futuro – quero antes me apresentar aos leitores na prosa.
Possuo também um vasto arsenal de ideias e esboços para romances dos mais variados gêneros (terror, fantasia, drama), ensaios, crônicas e o que mais pintar nesse ínterim.

Over Shock - Em Mentalmorfose, encontramos versos que causam reflexões e mostram sua opinião sobre diversos assuntos. Como você imagina atingir seus leitores com esses versos?
Elton - O escritor russo, Liev Tolstói, costumava dizer: “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”.
Pode soar algo pretensioso, mas penso nessa mesma linha quanto a Mentalmorfose: “Fale sobre algo pertinente ao ser humano e atinja todos os seres humanos”.
Toda obra de arte, por mais surreal e fantasiosa que seja, no fundo fala sobre nossa realidade; sobre nossa condição, o mundo à nossa volta, nossos pensamentos, medos, desejos... Com os poemas do meu livro não deixa de ser diferente. Embora eu trate de vários assuntos sob minha ótica, creio que o olhar do leitor também já os mirou numa ocasião ou noutra. Cada composição é um recorte da minha mente, que pode muito bem ser da mente de qualquer um que ler.  É como diz uma canção do Pink Floyd: “Nós e eles, no fim das contas somos todos homens comuns.” Também em outra música: “E eu sou você e o que eu vejo sou eu”. Ou, ainda, Ulisses Tavares: “O poeta já passou pelos céus e infernos de todos nós.” Nada acontece a alguém que já não tenha sido sentido por outra pessoa em algum lugar. Há também os versos que tracei observando as coisas, o mundo exterior e afins. Portanto, escrevo coisas que quase todo mundo já pensou antes e apenas não sabia como dizer ou ainda não tinha percebido. É provável que meu livro seja apenas um despertador para um espírito dorminhoco.

Over Shock - Por falar em opinião, um ponto bem explorado em sua obra, é a vida de um escritor. Sendo assim, qual a sua avaliação para o atual mercado editorial brasileiro? Os poetas, como o seu caso, sofrem preconceitos por parte de editoras e leitores?
Elton - Já está se tornando quase lugar comum dizer que os escribas brasileiros não encontram espaço favorável para suas atividades, tanto no meio editorial quanto dentro do público (risos). Sonho com o dia em que isso não seja mais preciso ser dito. Contudo, até lá tenho que dizer que o mercado ainda continua estreito demais para a largura do sonho de escrever. As grandes editoras mantém as portas trancadas e com cães de guarda na frente de seus castelos de modo que o autor nacional tem que passar por maus bocados até conseguir adentrar esse recanto. Claro que há editoras que dão uma abertura maior aos escritores tupiniquins, mas a altos custos. Quantas obras dignas de se tornarem cânones morrem nas gavetas domiciliares pelo o fato de o escritor não poder pagar R$ 10.000 ou mais para ser lançado? Quantos leitores assassinam verdadeiros gênios, que morrem negligenciados por falta de quem os leia?
A solução, então, é recorrer a editoras menores que não prestam os mesmo serviços e nem dão tanto destaque como as grandes corporações ou, bancar uma publicação independente (o que dá quase no mesmo, de certa perspectiva). Mas, o desafio de publicar não chega nem perto da dificuldade que é distribuir, divulgar, vender seu peixe – especialmente se o autor estiver inserido na situação de uma pequena editora. Nesse caso, depois de ver seu livro impresso, o profissional tem que se empenhar e desempenhar o papel de livreiro e se virar como pode através da internet, imprensa underground e etc.
Quando se trata de poesia, então, a situação fica bem mais complicada. Penei um bocado pesquisando editoras que trabalham com a publicação de poemas. Como tudo no capitalismo, as editoras funcionam em prol do mercado – apesar de achar burrice que isso seja feito de forma exclusiva, excluindo-se outros fatores que não o comercial. E como existe uma tendência da diminuição de leitores de poesia, grande parte das casas editoriais acaba por refutar muitos poetas. É uma situação realmente delicada, pois existe um emaranhado de fatores que corroboram esse problema. Nas escolas e no lar não há o trabalho continuado da poesia; os leitores potenciais dão preferência à prosa fácil e comercial por enxergarem no poema um enigma inacessível e, consequentemente, sobram pouquíssimas editoras que lancem livros do gênero.

“A voz de Julia soou: um sinal de que em breve voltaria para a cozinha! Vamos lá! Ela não pode entrar e ver o marido encurvado feito um animal – feito um debiloide olhando para um fogão”. – conto Paranoia

Over Shock - Atualmente, além de escritor, você é estudante de letras e psicologia, o que requer muita dedicação. Como você divide seu tempo diário para se dedicar a todas essas atividades?
Elton - Seria mais simples se eu tivesse um tempo para dividir (risos). Bom, estou me valendo especialmente de dois fatores para conciliar minhas atividades: a paixão pelas minhas áreas de atuação – o que facilita e contribui com o andar da carruagem – e o fato de o curso de letras ser semipresencial, apesar dessa modalidade de ensino exigir muita autonomia e organização. Psicologia, curso pela Universidade Federal de Alagoas e Licenciatura em Letras – Português, pelo Instituto Federal de Alagoas; este último por ter períodos letivos presenciais e períodos virtuais, permite-me ter um controle de tempo maior. Também procuro sempre colocar minhas atividades em dias, com o máximo de antecedência que posso a fim de que me sobre tempo para as demais obrigações e um indispensável lazer. Afinal, não vivo sem livros, filmes, desenhos, músicas, games e um pouco de ócio, essencial para um escritor (risos).

Over Shock - Usando de sua experiência, deixe suas dicas aos que, assim como você, sonham em se tornar um escritor reconhecido.
Elton - Sonhem, leiam, escrevam. Leiam mais um bocado, escrevam mais ainda, reescrevam e sonhem em dobro. Sejam estoicos ao máximo diante das adversidades e amem sua jornada, olhando sempre adiante, evitando desviar os olhos para os lados.

Over Shock - Jogo Rápido:
Instituto Federal de Alagoas (IFAL): Meu purgatório durante algum tempo e meu doce lar pela eternidade.
Música e Poesia: Confundem-se com o ar que respiro
Literatura Fantástica: O melhor e mais expressivo gênero literário
Vozes na Madrugada: Uma volta no trem fantasma   
Um conto de Vozes na Madrugada: Blackhills
Mentalmorfose: Parte de um sonho, parte de mim.
Uma poesia de Mentalmorfose: Aprendiz de Escritor
Um sonho: Viver exclusivamente para a escrita
C. S. Lewis: O gênio criador do melhor livro fantástico do mundo: As Crônicas de Nárnia
Sthepen King: Um herói, um modelo, a mente mais criativa dos nossos tempos.
Graciliano Ramos: O escritor para ser lido e aprendido, sempre.
Blogs Literários: Verdadeiros amigos, como o Overshock.
Daqui dez anos vou estar: Com 29 (risos). Com algumas dores e amores a mais.

Over Shock - Muito obrigado por sua disposição, Elton, e aproveito para desejar todo o sucesso pessoal e profissional a você, que com determinação, com certeza chegará longe e fará a diferença na Literatura. Para encerrar, deixa suas últimas mensagens aos leitores.
Elton - Muito obrigado, Ricardo! Agradeço pelos votos bem como pelo espaço cedido. Foi um prazer conversar contigo e com os leitores desse excelente site que é o Overshock.
Agradeço aos leitores pelo carinho, estima e retorno que tem dado ao meu trabalho. Depois do amor pela escrita em si, essa é a compensação maior pelo meu ofício.
Um abraço literário a todos! Sorvam versos, respirem nuvens e aspirem ao céu!
Poetizem!

“Quero o amor infantil, amor de criança
Nada do amor maduro, adulto.
O amor de doze anos, ou menos dez.
Quero o amor imperturbável, não nocivo” – Amor de Verdade (Mentalmorfose)