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Um confronto entre a polícia e um grupo de mineiros em Marikana, na África do Sul, deixou 34 pessoas mortas na última quinta-feira (16). A população do país africano entrou em choque com as fortes imagens do confronto.
Cerca de 3 mil mineiros que trabalhavam na Lonmin, empresa britânica produtora de platina, protestavam contra os baixos salários quando a polícia os cercou. Armados com rifles, os policiais abriram fogo contra os manifestantes, que possuíam apenas paus e facões. No total, além de 34 mortos, o confronto resultou em 78 feridos e 259 presos. Segundo o comissário da polícia, Riah Phiyega, o ato dos policiais foi em legítima defesa.
Os conflitos e protestos vinham desde a sexta-feira (10), com a disputa entre dois sindicatos rivais. Essa disputa, que se iniciou após a declaração de greve, resultou na morte de outras dez pessoas antes do conflito com a polícia.
O presidente sul-africano, Jacob Zuma, declarou em comunicado oficial estar chocado com a violência. Segundo Zuma, o governo acredita “que há espaço suficiente em nossa ordem democrática para resolver qualquer disputa mediante o diálogo, sem violência e sem descumprir a lei”.
Considerado o ato mais sangrento após o fim do apartheid, regime que separava brancos e negros e que chegou ao fim em 1994, a ação da polícia será investigada por uma comissão de inquérito nomeada pelo governo de Zuma. Sobre isso, o presidente disse estar convencido “de que a comissão de inquérito vai mostrar a verdade. Pedimos a todos que deem assistência de emergência às famílias durante este difícil e doloroso período”.
Por tudo o que tem acontecido nos últimos dias na África do Sul, o ex-líder da Juventude do Congresso Nacional Africano (ANC), Julius Malema, pediu a renúncia do presidente Zuma, que está no cargo desde 2009.