Tudo começou no início da década de 1960 e por isso ele é considerado o Pai do Rock Brasileiro. Seus mais de 20 álbuns de estúdio foram responsáveis por um legado que continuou até mesmo depois de sua morte, o que prova o valor musical de um grande gênio da arte.
Membro de uma família de classe média, Raul Santos Seixas nasceu em Salvador no dia 28 de junho de 1945 e desde muito novo o rock esteve presente na vida do futuro músico – não apenas em questão musical, já que ele seguia todo o estilo de vida próprio deste gênero.
Devido aos problemas que Raul Seixas causou em sua infância e adolescência, foi matriculado pelos pais em um colégio de padres, porém nem isso o motivou a estudar e a escola era um lugar que ele sempre declarou odiar.
Nessa mesma época Raul descobre os prazeres da leitura e da escrita. Passa a deixar sua imaginação falar mais alto e então coloca todas as suas ideias no papel. Raul Seixas continua escrevendo e contando suas histórias ao irmão mais novo, Plínio, até que inicia sua carreira musical com a banda Os Panteras.
Os Panteras participam do início do rock no Brasil e apresenta o estilo, sobretudo aos baianos. O primeiro grande desafio aconteceu em 1967, quando Raul e os demais membros da banda recebem o convite para ir ao Rio de Janeiro. O grupo não demora a gravar o primeiro e único disco da banda: Raulzito e Os Panteras, lançado em 1968. Com um estilo romântico, o álbum continha diversas composições de Raul Seixas, porém não recebeu boas críticas da mídia e do público em geral.
O fracasso do grupo e problemas financeiros obrigaram Raul Seixas a voltar à Salvador, onde conhece um produtor que novamente lhe abre as portas para o mundo musical. Ao lado de sua esposa Edith, com quem se casou em 1967, Raul viaja novamente ao Rio de Janeiro. Trabalha no anonimato e aos poucos ganha experiência com a produção musical, além de conhecer importantes nomes da música.
Apenas no início da década de 70, quando já é um produtor respeitado, suas composições começam a ser gravadas por outros músicos. Raul Seixas percebe que o sonho de ser músico continua vivo e conhece, na mesma época, o escritor Paulo Coelho, grande parceiro em tudo o que produziu a partir de então.
O sonho vira realidade com seu primeiro álbum solo, intitulado Krig-ha, Bandolo! (1973). Krig-ha, Bandolo!, que faz uma referência ao grito do personagem Tarzan, é considerado pela revista Rolling Stone como um dos cem maiores discos da música brasileira e traz grandes sucessos do músico, como Al Capone e Metamorfose Ambulante.
Após o sucesso de seu primeiro álbum, Raul Seixas é apontado como uma das grandes promessas da música brasileira, porém, graças a uma ideia que defendeu ao lado de Paulo Coelho, é preso ao lado do grande escritor e exilado nos Estados Unidos.
Ao voltar, Raul grava seu terceiro trabalho solo, o álbum Gita (1974), que lhe rende um disco de ouro após a venda de 600.000 cópias. É no mesmo ano que Raul Seixas separa-se de Edith e no ano seguinte se casa com Gloria Vaquer. O ano de 1975 também é marcado pela gravação do álbum Novo Aeon, que incluía uma das canções mais conhecidas: Tente Outra Vez. No álbum seguinte, Raul Seixas apresentou ao Brasil uma canção marcante, de versos fortes e inesquecíveis: Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás.
A seguir, o cantor baiano passa enfrentar altos e baixos em sua vida. Encerra, temporariamente, sua parceria com o escritor Paulo Coelho; grava músicas como O Dia em Que a Terra Parou e Maluco Beleza; luta contra problemas de saúde, principalmente os ocasionados pela bebida; e por fim separa-se de sua segunda esposa.
Sem gravadora e outros com dois relacionamentos que duraram pouco tempo, Raul Seixas enfrenta uma forte depressão e a bebida lhe causa situações que nenhum fã deseja ao seu grande ídolo. Mas o seu talento com a música garante outros trabalhos, inclusive o convite para participar do especial Plunct, Plact, Zuuum da Rede Globo, onde canta a música Carimbador Maluco, presente no álbum Raul Seixas (1983).
Após uma apresentação em São Caetano do Sul, em 1985, o cantor fica até 1988 sem subir aos palcos. Nesse tempo grava Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! (1987), que agrada a maioria dos fãs e novamente é grande sucesso de vendas. Em seus últimos anos de vida, Raul Seixas conhece Marcelo Nova, com quem faz algumas apresentações, voltando assim aos palcos.
O último trabalho de Raul Seixas foi gravado em uma série de shows pelo país, mas o cantor não chegou a presenciar o lançamento de A Panela do Diabo, que aconteceu no dia 22 de agosto de 1989. Na manhã do dia anterior, Raul Seixas é encontrado morto em seu apartamento em São Paulo, vítima de uma parada cardíaca em decorrência aos seus problemas com o álcool.
Enquanto era enterrado no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador, o CD A Panela do Diabo iniciava suas vendas, que rendeu mais de 150.000 cópias vendidas. Os anos se passaram e Raul Seixas conquistou as gerações seguintes, que não chegaram a testemunhar a maestria desse grande mestre. Homenagens foram feitas por fãs e principalmente por músicos, que regravaram os grandes sucessos do Maluco Beleza, que viu Cristo ser crucificado, o amor nascer e ser assassinado; viu Moisés cruzar o Mar Vermelho e Maomé cair na terra de joelhos; e que viu o surgimento de uma música moderna, e mais tarde se tornou uma Majestade Eterna.

“Eu quero dizer agora, o oposto do que eu disse antes. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante [...] Se hoje eu sou estrela, amanhã já se apagou. Se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor.” – Raul Seixas

Raul Seixas - 28/06/1945 - 21/08/1989