Uma onda de protestos contra os Estados Unidos movimentou pelos menos três países islâmicos nos últimos dias. Tudo começou com um filme que satiriza o profeta Maomé. Produzido na Califórnia, o filme é considerado um ato anti-islâmico por menosprezar o profeta.
A primeira manifestação aconteceu na terça-feira (11), no Cairo, onde um grupo invadiu a embaixada americana e rasgou a bandeira do país. Os manifestantes tinham em mãos o Alcorão, bandeiras e faixas com protestos, e em coro pediam a ordem e a expulsão do embaixador norte-americano no Egito. O protesto coincidiu com os onze anos dos atentados de 11 de setembro.
No dia seguinte, o embaixador norte-americano na Líbia, Christopher Stevens, foi morto após um ataque de manifestantes. Outros três funcionários da embaixada morreram. Segundo algumas declarações, Stevens foi morto por asfixia devido a um incêndio no prédio da embaixada, incêndio esse causado por granadas lançadas por foguete. Já no Iêmen, a embaixada norte-americana foi cercada por centenas de manifestantes na quinta-feira (13), que teriam entrado no prédio sem que os guardas tomassem qualquer providência para evitar a invasão. No país, quatro pessoas foram mortas e mais de 30 ficaram feridas após intervenção da polícia local.
O vídeo que gerou toda essa confusão faz parte de um filme que retrata o islamismo como uma religião de violência e ódio. Além disso, o profeta Maomé é tido como homossexual, além de aparecer em posições sexuais com a esposa. Independente de qual seja a citação, para o islamismo, não se deve fazer qualquer relação a Maomé, por isso as sátiras irritaram os seguidores da religião. Essa irritação vem desde a publicação em uma revista de uma charge também satirizando o profeta Maomé.
Segundo foi relatado, o egípcio cristão Nakoula Basseley Nakoula, de 55 anos, é o responsável pela produção do vídeo, de qualidade totalmente amadora. Na manhã desse sábado (15), Nakoula, morador da Califórnia, foi interrogado de forma voluntária por autoridades dos EUA. Como no país é direito de todos a liberdade de expressão, a produção do filme não pode ser considerada um crime. Em 2010, Nakoula foi condenado a prisão por fraude bancária e parte do filme foi produzido após ele deixar a prisão.