Abrindo o III Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro, a Companhia Viva Arte recebeu o público que lotou o Theatro Avenida na noite dessa sexta-feira (21) para assistir a peça O Rico Avarento, escrita por Ariano Suassuna e publicada originalmente em 1954.
A peça começou por volta das 20h20min, quando o local se transformou no sertão nordestino e personagens marcantes subiram ao palco para divertir a todos os presentes com uma peça simples, porém de alta qualidade.
O Rico Avarento conta a história de um personagem (Celso Xinini) que tem como principal marca a avareza, um dos sete pecados capitais. Ainda no início da peça, Tirateima (José Eduardo Martins) aceita o emprego de mestre sala desse homem, sem imaginar tudo o que enfrentará devido aos ideais gananciosos do personagem que dá nome a peça.
Protagonizado pelos atores Celso Xinini e José Eduardo Martinstambém diretor da peça -, O Rico Avarento conquistou o público ainda em seu primeiro minuto, quando Tirateima chega para buscar emprego e por alguns instantes existe a troca de falas: “Oh de casa!” “Oh de fora!” “Oh de casa!” “Oh de foda!”.
Dando sequência ao espetáculo, aos poucos Tirateima vai conhecendo seu novo patrão e percebendo que ele não pretende gastar um único tostão com ninguém, justamente por isso “evita visitar a mãe para que ela não o visite”. A primeira demonstração de sua avareza é quando uma velha com o olho furado bate a porta do protagonista e esse recusa ajudá-la, por isso ela o amaldiçoa. Daí por diante novos personagens pedem ajuda que não virá, e novas maldições são lançadas sob o protagonista. Isso continua, intercalando com ótimos diálogos, até que o avarento recebe a visita do chefe do inferno (Caique Torres) para que pague por seus pecados e aos poucos a peça chegue a seu final.
Por se tratar de uma companhia teatral criada pela Associação Amigos do Theatro Avenida (AATA), a peça é mantida com poucos recursos e possui uma simplicidade que faz toda a diferença. Deixando de lado a grandiosidade da produção, é a qualidade dos atores que fica em evidência, sendo que em nenhum momento sentimos ser feito por atores que ainda não se dedicam totalmente para a arte cênica.
Apesar de se passar no sertão nordestino, os atores se interagiram a todo o momento com o público como se Pinhal fosse cenário para a história. Com um texto adaptado para a atualidade, houve diversas citações que tiraram gargalhadas. Em determinado momento da peça, Eduardo Martins faz uma citação a uma antiga professora, o que foi considerado por muitos o ponto alto da apresentação que durou cerca quarenta minutos.
Ao final da peça, uma pequena apresentação de dança fazendo referências ao nordeste fechou a primeira noite do evento. Só então os membros da Viva Arte homenagearam Ana Tereza Leite, que faz parte da AATA. Ao subir ao palco, visivelmente emocionada, Ana Tereza convidou a todos para participar das atrações de sábado e domingo no Pin Pin de Literatura e concluiu sua fala dizendo que os atores da Viva Arte trabalham em “amor a cidade e amor a arte”. A Cia. Viva Arte volta a se apresentar no Theatro Avenida no próximo dia 13 de outubro, com o musical A Bela e a Fera.
Em entrevista exclusiva ao Over Shock, o diretor José Eduardo Martins disse que a ideia para a peça surgiu durante uma aula com a professora Ivani Trevisan, e comentou sobre uma possível presença de Ariano Suassuna na próxima edição do Pin Pin. Eduardo se declarou grande fã de Suassuna e concluiu: “Eu soube que há um ano dois anos, não me lembro, ele esteve em Poços de Caldas. Eu falei: puxa, se ele esteve em Poços de Caldas, a gente trás ele no Pin Pin ano que vem. Vamos trabalhar pra isso. Olha, eu confirmo: se o Ariano Suassuna vier no próximo Pin Pin, a gente reapresenta essa peça especialmente pra ele”.
Ana Tereza também concedeu uma entrevista exclusiva ao blog, falando do Pin Pin de Literatura e dando destaque para a importância que a arte tem na vida das pessoas, sobretudo os jovens. Sobre a Viva Arte, Ana Tereza comentou: “A Viva Arte é uma companhia de artistas amadores, todos aqui da cidade. Eles fazem esse trabalho de uma forma muito dedicada, com muito companheirismo, muita solidariedade, num trabalho voluntário pra fazer essa companhia trabalhar um pouco o lado artístico dos jovens da cidade que se interessam, tanto pelo teatro, como pela música, pela dança, e também pela literatura”.

As entrevistas completas você acompanha nos próximos dias.