O segundo dia do III Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro teve inicio com uma apresentação de saxofone do músico Luiz Gustavo de Souza. Em seguida, por volta das 9h, a apresentadora do evento, Loriane Salvi, convidou os organizadores para se juntarem a mesa e só então a diretora de Cultura e Turismo, Cecília Martini Del Guerra Borges, deu início definitivamente ao evento. Loriane ainda citou o Over Shock por fazer a cobertura especial do evento, motivo de alegria para todos os moderadores do blog.
Após breves palavras de alguns dos organizadores, o espaço foi passado para Cristiane A. Sato, presidente da Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações e autora do livro JAPOP: O Poder da Cultura Pop Japonesa. Cristiane iniciou sua palestra explicando para o público, formado por crianças e adultos, o significado da palavra mangá e destacando os diferentes tipos de linguagens usadas pelos japoneses. Ao explicar sobre a origem do mangá, ressaltou o conceito histórico e social dessa cultura, fazendo inclusive referência ao grande mestre Osamu Tezuka. Sobre Tezuka, Cristiane contou que devido as dificuldades encontradas em fazer animação, ele partiu para os quadrinhos em 1946 e teve inicio uma revolução que resultou no que conhecemos hoje dessa forma de arte.
Como poucos brasileiros sabem da forma de publicação do mangá no Japão, feito primeiramente através de revistas, Cristiane citou alguns tipos e os diferentes gêneros, explicando que o poder do mangá é devido a ausência da censura, característica marcante em um projeto da TV, por exemplo. Ao comentar sobre Cavaleiros do Zodíaco, o público presente, que era formado por alguns cosplayers, se envolveu, o que animou a autora. Pouco antes do final de sua palestra, Cristiane citou: “Otaku demais, nem otaku aguenta”.
Em entrevista exclusiva ao blog, Cristiane comentou sobre a frase e disse que “qualquer coisa que é muito exagerada ninguém vê com bons olhos. O fato é que o cara que perde essa capacidade social vai ter dificuldade com tudo na vida. Veja todo mundo precisa trabalhar, ter emprego, ter família, e sem essa capacidade social como é que você vai ter isso?”. Já em relação a cultura pop japonesa no Brasil, Cristiane concluiu: “Se você enfia uma agulha de tricô no Japão em um globo terrestre, ela vai sair direto no Brasil. É o ponto mais oposto no globo do Japão e a ponto da cultura pop se tornar um movimento cultural jovem, atingindo praticamente todas as atividades, a literária, a de costumes, estética, moda... Gente do céu, isso aqui é um milagre”.
A programação continuou com as bandas Garage Machine e Estaca Zero, que representaram o projeto Escola da Família, do Prof. Elias Carlos Rodrigues. Houve então um intervalo, antes da palestra dos republicanos Ricardo Ragazzo, Thiago Ururahy e Carlos Matos.
O primeiro a falar foi Thiago Ururahy, que explicou ao público presente o motivo de autores abandonarem suas obras. Segundo Thiago, um dos principais motivos é o fato de alguns autores não planejarem suas obras, ou seja, deixam de lado um projeto de continuidade que facilitaria a elaboração completa de um projeto.
Como qualquer outro projeto, a escrita também possui cinco grandes problemas. Thiago não deixou os interessados na mão e explicou também as cinco grandes soluções, fazendo citação a Stephen King, Neil Gaiman e inclusive Agatha Christie, a rainha do crime e da narrativa bem elaborada.
Dando continuidade, porém não fugindo do assunto anterior, o parceiro Ricardo Ragazzo comentou sobre o Storytelling e como escrever textos semelhantes aos roteiros hollywoodianos. Aos poucos Ragazzo disse que um texto deve ser dividido em três atos, além de outros cinco estágios e seis níveis. O autor do livro 72 Horas para Morrer também citou filmes, como Titanic e Harry Potter, além de A Firma, lançado em 1993. Passando no telão pequenos trechos do filme, Ragazzo disse que uma obra vai prender o leitor nos chamados “pontos de virada” e encerrou dizendo que as coincidências são bem-vindas em caso negativo, ou seja, quando isso não ajuda o protagonista de uma história a se dar bem.
Ao ser entrevistado, Ragazzo comentou sobre a importância de uma estrutura mais densa, já que “nós como humanos nos conectados através de emoção e o conflito gera emoção, vários tipos de emoções. Se o leitor não se emocionar, ele não segue com a história. Seja no filme ou seja no livro, principalmente no livro, que demanda mais tempo”.
  Para encerrar a participação da República dos Escritores, Carlos Matos, um dos mais novos membros da associação, falou sobre contar histórias na Web 2.0 e a Transmedia, que apesar da palavra, não é algo totalmente novo. Dando dicas de como usar as redes sociais de modo favorável ao seu trabalho literário, Carlos Matos focou especialmente no envolvimento do autor com o seu público e destacou as principais redes sociais e aquelas que não ajudam o escritor da forma como este precisa.
O projeto Beija-flor se apresentou no palco do Theatro Avenida e logo em seguida aconteceu uma mesa de escritores sobre Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra, o Cardeal Leme, grande homenageado do evento. Mediada por Valéria Torres, que tem uma coluna intitulada Pontos Cardeaisem homenagem a Dom Leme -, a mesa contou toda a trajetória do filho mais ilustre da cidade, citando seus feitos na cultura, religião e principalmente política, já que Dom Leme foi de extrema importância para a história política do Brasil no início da década de 30.
A mesa contou também com a participação do jornalista Silvio Tamaso, da escritora Marly Bartolomei, autora do livro O Romance de Pinhal, e do mineiro Jorge Scélova de Semenovitch, autor do livro Corcovado – A Conquista da Montanha de Deus. Ao falar sobre o Corcovado, Jorge fez questão de lembrar que o Cristo Redentor é uma das sete novas maravilhas do mundo e que existe graças ao trabalho de um pinhalense fervoroso como Dom Sebastião. Contou também que o Cristo Redentor era uma ideia antiga, sustentada por Dom Joaquim Arcoverde e que esse, antes de falecer, deu carta branca ao seu sucessor para a construção e inauguração do monumento. Por isso Jorge, que visitou a cidade e viu o busto em homenagem ao filho ilustre de Pinhal, disse que todos os pinhalenses devem se orgulhar por ser conterrâneos desse grande homem de fé e com um amor por sua cidade incomparável.
Silvio Tamaso, por sua vez, citou de uma das duas visitas oficiais de Dom Sebastião Leme a sua terra querida, lendo discursos e outras palavras desse homem que ainda é motivo de orgulho para todos.
Enquanto que no hall de entrada do teatro aconteciam os lançamentos dos livros Um Lugar para se Perder, de Alexandre Staut; Meus Bichos, de José Geraldo Motta Florence; e do DVD Pinhal – A História de Nossa Cidade, de Luiz Cláudio Campos, na parte principal do Theatro Avenida aconteceu o lançamento da quinta edição da Antologia Literária Pinhalense, que surgiu em 2004. Sobre lançar seu livro em sua cidade natal, já que mora em São Paulo, Alexandre comentou em entrevista ao blog: “É super confuso, porque é uma salada mista de emoções. Vem mãe, irmãos, sobrinhos, tios e tias, primos, amigos de infância, professores que eu não via há trinta anos, desconhecidos. É uma loucura. É a emoção à flor da pele, e é dificil ao mesmo tempo“.
Com capa de Marcos Alberto Salvi, a Antologia Literária Pinhalense 2012 contou com a participação de 34 autores, que escreveram poemas, crônicas e contos. Entre os autores, os poetas João Batista Rozon e Fernando Vieira de Carvalho Salles, os também autores José Geraldo Motta Florence e Marly Bartolomei, além de Paulo Romão, co-autor, entre outros, do livro Dias Contados – vol. 2, da Andross Editora. O livro contou ainda com trabalhos de outros importantes nomes para a cidade.
Um novo intervalo antecedeu o momento mais aguardado do evento. Passava das 20h quando o poeta Ferreira Gullar foi chamado ao palco e recebido com uma salva de palmas pelo público que novamente lotou o Theatro Avenida. Mais do que uma palestra, Ferreira Gullar bateu um papo com os pinhalenses, contando um pouco sobre sua vida; a emoção por se lembrar, durante um passeio, de seu filho morto; além de comentar sobre os vários tipos de poesia.
Com um tom bem humorado e fazendo o público rir de diversas situações, Gullar também comentou sobre os best-sellers, que ele tem convicção de que não serão lembrados como os grandes clássicos de nossa literatura. Citando poemas de sua autoria e explicando também de onde surgiu a ideia de escrever os mesmos, afirmou que “a arte existe porque a vida é curta”, “que o homem inventou tudo por necessidade” e que “nem o poeta manda na poesia”. Gullar encerrou o segundo dia do evento em grande estilo e mostrando ao pinhalense o motivo de ser um dos maiores poetas de nossa atual literatura - ser uma das visistas mais especiais para Pinhal no ano de 2012.

As entrevistas completas você acompanha nos próximos dias.