Ao ser anunciada a programação do último dia do III Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro, todos sabiam que o poeta pinhalense João Batista Rozon (De Olho Neles 24#) seria o grande homenageado da manhã de domingo (23). O que poucos sabiam era da grandeza dessa merecida homenagem.
Pouco depois das 9h30m, a apresentadora do evento Loriane Salvi agradeceu novamente a todos os organizadores do Pin Pin de Literatura e deu inicio a programação do dia, convidando Patrícia Correia Françoso e o Prof. Elias Carlos Rodrigues a subirem ao palco do Theatro Avenida.
Na primeira parte da homenagem, de uma forma bem descontraída, Patrícia e Elias declamaram, entre outras, a poesia Interrogações, do livro Cartas do Pensamento, lançado em 1983. Após uma pequena pausa para Loriane contar a história de vida de João Rozon como homem, pai de família, advogado, maçom, escritor e figura importante para cultura pinhalense, a dupla voltou a declamar poesias do grande homenageado da manhã.
Elias e Patrícia se destacaram principalmente pela dramatização – quando necessário – e o uso constante dos gestos, que fizeram a diferença para a emoção e a grandeza da homenagem. Em uma das poesias mais marcantes, Rozon disse ainda em 1983: “Que seja feita Vossa vontade, porque a nossa vontade não está dando certo. Amém!”.
Na segunda parte da homenagem, João Rozon e seus filhos, Thaís, Camila e Thiago, foram convidados para subirem ao palco. No momento mais emocionante do evento, os filhos disseram algumas palavras sobre a figura de Rozon, que surpreso pela homenagem estava visivelmente emocionado. A emoção continuou quando Thaís, filha e música, tocou uma música na flauta, outro momento marcante da manhã de domingo.
O empresário Laércio Casalecchi, que como membro da AATA (Associação Amigos do Theatro Avenida) ajudou na elaboração do evento, também foi chamado ao palco e contou um pouco sobre a amizade que já dura quarenta anos. Laércio foi o responsável por entregar uma placa comemorativa a João Rozon, que ainda recebeu flores da esposa, parceira de toda a vida.
Ainda emocionado por receber a homenagem, que como disse no último De Olho Neles “todos que merecem devem ser homenageados em vida”, Rozon agradeceu o público e disse mais algumas palavras, antes do evento seguir sua programação.
A próxima atração foi a mostra de dança com o Sarau Encontro das Artes, de Alessandra Filippi. Em uma apresentação bem empolgada, as crianças aparentavam estar se divertindo com a oportunidade de mostrar seus talentos aos convidados e principalmente aos pais, que prestigiaram o evento de perto. O diferencial foi a participação também de adultos, que após as crianças deixarem o palco também se apresentaram.
Na sequência houve a mesa de escritores mediada pelo pinhalense Moacir Amâncio e com a participação dos escritores Antônio Torres e Márcia Tiburi. O trio comentou sobre “a morte da narrativa nos dias de hoje”. Citando listas dos livros mais vendidos da semana, os escritores comentaram sobre os grandes sucessos literários da atualidade como Crepúsculo e mais recentemente Cinquenta Tons de Cinza. Em relação a esses sucessos, Márcia Tiburi disse que é o “lixo, do lixo, do lixo”, ou seja, sem a mínima importância no conceito literário. Outro gênero sem importância, na visão de Márcia, é a auto-ajuda. Sobre o gênero, Márcia contou sobre o encontro com uma professora em uma palestra que deu recentemente em São Paulo, onde disse para a professora queimar os livros.
Antônio Torres declarou que os livros são produtos de consumo e que o leitor não morreu, apenas mudou. Quando grandes nomes entraram no assunto, como Machado de Assis e Eça de Queiroz, Márcia Tiburi citou que “é preciso melhorar o nível de leitura”, sobretudo dos jovens, e que “a literatura é um trabalho sério para a construção de nós mesmos”.
Encerrando a terceira edição do Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro, a Big Band Cardeal Leme se apresentou deixando no ar um clima de “até breve”, afinal a IV edição é apenas questão de tempo.