A Escolha, Nicholas Sparks, 1ª edição, tradução de Ivan Panazzolo Júnior, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2012, 307 páginas.

Com mais de 50 milhões de exemplares vendidos no mundo todo, Nicholas SparksUm Amor para Recordar (Resenha) e Um Homem de Sorte (Resenha) - é um dos maiores autores da atualidade e ano após ano lança sucessos inesquecíveis. Sua genialidade é tanta que suas obras ganharam espaço também nos cinemas, o que o torna uma lenda viva da literatura contemporânea. Sem contar que até leitores que não gostam de histórias românticas se surpreendem com sua escrita.
Com seu estilo característico de escrever, em A Escolha o autor conta a história de Travis Parker, um veterinário que tem tudo o que um homem deseja ao seu redor, menos uma companheira fixa, já que pra ele os relacionamentos passageiros são suficientes. A vida de Travis começa a mudar quando ele conhece sua vizinha Gabby, que vai até ele tentando resolver alguns problemas envolvendo seus cães. No início Gabby parece não querer a aproximação de Travis, mas isso é praticamente inevitável e um relacionamento sério entre eles é apenas questão de tempo.

“As cores, tão vívidas que pareciam quase ter vida própria, faziam-no pensar que a natureza às vezes mandava sinais, e que é importante lembrar que a alegria sempre pode vir após o desespero. Mas, um momento depois, o arco-íris desapareceu e o granizo voltou, e ele percebeu que a alegria, às vezes, era apenas ilusão” (pág. 252).

Dividido em duas partes, A Escolha possui momentos de extrema felicidade, onde o paraíso parece realmente existir para as personagens; e momentos de incertezas, onde o leitor é levado ao drama de uma forma capaz de emocionar, apesar de ser uma história até certo ponto simples. Enquanto na primeira parte conhecemos o início do relacionamento de Travis e Gabby, de uma forma leve e às vezes entediante, na segunda parte a emoção é mais explícita, por isso ficamos mais envolvidos e na expectativa da escolha de uma das personagens. Quem costuma criticar o autor pela mesmice encontrada em seus livros, pode e certamente vai se surpreender a partir da página 217.
Como costuma acontecer, Sparks cria personagens com algumas características que não fogem da realidade, o que as torna cativantes ao leitor. Dessa vez, acompanhamos uma mulher linda, simpática e apaixonante que se envolve com um homem inteligente e de um humor marcante. Duas pessoas que, acima de tudo, possuem uma química essencial para um relacionamento saudável. Apesar disso, novamente uma personagem secundária merece destaque: Stephanie, a irmã de Travis. Stephanie não só é engraçada, como também tem um amor forte por seu irmão e não poupa esforços para vê-lo feliz, o que rende momentos engraçados, principalmente no início do relacionamento do casal. Com ela é praticamente impossível passar o livro sem ao menos uma risada.
Talvez por desatenção, demorei a perceber a verdadeira escolha que deveria ser tomada, mas quando isso aconteceu um sentimento de apreensão tomou conta da leitura. Isso porque a escolha poderia causar algo que nenhum leitor esperava ou desejava, e não foi difícil se entristecer por aquilo que estava acontecendo. Quem passou por algo semelhante, mesmo sem ter a mesma responsabilidade, com certeza ficou na torcida pelo amor falar mais alto e para que em determinado momento a sensação de alívio fosse maior. Mas os livros de Nicholas Sparks nem sempre tomam rumos esperados, ou seja, tudo é possível.
Como a maioria dos livros, A Escolha dá uma verdadeira lição de como o amor é capaz de mudar nossa vida e nos deixar em uma encruzilhada. Com a dose certa de romance e emoção, é um livro que ganha um novo ritmo em determinada parte e não fica na mesma, sem algo para transformá-lo. Ainda que esteja longe da mesma emoção de Um Amor para Recordar, possui algo muito especial e por isso é uma grande leitura. Se comparado aos livros do autor, pode não superar alguns ou até mesmo ser considerado apenas mais um; deixando de lado o nome Nicholas Sparks, é um livro para nunca ser esquecido e uma história que vai nos mostrar até onde devemos ir em nome do amor.

“Ele não conseguiu terminar a sentença. O passado havia ficado para trás, e o futuro ainda iria se desdobrar, e ele sabia que deveria concentrar sua vida no presente... mesmo assim, o dia a dia da sua existência lhe parecia infindável e insuportável” (pág. 289).