O Corvo (The Raven)


Resenha: Mesmo depois de 163 anos, o motivo da morte do escritor Edgar Allan PoeHistórias Extraordinárias (Resenha) – permanece um mistério. O que se sabe é que o autor foi encontrado à beira da morte em um estado lastimável. Isso serviu de inspiração para os criadores do filme O Corvo, que narra o que teria sido os últimos dias do pai da literatura fantástica.
Edgar Allan Poe (John Cusack) é um nome conhecido pelas suas obras publicadas em um jornal. O que ele não imaginava era que seus contos serviram de inspiração para um assassino que, além de todas as mortes que vem causando, também sequestrou Emily (Alice Eve), a noiva do escritor. Por ser o criador das histórias inspiradoras, Allan Poe ajuda o detetive Emmet (Luke Evans) na investigação para desvendar os mistérios antes que novas mortes aconteçam.
Parte do filme O Corvo, dirigido por James McTeique, não é nada inovador, já que é comum encontrar filmes que possuem assassinos que deixam pistas capazes de ajudar os investigadores a evitar uma futura morte. O diferencial neste caso é a forma como os crimes são cometidos, baseado exclusivamente nos contos de um grande gênio. Mas quem seria tão fã de Allan Poe para cometer tamanha crueldade? Qualquer desatenção pode prejudicar na hora de desvendar esse mistério, afinal, além de espectador, também somos detetives e esse é lado bom de um filme como esse.
Tudo o que Allan Poe escreveu é recheado de mistério e com um clima sombrio, característica única do escritor e que não poderia faltar em O Corvo. Ver histórias como O Poço e o Pêndulo sendo interpretadas é garantia de entusiasmo e também de angústia, algo totalmente natural devido a forma como os crimes são cometidos e as histórias narradas.
Mas, além disso, o filme ainda reserva espaço para o romance proibido entre o escritor e Emilly, que possuí sim uma beleza ímpar, ainda que não totalmente explorada. Com a possibilidade de perder sua amada, o protagonista entra em desespero e somos blindados com ótimas cenas envolvendo o ator John Cusack, de longe a melhor interpretação de todo o longa-metragem - principalmente nos momentos finais -, sem esquecer de Luke Evans, outro grande destaque. Cusack pode ter chegado próximo do que realmente foi a figura de Edgar Allan Poe, por isso os fãs de sua escrita não podem deixar de assistir.
Com ótima trilha-sonora e fotografia, O Corvo usa, quando necessário, novas tecnologias para deixá-lo com uma qualidade maior; apresenta um figurino impecável, assim como deve ser todos os filmes de época; e um passeio pelas ruas da cidade de Baltimore no final da década de 1840. A cada nova cena, esses e outros detalhes fazem com que o espectador se prenda ao filme e deseje apenas descobrir o que ainda está por vir, ou ainda como o escritor e o detetive farão para vencer o assassino em série que comete todos os crimes de forma perfeita, mostrando que realmente conhece a mente tão questionada de Poe.
Assim como os leitores que no filme anseiam por novas histórias escritas pelo autor, alguns expectadores podem desejar uma continuação, o que infelizmente dificilmente vai acontecer. Mas, quem gosta de um bom suspense, com sequências de ação, mistério e muito sangue, vai encontrar em O Corvo o filme ideal. Um filme que poderia e merecia uma sequência, assim como Sherlock Holmes e Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Resenha), protagonizado por Robert Downey Jr. Afinal, assim como o personagem inglês, o autor norte-americano é um ícone da literatura e suas histórias são fantásticas, independente de como são contadas.