Mesmo sendo do país do futebol, ele não entende nada sobre o assunto e não tem vergonha de assumir. Um assunto que ele entende muito bem é sobre a literatura fantástica e felizmente ele sabe conquistar e divertir o leitor com ela. Apesar de ter se formado em Publicidade, no momento se considera mais um escritor do que um publicitário e sua dica aos escritores que estão iniciando uma carreira literária é para cativar os leitores, algo que fez tão bem em seus trabalhos literários. Em Al-Aisha e os Esquecidos (Resenha), seu primeiro romance, encontramos um livro divertido desde a primeira página e uma escrita marcante, como também aconteceu em Dias Contados - vol. II e Moedas para o Barqueiro - vol. II, antologias da qual participou. Marcel Colombo é um dos grandes destaques da literatura brasileira em 2012 e guiados pelo Sr. Fofinho, estamos De Olho Nele:
Over Shock - Marcel Colombo, obrigado por ceder essa entrevista que tem o objetivo de mostrar aos nossos leitores um pouco mais sobre o seu trabalho literário. Conte um pouco sobre quem é o escritor e publicitário Marcel Colombo, que lançou recentemente o livro Al-Aisha e os Esquecidos:
Marcel Colombo - Eu que fico super feliz pelo convite.
No momento me acho mais escritor do que publicitário.
Sou um cara legal, o genro que toda mãe pediu a Deus. Apelidado carinhosamente pelos amigos de Gardenal. Sou viciado em filmes e de preferências os mais pesados e fortes, daqueles que a sua avó teria um ataque do coração na mesma hora.
Curto conversas de bar. Bater um belo papo. Comer e beber. Ficar horas jogando conversa fora e as únicas coisa sobre as quais eu não falo, são sobre carro e futebol...NÃO ENTENDO NADA.
Estou pra me casar ano que vem  e nesse ano me formo na pós.
E adoro falar palavrão. Então me desculpa se eu falar qualquer merda!

Over Shock - Sua primeira publicação aconteceu aos 13 anos com o livro O Caso Freeney. Até que ponto essa publicação “precoce” ajudou ou atrapalhou sua carreira literária?
Marcel - Me ajudou vendo o que eu não devia fazer em um livro...rs

Over Shock - Ainda antes de publicar Al-Aisha e os Esquecidos, você participou das antologias Moedas para o Barqueiro – Vol. II e Dias Contados – Vol. II, ambas da Andross Editora. Como foi essa experiência?
Marcel - Descobri coisas novas em mim.
Meu lado fofo com as letras e o meu lado gardenal de escrever.
Em Moedas para o Barqueiro, escrevi algo tão fofo e meigo (mesmo que tenha a morte como assunto principal) que eu comecei achar que estava vendo muita novela mexicana.
E em Dias Contados, foi a falta de gardenal, só pode. Escrevi um conto inteiro, usando as letras das musicas de Raul Seixas, focando no fim do mundo. Eu pirei quando terminei.

Over Shock - Em uma recente entrevista você revelou que a intenção, ao iniciar a escrita de Al-Aisha e os Esquecidos, era construir uma história de terror, mas sabemos que na verdade é pura fantasia. O que foi preciso fazer para que o livro deixasse de ser uma obra de terror e se transformasse no que foi publicado?
Marcel - Essa pergunta é complicada!
Nem eu sei ao certo quando o livro deixou de ser de terror. Fluiu tão gostoso que eu nem notei a modificação. No começo fiquei meio preocupado comigo, achei que estava escrevendo enquanto dormia, não sei ao certo. Foi tudo muito engraçado e fantástico.

“O raio de luz verde caiu finalmente no solo. Nada se escutou, nem o barulho de seu impacto. Uma agulha caindo na sala ao lado seria mais barulhenta. Do silêncio se formou uma imensa bola que crescia rapidamente. Quando atingiu seu tamanho máximo, maior que a edificação mais alta que você já viu, estourou, jogando para fora uma forte luz verde no céu, expulsando todo o negrume da noite para longe”. – pág. 149 (Al-Aisha e os Esquecidos)

Over Shock - Você encontrou algum tipo de dificuldade para a publicação do seu mais recente trabalho?
Marcel - As dificuldades foram achar uma editora legal, não cair em tentação para mandar para 500 editoras e aguentar a ansiedade na espera da resposta de aprovação.

Over Shock - O livro foi lançado oficialmente poucas semanas antes da Bienal do Livro de São Paulo e você esteve presente divulgando sua obra. O que de mais importante para sua carreira aconteceu nesse evento?
Marcel - Amizades. O número de pessoas maravilhosas que eu conheci valeu o esforço, que eu acabei nem me importante se vendi 10 ou 1.000 exemplares. É o tipo de coisa que me seguirá e irá segui-los também por um longo tempo. Ambos cresceremos juntos nessa jornada.

Over Shock - Al-Aisha e os Esquecidos possui pelo menos dois personagens complexos e marcantes: Sr. Fofinho e Pedrinho. Qual foi a inspiração para a criação desses personagens e por que você optou por um “coelho”?
Marcel - O Sr. Fofinho me inspirei em todos os tipos de mestres e mentores que eu conheço, só que ao contrario...rs. Não queria um sábio de barba longa, nem que adorasse seus pupilos. Imaginei aquele cara que já está de saco cheio de seus alunos e quer mais que eles entrem em coma.
O Pedrinho é aquele amigo gordo e desajeitado que a maioria de nós já teve. Aquele estranho, mas com o coração maior que a barriga.
Tem coisa mais fofa e meiga que um coelho de pelúcia? Tem um brinquedo mais característico que esse, para representar a infância? Tem até o Coelho da Pascoa.
Só que o Sr. Fofinho não suporta nada disso e provavelmente enfiaria o ovo de chocolate de pascoa no...OUVIDO...do coelho da pascoa.

Over Shock - Outro personagem marcante de seu livro é Al-Aisha, que narra toda a história de uma forma diferente e ao mesmo tempo empolgante. Você acha que, no caso do seu livro, ter sido escrito em 1ª pessoa ajudou para as críticas positivas que ele tem recebido?
Marcel - O mais legal (não é só a forma como ela conta os fatos, fazendo perguntas e mostrando o que ela acha daquilo que aconteceu) é que em momento algum ela aparece no livro, mas parece que ela está sempre ao seu lado, como uma grande amiga contando uma historia. E o mais legal, é saber que ela conhece todos os nossos segredos e sabe tudo o que fazemos.
Al-Aisha é aquela amiga verdadeira, em quem você poderia confiar o seu diário.

“Só que eles se esqueceram de mencionar uma coisa em suas profecias, um simples detalhe: que aqueles que sobrevivessem ao fim do mundo esqueceriam tudo no dia seguinte”. - pág. 19 (Dias Contados – Vol. II).

Over Shock - Por falar em críticas, como o público tem visto esse mundo criado por Marcel Colombo?
Marcel - Para minha felicidade, os leitores estão amando. Estão adorando a forma como foi criado essa forma diferente de se contar uma historia e cada um tem o seu personagem preferido.

Over Shock - Na onda dos filmes fantásticos, Al-Aisha poderia ser um grande sucesso, principalmente por ter uma história bem construída do início ao fim. Para você, quais músicas não poderiam ficar de fora da trilha sonora de uma possível adaptação dessa obra?
Marcel - Cacetada!!!
Essa pegou.
Eu escuto uma porrada de música quando estou escrevendo, mas tem algumas que encaixam perfeitamente no livro, mesmo que o estilo não faça muito sentido.
Não pode faltar “Mago de Oz”, “Tuatha de Dannan”, ”Epica”, “Nightwish”
Mas a que realmente não pode faltar e é a cara do Sr. Fofinho é a “balada de super alto astral” “Matanza – A menor paciência”.

Over Shock - O que seus leitores podem esperar da continuação de Al-Aisha e os Esquecidos?
Marcel - Pode esperar dois novos inicios e um grande final.
Não vou falar minhas ideias não meu filho, nem a minha noiva sabe de tudo..rs

Over Shock - Além desse trabalho, você tem algum novo projeto em mente e que pode nos adiantar?
Marcel - Depois que acabar com os 4 livros da Al-Aisha, eu vou ter que dar uma olhada na minha gaveta e tirar algumas ideias que estavam guardadas. Mas tem duas que eu gostaria de terminar.
Um seria um suspense de detetive, voltado para o público mais velho. A ideia é meio doentia, com toques profundos de psicologia.
E o outro seria de terror, baseado em um conto meu, que ainda será publicado.

“- Natalinha, Nataliona, Natalioca, você fica bem se eu te der uma beijoca? – disse Pedro em meio a uma risada escandalosa. – Muito boa essa, não? Acabei de inventar”. – pág. 214 (Al-Aisha e os Esquecidos).

Over Shock - “Estaria pronto para descobrir o que existe dentro da destruição e da fumaça que se forma, indo muito além da imaginação de seu mundo?”
Marcel - Tão pronto quanto estaria para um apocalipse zumbi.
Pronto. Prontíssimo.

Over Shock - E quais dicas você deixa aos novos talentos que desejam entrar no competitivo mercado editorial brasileiro?
Marcel - Cativem seus leitores. Seja amigos deles e seja você mesmo. O Resto é consequência.

Over Shock - Jogo Rápido:
O Caso Freeney: Leitura de banheiro
Dias Contados – vol. II: Doidera musical sem usar gardenal
Moedas para o Barqueiro – vol. II: Meu lado fofo
Al-Aisha e os Esquecidos: Um par de asas para os leitores
Romance ou conto: Romance
O melhor personagem...uma mistura entre Drinho e Sr. Fofinho
O atual mercado editorial brasileiro... repleto de bons autores
O elenco dos sonhos... ninguém famoso, mas com muito talento
Além de escritor, Marcel Colombo é... Marcelo para muitos e Gardenal para alguns.
Novo Século: Escolha Certa
Sr. Fofinho: O cara
Al-Aisha: Amiga
Blog Literário: Um tal aí...qual o nome mesmo? Over não sei das quantas.

Over Shock - Obrigado por acreditar no trabalho do blog Over Shock e por ter dado a chance não só de ler, como também de conhecer um pouco mais sobre você. Para encerrar, Marcel, deixe uma mensagem aos seus leitores que acompanharam essa entrevista até aqui:
Marcel - Eu que agradeço!
Foi um prazer ser entrevistado por você, mas agora vamos com o meu lado conselheiro:
Ajam sempre pelo lado criativo e com imaginação e deixem de lado a memória.
Memórias seguem regras. A imaginação CRIA.
Sejam criadores, não importa onde e nem com o que. Seja em casa, no trabalho, até mesmo na prova de matemática, sigam seus instintos criativos, que as coisas melhoram.
E usem filtro solar!!!

“Dias, semanas e meses se passaram. João saiu pela cidade, divulgando a palavra, falando sobre a voz, mostrando figuras das igreja que eram parecidas com a de sua camiseta, e recrutava cada vez mais discípulos”. – pág. 23 (Dias Contados – Vol. II).