A Décima Segunda Profecia – A Hora da Decisão, James Redfield, tradução de Ivan Panazzolo Júnior, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2012, 288 páginas.

Autor de uma série que já vendeu mais de 25 milhões de livros, James Redfield nasceu em 1950 e costuma revelar em suas obras profecias espirituais e que acabam, de alguma forma, ajudando os leitores, já que por mais que sejam ficções, passam ensinamentos reais.
No trabalho mais recente de Redfield, A Décima Segunda Profecia – A Hora da Decisão, o autor faz uma relação com o calendário maia, que segundo os estudiosos chegará ao fim no dia 21 de dezembro de 2012 e por isso é considerado como um sinal do temido apocalipse. Sendo assim, quando dois amigos recebem um antigo manuscrito com descrições importantes em relação a espiritualidade e a segunda década do século 21, eles partem em uma aventura tentando entender a verdade por trás desse documento. Uma verdade capaz de mudar a vida de todos, por isso, pessoas do mundo inteiro estão interessadas e precisam agir com sincronia.

“Sempre que você está esperando que algo aconteça e sente vontade de apressar as coisas, parece que leva uma eternidade até que seu desejo se realize. O tempo realmente parece passar mais devagar” (pág. 31).

A leitura de A Décima Segunda Profecia mostrou algo totalmente diferente do que realmente esperava no primeiro momento, como também revelou um autor com uma forma única de unir aventura, espiritualidade e filosofia em uma obra de ficção. Dizer que o livro surpreendeu positivamente seria exagero, mas também é impossível dizer o contrário e classificá-lo como um livro ruim. Talvez mediano seja o termo ideal.
A relação do livro com a profecia maia foi o que mais chamou a atenção e por isso já imaginava que encontraria muitas explicações sobre o assunto, o que era de fato o interesse. Sendo assim, esperava também encontrar termos técnicos e conceitos históricos, unindo com a aventura prometida desde o início. O que não imaginei em nenhum momento, apesar de estar claro na sinopse, era que o autor se focaria mesmo na parte espiritual. Como qualquer outro livro que faz o leitor refletir, A Décima Segunda Profecia não deve ser lido em um dia qualquer e sim no momento ideal, para que tudo o que está exposto seja aproveitado.
Como dá para imaginar devido ao título, o manuscrito recebido pelo narrador e seu amigo Will mostram doze estágios que se deve “percorrer” para atingir a harmonia, ou seja, encontrar o significado e assim transformar o mundo. A cada nova Integração, como são chamados esses estágios, o autor nos explica seu verdadeiro significado e o que é preciso fazer para avançar. São nessas partes que, apesar de bem escrito, a leitura se torna cansativa – caso não esteja preparado para absorver a quantidade de informações – e querendo ou não, uma segunda e às vezes terceira leitura são necessárias. Não por ser de difícil interpretação. Ela apenas requer mais atenção.
Os pontos altos em A Décima Segunda Profecia são as aventuras, ainda que em uma pequena quantidade, e a relação com o terrorismo e as disputas religiosas. O foco não é esse, porém o autor dá uma atenção tão especial que fica impossível não passar a se interagir com a história e perceber que, apesar de ficção, tudo tem um sentido; tudo pode, ou às vezes é real; tudo deve ser interpretado para ser usado da melhor forma possível.

“A verdade do calendário é simples - prosseguiu Tommy. - Não tem nada a ver com o fim do mundo. O calendário demonstra uma linha do tempo que serve para todo o Cosmo, e é o propósito verdadeiro da história humana” (pág. 190).

Mesmo com uma grande quantidade de personagens, apenas três conseguiram agradar de alguma forma: Tommy, Will e Raquel. O jovem Tommy por sua relação com a teoria maia, que como já citado, foi o que impulsionou a leitura; Will por sua inteligência indescritível e indiscutível; e Raquel, com sua personalidade capaz de desviar a atenção até mesmo do narrador. Narrador esse, que mesmo expondo todos os fatos e sua própria visão sobre a história, não chama atenção e acaba sendo totalmente irrelevante.
Por mais que seja ficção e assim o autor tem a liberdade de criar a história da forma que bem entender, ficou meio forçado e sem nexo a ideia de diversas pessoas se juntarem para tentar salvar o mundo. Não que isso não seja bom, mas o manuscrito sugere que um alto número de pessoas se sincronize para seguir as doze integrações. Isso é um tanto quanto fantasioso se for pensar em toda a realidade que Redfield tenta passar em sua obra.
Sendo assim, A Décima Segunda Profecia é um livro mais para reflexão do que para entretenimento e estudo sobre profecias, por exemplo. Acabou sendo bem diferente do que esperava, mas também mostrou uma forma de se relacionar com a espiritualidade. Um livro que pode funcionar para muitos, porém, com o perdão do clichê, ninguém deve ir com muita sede ao pote.

“É por isso que, quando um ente querido morre, as pessoas frequentemente dizem que têm a sensação de que uma parte de si morreu também. Eles estão sofrendo pela perda daquela constante emocional que não está mais ali” (pág. 228).