Piratas Pirados! (The Pirates! Band of Misfits)


Resenha: Piratas. Um grupo de pessoas de características próprias e que na ficção gera, na maioria das vezes, histórias engraçadas, apesar de às vezes recheadas de clichês. Antes mesmo de assistir a animação Piratas Pirados! sabemos parte do que iremos encontrar, nem por isso a expectativa foi menor.
A história se passa em meados do século XIX, no início do reinado da Rainha Vitória (Imelda Staunton), uma mulher de grande importância para a história do Reino Unido. Desde a primeira cena, Rainha Vitória assume o ódio que tem por piratas, o que mais tarde terá um grande significado para o desfecho dessa divertida animação.
Longe de Londres, o atrapalhado Capitão Pirata (Hugh Grant) tenta há muito tempo se tornar o melhor pirata dos sete mares, mas a última coisa que tem é sorte. Com a proximidade do prêmio Piratas do Ano, ele vê a chance de mostrar para todos, principalmente para os rivais Black Bellamy (Jeremy Piven) e Cutlass Liz (Salma Hayek), que ele pode se destacar no mundo pirata. Com toda a sua tripulação, ele navega em alto mar, invade o barco do cientista Charles Darwin (David Tennant) e graças a ele descobre que seu pássaro – não, não é um papagaio – é o famoso Dodô, um animal extinto e que pode render uma grande premiação científica. Juntos vão para Londres, onde o capitão apresentará Dodô na esperança de que isso o transforme em um pirata respeitado.
Baseado em dois livros escritos pelo britânico Gideon Defoe, Piratas Pirados! é o sexto longa-metragem produzido pelo estúdio Sony Pictures Animation, que entre outros sucessos produziu A Casa Monstro (Resenha) e Os Smufrs (Resenha). Na primeira animação lançada em 2011 – a segunda estreia no próximo dia 5 -, o estúdio uniu a tecnologia 3D com as famosas "massas de modelar", que conquistou sucesso em anos anteriores. Essa união só foi possível por um alto investimento e felizmente nessa parte nem existe o que reclamar. Quando bem usado, o stop motion sempre terá um destaque especial em relação ao que tem por trás de toda a produção.
Quando a história de uma pirata ganha vida, a primeira coisa que esperamos é encontrar um personagem durão capaz de intimidar a todos com um simples olhar e que tem como objetivo enriquecer saqueando navios e cidades litorâneas. A animação Piratas Pirados! até tem elementos comuns nesse mundo, mas o protagonista está longe de ser um pirata comum, vale lembrar, por exemplo, que ele não carrega um papagaio falante em seu ombro e isso que criou todo o desenvolvimento da história.
Justamente por não se focar apenas no que estamos acostumados, é que essa animação não pode ser considerada apenas mais uma, exceto por um futuro detalhe. Outro fator interessante é ter colocado na história duas figuras importantes: Charles Darwin, que dispensa apresentações, e Rainha Vitória, que foi fundamental para uma mudança na sociedade britânica. Os dois personagens são singulares e querendo ou não são eles que podem fazer de Piratas Pirados! um filme para também ensinar, já que como nunca deixará de ser, os mais jovens são o público alvo. A mensagem de amizade, ou até mesmo da importância de evitar a extinção de uma espécie, pode não estar explícito, mas está lá e com certeza alguma criança vai percebê-la e fazer uso desses importantes ensinamentos.
Nesse momento que voltamos para a história e encontramos o único “erro”. Claro que é importante ter um visual diferente e uma ou outra mensagem para ensinar o público, porém o essencial é que a história tenha algo que deixe o interesse vivo durante o filme todo. Existem muitas cenas engraçadas, como toda história de pirata, e uma rivalidade saudável, mas a verdadeira essência é ofuscada, se é que ela existe. Tem muita coisa boa, o que não é o caso de um bando de piratas que em busca de um prêmio importante, cai de paraquedas em um evento científico. Radical ou não, é tudo muito simples: piratas devem ficar exclusivamente no mar e Charles Darwin estudando e salvando espécies como Dodô. De qualquer forma, esse casamento foi quase perfeito.