Ameaça Mortal, James Patterson, tradução de Luciano Vieira Machado, 1ª edição, São Paulo-SP: Arqueiro, 2012, 192 páginas

James Patterson4 de Julho (Resenha) - é um dos autores mais surpreendentes da atual literatura mundial. Seja pela quantidade de livros lançados anualmente ou por sua escrita viciante, o autor americano natural de Newburgh é um gênio e em Ameaça Mortal, 18º livro da série Alex Cross, a comprovação se repete.
Ainda nas primeiras páginas, Ethan e Zoe Coyle, filhos do presidente dos Estados Unidos, são sequestrados mesmo estando em um importante colégio e contarem com a proteção do Serviço Secreto durante o dia todo. Pouco tempo depois do crime, o respeitado detetive Alex Cross chega ao colégio e passa a participar da investigação, se envolvendo ativamente com o caso.
Dias mais tarde, ainda sem qualquer notícia dos filhos do presidente, o sistema de abastecimento de água da cidade é contaminado e tudo leva a crer que os dois crimes possuem uma grande relação. Outros crimes semelhantes são cometidos. O possível atentado terrorista e o sequestro das duas crianças podem ser uma ameaça não apenas para Alex Cross, como também para todo o país, por isso ele se sente obrigado a solucionar esse problema rapidamente.

““Um dos detetives resolveu um importante caso de sequestro há alguns anos. Se sou cuidadoso como acho que sou, preciso reconhecer que ele é uma ameaça para tudo o que fiz e pretendo fazer. Estou certo disso. Ele é diferente dos outros da mesma forma como sou diferente de meus colegas. Já sei o que devo fazer, mas tenho dúvida se vai ser fácil. Será que consigo matar Alex Cross? É o que preciso fazer?”” (pág. 72).

Assim como todos os livros do autor lidos até então, Ameaça Mortal segue a mesma estrutura de se contar uma história e é dividido em cinco partes, sempre com capítulos curtos que deixam a leitura rápida e viciante, como já citado. Esse tipo de detalhe é totalmente dispensável, afinal, é o estilo de escrita que fez James Patterson se tornar um verdadeiro mestre da literatura.
Se compararmos Ameaça Mortal com O Dia da Caça (Resenha) fica claro a diferença entre as duas e que nem todos os leitores irão gostar de ambas as obras. Apesar de protagonizados pelo mesmo personagem, em O Dia da Caça o detetive Cross se envolve em uma verdadeira caça, como sugere o título, e enfrenta perigos que podem levá-lo a morte a qualquer momento, além de que cenas pesadas – escritas para quem tem estômago forte - são descritas com maestria. Já em Ameaça Mortal, a investigação é muito mais intensa do que a aventura, ainda que a vida de Alex Cross não esteja totalmente fora de perigo. São duas obras diferentes, que podem ou não agradar todos que gostam de uma boa investigação e de aventura.
Vale lembrar também que neste caso são as crianças mais importantes dos Estados Unidos que o detetive precisa encontrar, de preferência com vida, e querendo ou não essa responsabilidade acaba sendo muito maior do que o detetive está acostumado a lidar. O envolvimento de Alex Cross também é diferente, mesmo que no 14º livro da série uma ex-namorada do detetive estava entre as vítimas do criminoso que ele estava a procura – o que não é spoiler.
Alex Cross é um dos personagens mais bem elaborados da literatura policial e fica claro, mais uma vez, a preocupação de James Patterson em fazer um personagem real e não apenas um herói. Na sua mais recente aventura, Cross se envolve diretamente com o caso, afinal, também é pai e sabe o que o presidente Coyle está passando com o sequestro de seus filhos. Além disso, ele se depara com um pequeno problema em sua própria casa e precisa dividir sua atenção sem perder o foco de sua investigação, que sempre tem algo diferente, e também sem descontar seu estresse em pessoas de sua família. Por esses e outros motivos que Alex Cross é um personagem fantástico e sempre com algo novo.
Ameaça Mortal também passa uma imagem de veracidade, ainda que tudo seja ficção. Isso acontece porque, além da Casa Branca e seus membros, o autor ainda envolve o Oriente Médio e organizações fictícias que, a exemplo do que acontece na realidade, possuem um único objetivo contra a maior potência mundial. A história ganha um rumo novo com o envolvimento dessa organização e de todos os seus membros.
Não importa o livro, os casos ou os personagens, o autor sempre surpreende. Ameaça Mortal é mais uma obra para ser lida em poucas horas e acaba sendo impossível para o leitor não ficar preso à história da primeira a última palavra. Como ainda é impossível definir o melhor livro desse gênio chamado James Patterson.

“A vida é feita de reviravoltas estranhas. Num segundo você está tentando evitar que uma pessoa o mate. Já no segundo seguinte você faz de tudo para salvar a vida dela” (pág. 184).