Romeu Imortal, Stacey Jay, tradução de Marsely De Marco Martins Dantas, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2012, 320 páginas

Apesar de se envolver com diversos tipos de artes, como o teatro e a dança, foi na literatura que a autora norte-americana Stacey Jay conquistou os jovens com seus diversos livros destinados a este público. No Brasil, a autora teve dois livros publicados: Julieta Imortal (Resenha) e mais recentemente a continuação, Romeu Imortal.
Nesse segundo livro acompanhamos Romeu, que após séculos e séculos envolvido com os Mercenários, recebe uma segunda chance, para se redimir de todos os seus erros e crimes, ao entrar no corpo de Dylan. Com esse objetivo, ele é enviado para salvar Ariel Dragland, uma jovem garota com diversos problemas e que é importante tanto para os Mercenários, como para os Embaixadores. O envolvimento entre Romeu e Ariel pode ir muito além do que ele esperava. Romeu só não pode deixar escapar a chance de se redimir e ele só tem três dias para isso.

“Minha língua penetra em seus lábios e sinto o molho picante e algo encorpado e doce, que é o sabor de Ariel, e então vou além do paladar, do olfato e até mesmo do toque. Ela envolve os braços em meu pescoço, me abraçando com força, e juro sentir minha alma roçar na dela. Extrapolo todos os limites do corpo de Dylan até me transformar nas ondas que quebram no mar, no sol que brilha nos cabelos de Ariel, no vento que sopra em nossa pele. Sou tudo e nada, e existo apenas porque sinto seu coração contra o meu” (pág. 111).

A exemplo de Julieta Imortal, dessa vez a autora também conta a história através de vários pontos de vistas, sendo que no caso eles são apresentados por Romeu, Ariel e Julieta. A grande sacada de Stacey Jay foi narrar com as características próprias de cada personagem, ou seja, quando Romeu é o narrador encontramos uma escrita dramática e muitas vezes de um apaixonado buscando o perdão; Ariel passa a imagem de uma adolescente sofrida; enquanto Julieta, apesar de sua narrativa não ter uma característica específica, apresenta diversas dúvidas e também explicações.
Uma das características que mais encantaram na história anterior foi a forma como a autora escreve partes sobrenaturais e românticas com grande maestria, tornando a leitura rápida e totalmente agradável. Isso novamente acontece, mas com um grande diferencial: o amor intenso declarado por Romeu em cada parte de sua narrativa. Arrisco dizer que esse amor intenso vai conquistar muitas garotas, apesar de que alguns momentos isso pode se tornar cansativo.
O grande problema nem é esse. O pior de tudo acaba sendo a personalidade de Ariel. Como qualquer outra adolescente, ela tem algumas atitudes que acabam se tornando irritantes e talvez até exageradas, porém nenhuma se compara ao fato de acreditar e desacreditar em tudo o que é contado a ela com muita facilidade – até a mudança de personalidade de Dylan ela aceita sem relutar. Acho que em uma situação como essa o mais natural seria insistir de que tudo não passa de uma bobagem, o que ela não faz em duas oportunidades. Não é a personagem de livro jovem mais irritante, porém com momentos que se aproximam disso.

“Não. Não é minha. Eu sou dela. Pertenço a ela, à garota que sonhou comigo, que deu vida ao meu rosto perdido no passado. Ela me salvou, me transformou num homem bom pela primeira vez. E, agora, vou salvá-la. Sei o que tenho de fazer. A resposta sempre esteve à minha frente, esperando que o amor a trouxesse para a luz” (pág. 206).

Considerada por alguns como a capa mais bonita do ano, essa opinião pode ser facilmente mudada com o exemplar em mãos. Isso porque é possível perceber algumas manchas e até mesmo certas partes pixelizadas da imagem, algo que não acontecia com a capa anterior, que tinha uma imagem de qualidade muito superior. A ideia foi incrível, porém o cuidado com a foto não chegou a tanto, o que pode decepcionar os aficionados em capas. Até mesmo a tradução do título - que no original é Romeo Redeemed - deixou a desejar, principalmente depois da leitura de Romeu Imortal.
Nessa mesma capa encontramos a frase: “Nunca é tarde para encontrar a redenção através do verdadeiro amor”. Acredite: essa frase resume muito bem o que o leitor vai se deparar com a leitura de Romeu Imortal. Quando tudo se encaminha para um final até certo ponto desagradável, a autora surpreende com uma volta para o passado e com o desenvolvimento de uma trama parcialmente inimaginável, mas totalmente esperada - no sentido de ser o melhor final possível, ainda que clichê. Um final com muita tensão e revelações. Mais uma vez compreendemos que a maior história de amor de todos os tempos é de fato uma farsa.
Os dois livros devem ser lidos pelos fãs de William Shakespeare com certo receio, mas ambos deixam o leitor com um misto de emoção, que pode ser amor ou ódio pelos personagens. Romeu Imortal acaba sendo melhor do que o anterior, porém a autora é especialista em livros destinados a um público mais jovem, que pode aproveitar mais a leitura. Ainda assim, Stacey Jay novamente mostra sua capacidade de agradar e encantar a todos com a história de Romeu e Julieta diferente do que estamos acostumados. Uma autora que pode não escrever o gênero favorito, mas que sempre terá um leitor esperando por suas histórias.

“Há somente uma coisa sólida o suficiente para me manter firme, e essa coisa é ela. Eu a amo. Ela é minha cara metade, minha segunda chance, a única coisa no mundo que pode me ensinar a ser mais do que um monstro. Sua fraqueza me mostrou a força que tenho, sua fé me fez acreditar, seu amor me tornou um todo” (pág. 286).