Natural de Araraquara, no interior de São Paulo, a jovem autora Andressa Andrião é estudante de Engenharia da Computação e tem como principais hobbys a arte da escrita, do desenho e da música. Sua estreia no mercado editorial com Memórias da Lua Cheia pode não ter elementos originais, mas consegue prender o leitor do início ao fim.
A história começa em uma floresta durante uma noite de lua cheia, quando uma jovem desperta sem saber onde está ou ao menos sua própria identidade. Estava completamente sem memória e a única informação sobre o seu passado era a encontrada em um pequeno bilhete que dizia que seu nome era Alissa. Antes que virasse comida de lobo, Alissa é encontrada por um homem que no primeiro momento parece querer matá-la, mas logo decide salvá-la e cuidar até que alguém apareça para resgatá-la.
O homem que ajuda Alissa é Seth, um rapaz totalmente misterioso. Aos cuidados de Seth e sua vizinha Lidi, Alissa não demora a perceber que não só ela está cercada de mistérios, como o próprio mundo em que vive e apesar disso não deixa de se envolver em um romance. Ela ainda despertará interesse em Scorpio, outro misterioso, porém também desejado, morador da cidade, e tudo isso pode beneficiar ou não o seu futuro – e quem sabe ter uma relação com o passado.

“Não conseguia entender qual era aquele efeito tão anormal que ele tinha sobre mim, como se existisse uma magia que nos ligava, enfeitiçando meus olhos para projetarem-se nele daquela maneira tão magnífica. Como se houvesse uma parte dele próprio dentro de mim fazendo com que eu quisesse correr para ele” (pág. 152).

Os pequenos erros de revisão não tiram o brilhantismo de Memórias da Lua Cheia e da escrita de Andressa Andrião, que sabe o momento certo de escrever de forma coloquial ou formal, principalmente quando se trata de diálogos, e de usar e abusar das descrições, que apesar de em excesso, não comprometem o andamento da leitura. Apenas deixa a história mais rica.
Ainda assim, a escrita impecável da autora não é suficiente para que o início do livro deixe de ser monótono, isso porque o uso de algumas palavras de duplo sentido criam todo um suspense e um mistério que demora a ser revelado. Sabemos, desde antes de iniciar a leitura, que o livro é cercado de magia. Mas que magia é essa e que relação isso tem com Alissa? Essa pergunta demora a ser respondida e talvez por isso exista o desejo de que a história tivesse sido mais rápida, sem uma enrolação natural.
Quando todo esse mistério é enfim revelado, percebemos que a autora usa elementos e seres não tão originais, ao mesmo tempo em que o ritmo de leitura acelera consideravelmente. Passamos a querer entender o segredo por trás de cada uma das personagens, principalmente de Alissa, Seth, Lidi e Scorpio, e são esses segredos – familiares e pessoais ou não – que fazem total diferença. O que poderia se tornar mais do mesmo, ganha uma nova cara e Memórias da Lua Cheia se mostra uma história riquíssima. Inclusive com o uso de elementos reais, como ao citar Maurice Ravel e Chopin, por exemplo.

“Era único o modo como ele sorria, o modo como seus olhos brilhavam e como a luz era refletida em seus cabelos castanhos. Todo o conjunto de seu rosto e aquela camisa manchada de tinta o definiam como aquele Seth único. Alguém que era tão fascinante e importante em minha vida...” (pág. 230).

O possível triângulo amoroso entre a protagonista, Seth e Scorpio, que a princípio é exagerado e totalmente desnecessário, ganha um sentido claro e não podemos mais culpar a autora pelo surgimento desse triângulo. O máximo que pode acontecer é uma revolta pelo passado criado pela mesma, ainda que isso também seja difícil de acontecer por inúmeros motivos. É possível dizer que Andressa acertou mais do que errou na construção desse passado.
Com a quantidade de personagens, a opinião se difere em relação a cada um deles. Alguns agradam/desagradam por suas características, outros por suas atitudes e apesar da maioria ser bem estruturado, Lidi é a melhor por conseguir ser irônica e misteriosa, ao mesmo tempo em que é engraçada – mesmo com suas atitudes futuras. São atitudes e pensamentos de Alissa que impedem que ela se torne a mais interessante, o que não significa que encontramos uma personagem boba, tão comum em livros do mesmo gênero.
Por ser o primeiro livro de uma série, tudo não passa de introdução, muita coisa não é revelada e o final pega o leitor de surpresa. Após um livro com romance, aventuras e segredos, é preciso esperar pelo lançamento do segundo volume para continuar acompanhando as revelações na vida de Alissa. Um segundo volume aguardado, porque mesmo com os pequenos detalhes e com a presença de elementos nada originais, a escrita e o desenvolvimento da história de Memórias da Lua Cheia vale muito a pena. Se não é um livro perfeito, para se tornar seu favorito, chega próximo a isso aos amantes do gênero e mostra que Andressa tem talento com as palavras - sem contar, é claro, que a capa é ainda mais bela do que pela imagem na internet.

““Essa não... Eu não queria que ele...” pensei. Eu realmente não queria que ele percebesse... Eu ainda tinha muito medo de uma rejeição. Eu não poderia viver se ele me tratasse diferente, se ele tivesse medo de alimentar meus sentimentos, e achasse que deveria ser diferente para que eu o esquecesse” (pág. 291).