Reis e Ratos

Resenha: Às vezes fica difícil entender o que leva o cinema brasileiro classificar grande parte de seus filmes como uma comédia, porém é ainda mais difícil entender como o humor do nosso cinema é tão semelhante ao de programas televisivos noturnos dos finais de semana.
Do mesmo diretor de Meu Nome Não é Johnny, Reis e Ratos tem uma história até certo ponto inovadora, já que coloca o Brasil no meio dos conflitos que marcaram a Guerra Fria. Tudo começa quando o locutor de rádio Hervé (Cauã Reymond) salva uma cantora (Rafaella Mandelli) de um atentado que acontece em um coreto de uma pequena cidade.
O que ninguém imagina até então é que todo o mistério e a mediunidade por trás de Hervé podem atrapalhar os planos do agente da CIA Troy Sommerset (Selton Mello), do militar brasileiro Major Esdras (Otávio Muller) e do bandido Ronny Rato (Rodrigo Santoro). O principal plano do trio é desestabilizar o Brasil às vésperas do Golpe Militar de 64.
O diretor Mauro Lima não teve medo ao usar técnicas que deixassem a produção um pouco mais antiga, como algumas cenas em preto e branco, já usada pela indústria cinematográfica brasileira em Heleno (Resenha). A mistura de ficção e realidade também está presente de uma forma convincente, mas nada que dê um resultado totalmente positivo ao filme.
Reis e Ratos tem a sorte de contar com um elenco indiscutível. Respeitados e admirados por muitos, Selton MelloO Palhaço (Resenha) e Billi Pig (Resenha) – e Cauã Reymond são grandes destaques, apesar de que a mudança de voz de seus personagens tenha sido desnecessária, até mesmo no caso do personagem de Selton Mello, que interpreta um gringo que fala o português daquele jeito carregado que estamos acostumados – a partir de um momento isso se torna irritante. Rodrigo Santoro também convence em sua interpretação de um bandido barra-pesada, ou quase isso, e ainda Seu Jorge e Rafaella Mandelli se destacam por suas respectivas atuações.
Mas como citado no início, nem mesmo a grandeza do elenco muda o fato de encontrarmos um humor péssimo em Reis e Ratos, um filme que não precisava ser classificado como uma comédia, já que isso não é em nenhum momento. Alguns personagens até tentam fazer piada ou tirar ao menos um sorriso de quem os assiste, porém isso é praticamente impossível. A não ser que o telespectador esteja acostumado com programas de humor do mesmo nível.
Com uma produção de tirar o chapéu, Reis e Ratos tem o problema do humor e de alguns pontos que não convenceram, seja por algum tipo de confusão ou apenas de situações desnecessárias. A ideia da história não é ruim, porém o desenvolvimento poderia ser melhor. Não deixa de ser interessante acompanhar essa armação contra o Brasil, porém ainda melhor é a canção de Caetano Veloso que dá título ao filme.