Valente (Brave)

Resenha: Com treze produções ao longo dos últimos dezessete anos, a Pixar Animation Studios tem conquistado cada vez mais fãs, sendo que não apenas o público infantil se rende a grandiosidade de suas animações. Em Valente, aposta do estúdio para 2012, a Pixar nos apresenta a sua primeira protagonista feminina e ainda foge do que estamos acostumados a encontrar em um conto de fadas.
Escócia Medieval - Por mais que a mãe da jovem princesa Merida (Kelly MacDonald) insistisse em criá-la para que fosse a princesa ideal, ela nunca gostou de seguir a etiqueta imposta pelos antepassados do reino. Para ela, o que realmente importava era ter seu arco e flecha na mão e se aventurar assim como seu pai, que possui muitas histórias para contar.
A rainha não só recusa o espírito aventureiro da filha, como também organiza uma competição para escolher o futuro marido de Merida – porém nenhum pretendente é um verdadeiro príncipe encantado. Por ser contra a imposição da mãe, ela resolve caminhar pelo reino e se encontra com uma bruxa, a quem pede ajuda. O problema é que o feitiço usado pela bruxa acaba surtindo um efeito contrário ao esperado e Merida precisa correr contra o tempo para recuperar a mãe e evitar que uma grande guerra aconteça entre povos que até então eram aliados.
Uma das características básicas dos filmes da Pixar é a estrutura de se contar uma história, mas essa estrutura é deixada parcialmente de lado em Valente, onde o problema enfrentado pelo protagonista deixa de ser pessoal e se torna de todo um grupo de pessoas – no caso a família e o reino. As semelhanças com os demais filmes ficam por conta apenas do modo como Merida precisa agir. Só com isso a princesa já se destaca no meio de tantos adoráveis personagens do universo Pixar.
Mas as mudanças não ocorreram apenas no gênero do personagem principal ou da forma como o mesmo resolve seus problemas. Dessa vez os produtores foram além e inovaram no conto de fadas e na estrutura familiar, por exemplo. Mesmo sendo um filme destinado ao público infantil, não se importaram ao criar uma família que tem sim seus conflitos e divergências; mesmo Merida sendo uma princesa, não fizeram dela a princesa que conhecemos desde os grandes clássicos da Disney, com bondade, belos cabelos negros ou loiros, e totalmente indefesa.
Nossa simpática e guerreira princesa não tem nada de indefesa. Prova disso é que ela se aventura e ainda leva sua “mãe” junto – lógico que por obrigação, mas pouco importa -, mostrando que as próprias mulheres podem ir em busca de um objetivo, sem precisar esperar pelo príncipe. Foram essas mudanças que deram um toque a mais para Valente, que como citado, fugiu completamente do padrão.
A história consegue surpreender a tal ponto que acaba sendo impossível encontrar qualquer falha, seja no roteiro ou na própria produção – até mesmo a comédia presente agrada do início ao fim. Com efeitos gráficos cada vez melhores, riqueza de detalhes e uma história que não se perde em nenhum momento, a crítica sobra para a trilha sonora brasileira. Por mais que interessante as letras das músicas, as originais fizeram falta na versão dublada.
Para quem insiste em dizer que todo conto de fadas possui mensagens subliminares, vai fazer a festa assistindo Valente. Nessas cenas os mais velhos vão pensar: Isso não precisava estar em um filme infantil. Precisava? Sim, precisava, já que se é para inovar, que seja feito em todos os aspectos e que agrade ao mais variado público – algo que Valente, filme que não esperava nada, fez muito bem.