Maluca e sem sentido? Talvez sim, talvez não... Uma talentosa escritora e que se destaca por seu empenho? Isso com certeza... Não dá pra dizer que possui tempo suficiente para fazer tudo o que deseja, mas isso pouco importa, já que está sempre exercendo seus talentos e colocando suas ideias em prática, mesmo que pra isso seja necessário usar a sala de aula. Ideia é o que não falta para a jovem autora de Memórias da Lua Cheia (Resenha), que revela: “Tenho em média 4 séries e 4 romances de volume único já planejados!”. Maluca e sem sentido? Descubra você mesmo, porque estamos De Olho em Andressa Andrião:
Over Shock - Andressa, desde o início você sabe sobre minha admiração por você e depois da leitura de seu livro também por seu trabalho literário, por isso é um grande prazer realizar essa entrevista e apresentá-la de forma mais completa aos leitores do Over Shock. Para começar, conte um pouco sobre Andressa Andrião, estudante de Engenharia da Computação e autora de Memórias da Lua Cheia:
Andressa Andrião - Essa parte é sempre a mais difícil em uma entrevista... Afinal, quem se conhece direito? Enfim, acho que o que eu posso dizer é que sou uma pessoa extremamente maluca e sem sentido. Amo escrever com todas as forças da minha vida e uma das minhas maiores felicidades no mundo é poder criar meus personagens e conhece-los da melhor maneira possível. Escrever é um processo magnífico! Jamais me cansarei das noites em claro para criar histórias e conectá-las. Ver como tudo o que estou pensando vai se encaixando...! É tudo um processo tão lindo!
Também tenho esse mesmo amor por desenhar! Já cheguei a ficar até as cinco da manhã no Photoshop pintando. Chego a não me cansar de fazer fio por fio no cabelo dos personagens. Também gosto de tocar flauta porque amo música e não consigo sequer andar na rua sem um fone de ouvido na orelha (sério, é quase obsessão).
Enfim, sou estranha, filosófica até demais, uma observadora das belezas do mundo e amante da natureza. Tento agradecer a Deus sempre e sempre por tudo o que Ele faz por mim e me dá todos os dias de minha vida (apesar de passar por meus momentos de revolta). Amo meus amigos e minha família com todas as minha forças.

Over Shock - Você publicou seu primeiro livro muito jovem. Você acredita que existam vantagens e desvantagens de uma publicação “precoce”?
Andressa - Acredito que uma das vantagens de se publicar um livro na minha idade é a possibilidade de investir mais em sua carreira como escritor. Quero dizer, tenho uma vida inteira para escrever e divulgar meus livros! Quem sabe com a idade de 30 anos eu já estarei minimamente conhecida. Infelizmente, digo que as desvantagens são meio grandes... Faço faculdade, então tenho pouco tempo para escrever. Tenho que passar as férias inteiras acordada para conseguir colocar o livro em dia e, infelizmente, também acabo perdendo muito tempo de estudo para me dedicar a atividades relacionadas ao livro. Parece fácil, mas a faculdade, principalmente por ser de exatas e extremamente difícil, é muito difícil de levar junto com uma carreira de escritor. Já não durmo só para estudar! Imagina se quiser escrever um capítulo por dia também? Sem contar que é difícil sair de um exercício de cálculo para pular para a escrita, usa partes muito diferentes do cérebro...

Over Shock - Como já foi dito, além de escritora, você é estudante de Engenharia da Computação e também dedica seu tempo para hobbys como a música e o desenho. Como você faz para conciliar todas essas atividades e ainda dar o máximo de atenção para cada uma delas?
Andressa - Para falar a verdade... Não consigo. Alguns hobbys (e até meus estudos) acabam se comprometendo. Desenhar é mais fácil porque, quando não estou muito para prestar atenção em aulas, posso fazer isso (apesar de não poder ficar pintando no computador e tudo mais. Só faço rascunhos), porém escrever e tocar flauta ficam meio que com seus dias contados. Só consigo escrever em feriados, férias, ou minúsculos espaços de tempo. Já até atrasei minha graduação para me dedicar aos próximos livros da série. Infelizmente, o curso de Engenharia de Computação é tão difícil que nem assim está dando mais... Sem contar que escrever mexe muito com a parte de Humanas do cérebro, então se dedicar à Engenharia e a escrita começa a te deixar meio maluco, literalmente. Senti isso na pele esse último ano...

Over Shock - Você encontrou algum tipo de dificuldade para entrar em uma editora? E como você vê o atual mercado editorial brasileiro?
Andressa - Não foi muito difícil não. O selo Novos Talentos da Literatura Brasileira não é difícil de entra em contato, porque a própria proposta deles é dar atenção justamente para os escritores novos. Fora eles, não sei dizer nada sobre o mercado editorial brasileiro...

“Em algum lugar de meu coração, aos poucos, todos aqueles medos e inseguranças derreteram como gelo, aquecidos demais por sua gentileza. Reli a carta várias vezes, querendo de alguma forma afirmar para mim que aquela era a certeza de que não seria abandonada” – pág. 40 (Memórias da Lua Cheia)

Over Shock - Seu primeiro livro, Memórias da Lua Cheia, possui alguns elementos que caso não fossem bem elaborados poderiam ser considerados clichês, mas você fez um grande trabalho e conseguiu se destacar. Qual o principal cuidado que você precisou tomar para fazer dessa série algo único?
Andressa - Não sei se pode se dizer que foi um cuidado que eu tomei, porque o que eu fiz foi escrever da maneira que gosto de escrever e criar uma história da maneira que gosto de criar. O conteúdo da história nunca foi a criatividade dos elementos, mas sim o relacionamento complexo entre cada personagem da trama. Quando crio uma história, o que realmente gosto de focar é no relacionamento entre cada personagem, conectando-os profundamente, não somente como se fossem personagens, mas sim como se tivessem vida própria. Memórias da Lua não é para ser uma série de feiticeiros, é para ser uma história da luta entre o bem e o mal interior, muito mais profunda do que apenas o exterior entre vilão e mocinho, que é o que já vi em alguns livros e me descontenta, por ser sempre uma receita de bolo. Muitas vezes leio livros com trama super bacana, mas não vejo graça nenhuma. Sempre falta algo! Alguns autores tratam seus personagens como marionetes e, no meu ponto de vista, a história perde toda a graça. A humanidade é muito mais complexa do que isso e é por isso que o meu foco essencial é nas características psicológicas de cada um: seus pontos fracos, seus pontos fortes, seus defeitos, suas loucuras e até sua instabilidade emocional. Por isso não crio um roteiro, deixo que os personagens o escrevam. Podem até me perguntar como criei o passado de alguns que eu vou dizer: “Acho que foi ele que me contou...”.
Se quiser saber a minha preocupação com o enredo... Me preocupei sim com a criação de meu mundo de feiticeiros e de sua organização política e social. Acredito que as pessoas não notarão no primeiro livro tudo isso, apenas se quiserem (só em um ou dois capítulos esses detalhes são citados e é bem superficial), no entanto eu criei a religião de meus personagens, seus clãs, sua organização social e muito mais do que isso. Para os que leram... Lembram-se do mistério e dos detalhezinhos sobre Alissa ao longo de todo o livro? Há pelo menos uns dez detalhezinhos de livros futuros escondidos entre as páginas.

Over Shock - Quando você iniciou a escrita desse livro já imaginava que um dia iria publicá-lo? A história sempre exigiu mais de um livro, ou isso ficou decidido apenas conforme você escrevia o primeiro volume?
Andressa - Eu pensava em publicá-lo algum dia sim. Acreditava que seria a primeira história que deveria levar para frente e usar para iniciar uma carreira como escritora. Só não conseguia ver esse sonho tornando-se realidade assim tão cedo.
A história era para ser volume único, mas o enredo começou a se tornar muito complicado. A história original era bem trágica e não tinha Scorpio nenhum. O problema foi quando eu criei esse personagem... Ele colocou tudo de cabeça para baixo. A personalidade dele é tão complexa e impressionante que ele mesmo resolveu modificar tudo o que eu já havia criado. Ganhou vida própria muito mais do que a própria Alissa e Seth. Somente o seu passado gerou mais um livro (lógico que o livro não é somente a respeito do passado dele, é que contar só sua vida deixaria muitas pontas soltas). Até pouco tempo atrás eu acreditava que seria uma trilogia, no entanto o próprio segundo volume já está ficando tão grande que não vai caber tudo e terei que dividir em mais um. Há muita história para ser contada... Muitos detalhes importantes que não podem ser passados despercebidos.

Over Shock - Um dos elogios em relação a sua escrita foi devido à qualidade e a riqueza de detalhes em suas descrições. Você não teve medo de que isso não fosse bem visto pelos leitores, que algumas vezes criticam as descrições em excesso? Acredita que assim o leitor entra ainda mais na história, ou apenas uma boa escrita é capaz de prender a atenção?
Andressa - Na verdade não. Eu sei que, para muitas pessoas, detalhar demais é cansativo, mas eu gosto e, se não fizesse assim, não seria eu escrevendo. Tento escrever tudo de uma maneira bem leve, para ficar menos chato. Sempre acreditei que uma boa riqueza de detalhes faz com que enxerguemos melhor o mundo criado pelo autor e isso é essencial.

Over Shock - A protagonista, Alissa, possui alguma característica presente na personalidade de Andressa Andrião?
Andressa - Muitas características. Alissa é bastante animada, cabeça-quente e, principalmente: pensa demais. Além de ser meio fechada e fazer de tudo pelas pessoas que ama. Eu sou bem assim. Mas, sinceramente, pareço muito mais com o Seth e seu jeito menos proativo... Ele é muito parecido com a Alissa, mas sua maior diferença é o medo de fazer o que quer. Sinceramente, eu queria ser um pouco mais determinada da maneira que Alissa é. Eu a admiro bastante.

“Não conseguia entender qual era aquele efeito tão anormal que ele tinha sobre mim, como se existisse uma magia que nos ligava, enfeitiçando meus olhos para projetarem-se nele daquela maneira tão magnífica. Como se houvesse uma parte dele próprio dentro de mim fazendo com que eu quisesse correr para ele” pág. 152 (Memórias da Lua Cheia).

Over Shock - E as demais personagens de Memórias da Lua Cheia, foram inspiradas em pessoas reais ou é tudo fruto de sua imaginação?
Andressa - A única personagem que posso dizer que foi parcialmente inspirada em alguém foi Lidiana, no entanto, com o decorrer da história, ela sofreu tantas mudanças que ficou completamente diferente dessa pessoa. Os demais personagens foram baseados em mim mesma também... (por incrível que pareça). Principalmente Seth e, estranhamente, Scorpio. Todos temos nossas sombras, máscaras e personalidades alternativas afinal... Haha.

Over Shock - Para você qual o mais difícil do início de uma carreira literária: a parte de escrita e revisão, encontrar uma editora que tenha uma proposta interessante para seu livro ou a divulgação de seu trabalho?
Andressa - Hm... Todas as partes são difíceis! Até a escrita que é a mais divertida. Só que acredito que as duas mais complicadas (não sei dizer qual) são a parte da revisão e da divulgação. A revisão que o próprio autor faz (fora a da editora) é muito cansativa e tem uma hora que você começa a quase não gostar mais de seu trabalho de tanto que o leu... E, em um livro tão grande quanto o meu, sempre passa alguma coisa.
Já a divulgação é complicada porque começa a ficar cansativo procurar gente para divulgar, além de você ter que gastar muito dinheiro. Acho que a maioria dos blogs não sabe (ou sabem), mas os livros que o autor tem para enviar foram todos comprados por ele e, nem sempre, foram baratos. O meu, por exemplo, saiu muito caro para mim.

Over Shock - Você pensa em levar Memórias da Lua Cheia para além das páginas dos livros, como o cinema?
Andressa - Ha, se eu pudesse é lógico que eu levaria! Meu sonho é ver um livro meu no cinema! Se algum dia alguém se interessasse em fazer um filme dele, eu provavelmente seria a pessoa mais feliz do mundo.

““Essa não... Eu não queria que ele...” pensei. Eu realmente não queria que ele percebesse... Eu ainda tinha muito medo de uma rejeição. Eu não poderia viver se ele me tratasse diferente, se ele tivesse medo de alimentar meus sentimentos, e achasse que deveria ser diferente para que eu o esquecesse” pág. 291 (Memórias da Lua Cheia).

Over Shock - Como seus parentes e amigos têm visto a publicação desse seu trabalho? E qual tem sido a opinião dos seus primeiros leitores?
Andressa - Meus amigos e parentes apoiam bastante! Alguns mais do que eu imaginava que apoiariam. Haha. Já a opinião dos primeiros leitores tem sido extremamente positiva! Devo citar especialmente minha bixete, que chegou uma semana depois de compra-lo dizendo que terminara de ler. Eu achei que estava brincando, porque o livro tem 552 páginas e temos muitas aulas, mas ela me disse: “Fiquei com raiva de você porque não consegui estudar para a prova porque não conseguia parar de ler o seu livro. Quero ler os rascunhos para o próximo! Não vou aguentar esperar!”. Outro que me deixou impressionada foi um menino da minha sala que leu em três dias e estava lendo pela segunda vez! Minha família também gostou muito, mas os que mais me impressionaram foram esses dois. Haha!

Over Shock - Para encerrar, o que esses leitores podem esperar dos próximos livros da série? Você já tem algum projeto literário para ser desenvolvido após esses livros?
Andressa - Podem esperar muito mais do que viram no primeiro livro! Podem ter certeza de que Memórias da Lua Cheia foi o menos emocionante de todos eles! Não introduzi nem metade do que acontecerá mais para frente e, provavelmente, nem metade do enredo (até porque o plano são 4 ou 5 livros). O próximo, por exemplo, já terá novos personagens que, pessoalmente, eu gostei demais de criar. Posso citar dois novos elementos: um feiticeiro do clã dos Elementares e uma Inquisidora, que estranhamente vai gostar de um dos protagonistas. Teremos mais revelações sobre o passado de Alissa e muito mais explicações sobre o que realmente há por trás de Scorpio (que, pessoalmente, é o personagem mais interessante da história).
E sim! Tenho muitos projetos literários para serem desenvolvidos após esses livros. Tenho em média 4 séries e 4 romances de volume único já planejados! Ou seja, umas 8 histórias! Haha. Se tudo correr bem, a carreira como escritora vai ser longa...!

Over Shock - Jogo Rápido:
Memórias da Lua Cheia: primeiro de muitos.
Novo Século: primeira oportunidade.
Selo “Novos Talentos da Literatura Brasileira”: oportunidade.
Viver de literatura no Brasil: difícil.
Inspiração para Memórias da Lua Cheia: Noite de lua cheia.
A trilha sonora perfeita... Tristesse do compositor Fryderyck Chopin.
Um ator para Scorpio... Ian Somerhalder
Blogs Literários: ajuda
Andressa Andrião: maluca e sem sentido.

Over Shock - Obrigado por conceder essa entrevista e por confiar no trabalho realizado pelo Over Shock na divulgação de sua obra. Aproveito para desejar muito sucesso e dizer que estou aguardando a continuação de Memórias da Lua Cheia. Para encerrar, deixe sua última mensagem e novamente obrigado:
Andressa - Quero agradecer ao Blog Over Shock e ao Ricardo por esse espacinho e toda a atenção que tem me dado! Fico muito feliz por ter pessoas dispostas a ajudar com tanto carinho à divulgar o meu trabalho!

“Ele a acariciava e por mais que me doesse saber tudo o que ele estava sentindo, eu estava feliz por ele ter voltado... Estava tão feliz pro estar ali segurando minha mão e com os dedos entrelaçados nos meus, segurando-a com delicadeza e força ao mesmo tempo. Segurando-a por uma última vez...” pág. 495 (Memórias da Lua Cheia).