O futebol brasileiro está em festa. Em poucos dias, dois dos maiores clubes do país conquistaram importantes títulos internacionais, provando que apesar do péssimo momento da seleção, que trocou de treinador às vésperas da Copa das Confederações, o Brasil jamais deixará de ser o país do futebol. Na quarta-feira (12), a América do Sul foi pintada de vermelho, branco e preto. No domingo (16), o mundo foi pintado de preto e branco. A semana terminou com o planeta bola pintado de verde e amarelo.

A campanha rumo ao título inédito
Antes de chegar a sua primeira final da Copa Sul-Americana, o São Paulo Futebol Clube precisou enfrentar duas fases, sempre disputando jogos no formato mata-mata. Na fase nacional da competição, o São Paulo enfrentou o Bahia e venceu as duas partidas por dois gols, garantindo sua vaga na fase internacional da competição.
Nas oitavas-de-final, que aconteceu em 25 de setembro e 25 de outubro, o São Paulo enfrentou a LDU de Loja, do Equador. Diferente da experiente LDU de Quito, o time equatoriano não tem qualquer tradição no futebol sul-americano, porém conseguiu dois empates contra o time brasileiro: 1 a 1 em Loja e 0 a 0 em São Paulo. No agregado o time paulista se classificou devido ao gol marcado fora de casa.
Considerado por alguns como o time a ser batido nessa competição, o time campeão da Sul-Americana 2011, Universidad de Chile, não deu qualquer tipo de trabalho para o São Paulo, que marcou dois gols no jogo de ida, no Chile, e cinco no jogo de volta.
Também contra um time chileno, na semifinal o São Paulo repetiu os resultados dos jogos contra a LDU de Loja e conquistou a classificação para a final após empatar contra a Universidad Católica por 1 a 1 no Chile e 0 a 0 no Brasil.

Lucas se despede do São Paulo com título e promete voltar
Independente do esporte, a cada novo confronto entre brasileiros e argentinos a rivalidade aumenta e ganha capítulos que muitas vezes poderiam facilmente ser evitados, por ambas as partes. Dessa vez uma confusão entre brasileiros e argentinos colocou ponto final na atual edição da Copa Sul-Americana, segunda competição mais importante da América do Sul.
Na final entre São Paulo e Tigre da Argentina, o favoritismo era todo do time brasileiro, acostumado a conquistar títulos nacionais e internacionais. Para o São Paulo, era a tentativa de conquistar o 12º título internacional de sua história; já o Tigre tinha a chance de colocar seu nome entre os maiores clubes do futebol argentino. Independente de quem faturasse a Copa Sul-Americana de 2012, seria um campeão inédito.
O primeiro jogo da final aconteceu no último dia 05 de dezembro em La Bombonera, o lendário estádio do Boca Júniors. Em uma partida difícil e marcada pelo fraco futebol das duas equipes, o primeiro jogo da final mostrou que a inexperiência do Tigre em uma importante competição faria a diferença, mas para o lado negativo. Fazendo uma marcação pesada e agressiva, o time argentino anulou os principais jogadores brasileiros com o uso de faltas duras. Ao se envolver em uma confusão, o craque Luís Fabiano chegou a ser expulso, mudando todos os planos do técnico do São Paulo, Ney Franco. No final, o time voltou para o Brasil apenas com um empate sem gols.
A hora da verdade aconteceu uma semana depois, no místico 12 de dezembro de 2012. A partida realizada no Estádio do Morumbi tinha um gostinho especial para imensa torcida do tricolor paulista e poderia coroar duas gerações distintas. Em campo dois dos atuais ídolos do tricolor: o goleiro Rogério Ceni e o jovem craque Lucas, que fazia sua última partida pelo São Paulo, já que foi contratado pelo Paris Saint-Germain, e tentava seu primeiro título como profissional. Era a última chance para a torcida ver Lucas jogando com a camisa são-paulina e agradecer por tudo o que o craque fez pelo time nos últimos anos. Uma linda festa foi preparada para essa despedida, mas essa festa só estaria completa com o título.
Quando a partida de volta teve início, os jogadores do São Paulo mostraram que, diferente do primeiro jogo, o nervosismo característico de uma decisão não iria impedir o bonito futebol. Durante todo o primeiro tempo, os jogadores brasileiros fizeram o que não conseguiram em La Bombonera e foram superiores, criando as principais chances de gol. Rogério Ceni nem chegou a ser ameaçado.
Mesmo com a quantidade de faltas duras cometidas pelos argentinos, o tricolor paulista encontrou espaço e aos 22 minutos de jogo, após jogada de Jadson e William José, a bola sobrou para Lucas, que não desperdiçou e marcou seu último gol com a camisa do São Paulo. Com o resultado, o time já garantia o seu primeiro título da Sul-Americana, porém ainda era um resultado perigoso e precisava de ao menos mais um gol para todos se tranquilizarem.
O segundo gol veio poucos minutos depois, quando Lucas deu um ótimo passe para Osvaldo, que invadiu pelo lado direito e mandou por cima do goleiro argentino. Um bonito gol, que deixou os mais de sessenta mil torcedores presentes eufóricos com o quase certo título.
Para o Tigre, a missão que já era difícil com apenas um gol de diferença se tornou quase impossível. Foi então que os argentinos deixaram a bola de lado e o número de faltas apenas aumentou. Antes do apito final, Orban acertou uma cotovelada em Lucas, que caiu ao chão com o nariz sangrando e precisou de atendimento, mas ao voltar para o jogo sofreu uma nova falta. Era o jogador mais caçado em campo.
Com o apito final, Lucas provocou o jogador argentino ao mostrar o sangue em seu curativo e isso apenas motivou toda a confusão, que envolveu jogadores e funcionários das duas equipes. Seguranças e policiais também precisaram intervir antes dos jogadores irem para seus respectivos vestiários. Quinze minutos depois, o São Paulo voltou a campo, porém o Tigre continuou no vestiário, alegando que seus jogadores haviam sido agredidos por funcionários do clube paulista.
O árbitro da partida, Enrique Osses, esperou pela volta dos argentinos por 30 minutos, o que não aconteceu. Como eles se recusaram a voltar ao campo, Osses encerrou a partida e com o resultado de 2 a 0, o São Paulo conquistou, de forma invicta, o único título internacional que faltava em sua história. Os são-paulinos receberam suas medalhas e quando a taça lhe foi entregue, o capitão Rogério Ceni chamou Lucas, que emocionado levantou o seu primeiro troféu pelo time que o projetou para o futebol mundial.
Já no dia seguinte, o vice-presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), Eugenio Figueredo, declarou que acontecerá uma investigação antes de definir o resultado final da Sul-Americana de 2012. Em entrevista para uma rádio uruguaia, Eugenio disse: “O juiz não pode finalizar nenhuma partida, apenas suspender. É a Confederação que decide. Esperamos os informes da polícia para estudar as possíveis punições. A última palavra não está dita”.
Apesar da declaração de Eugenio, e de saber que o título ainda não está garantido, a torcida são-paulina comemora o fim de um jejum que já durava quatro anos e também a chance de disputar a Recopa Sul-Americana de 2013 contra o arquirrival, campeão da Libertadores da América de 2012 (Imagem da Semana 79#).

O mundo pintado de preto e branco
Em junho de 2002, o Brasil acordou mais cedo em uma manhã de domingo para assistir um dos jogos mais importantes da história do futebol brasileiro, realizado em Yokohama no Japão, e que daria o quinto título mundial para a seleção brasileira. Dez anos e alguns meses depois, milhões de brasileiros novamente acordaram cedo, dessa vez para assistir a partida final do Mundial Interclubes da FIFA 2012, realizada no mesmo estádio e com a presença de uma torcida tão apaixonada como aquela que festejou um título dez anos atrás.
Representando o futebol sul-americano, o Sport Club Corinthians Paulista colocou seu nome na história. Uma verdadeira invasão alvinegra tomou conta da Terra do Sol Nascente. No Brasil, corintianos torciam por mais um importante título; os adversários torciam pelo time rival, o Chelsea da Inglaterra; os demais amantes do futebol torciam apenas por um título brasileiro. Foi sofrido e com um único gol. Foi como a fiel torcida está acostumada.
Ao entrar em campo, os onze jogadores alvinegros sabiam da importante batalha que estava se iniciando. Não era um jogo qualquer, não era um adversário qualquer. Do outro lado do campo estava o Chelsea, atual campeão da Liga dos Campeões da Europa (Imagem da Semana 72#) e que derrotou o Barcelona de Lionel Messi, campeão do Mundial em 2011 (Imagem da Semana 51#).  Seria um jogo difícil. Seria uma verdadeira final de Copa do Mundo.
Com esquemas táticos parecidos, as duas equipes iniciaram o jogo de forma diferente. Os primeiros minutos mostravam que aparentemente o Chelsea partiria pra cima, em busca de um gol, enquanto o Corinthians esperaria pela oportunidade de contra-ataques. O time inglês tinha o porquê realizar esse tipo de jogo, já que seu elenco era recheado de estrelas do futebol internacional, ao contrário do Corinthians, formado em sua maioria por atletas brasileiros e com poucos jogadores de seleções nacionais. Mas os jogadores desconhecidos foram superiores do que os gigantes do Chelsea.
As principais chances de gol foram do Chelsea, mas quando chegou ao gol do experiente goleiro Petr Cech, os brasileiros assustaram. Eles também se assustaram quando o zagueiro Cahill cabeceou na pequena área do Corinthians e foi travado pelo zagueiro Chicão. No rebote, o próprio Cahill tentou chutar, porém brilhou a estrela do goleiro Cássio, que parou o ataque dos Blues e mais tarde foi considerado o melhor jogador da partida.
Pouco depois da metade do primeiro tempo, o Corinthians deixou de esperar o time adversário e partiu pra cima, sentindo-se mais presente no jogo. Paulinho e Paolo Guerrero tentaram sem êxito abrir o placar e ainda viram outras grandes defesas do goleiro Cássio. O jogo estava lá e cá quando o árbitro turco Cüneyt Çakir apitou, encerrando o primeiro tempo.
Após o intervalo, as duas equipes tinham apenas um objetivo: marcar o gol que resultaria no título mais importante do ano. Apesar disso, parecia que apenas o Corinthians estava com fome de bola e o volante Paulinho já aparecia mais no ataque, assim como tem acontecido desde antes do título Brasileiro em 2011 (Imagem da Semana 49#). O Chelsea até assustou novamente, porém foi o time alvinegro que marcou o primeiro e único gol da partida.
Aos 23 minutos, em um lance chorado, a bola sobrou para Danilo, que cortou o adversário e ao chutar foi prensado. A bola subiu e foi de encontro com um dos craques do Corinthians, o peruano Guerrero, que desviou de cabeça e mandou a bola para o fundo das redes. O título, que muitas vezes foi considerado improvável de acontecer, estava próximo de se concretizar.
Os jogadores do Chelsea sentiram o gol e poucos minutos depois o brasileiro David Luiz cometeu uma falta no meio de campo e foi punido com um cartão amarelo. Em seguida, o treinador espanhol Rafa Benítez colocou Oscar em campo e a esperança inglesa estava nos pés do brasileiro, que a cada jogo conquista a torcida dos Blues.
Mas nem Oscar, nem Ramires, Frank Lampard, Juan Mata ou Fernando Torres resolveram. Torres até tentou, mas ou parava nas mãos do goleiro Cássio, ou aparecia em posição de impedimento. Quando Torres conseguiu colocar a bola no fundo das redes, o auxiliar levantou a bandeira, confirmando a posição irregular. Já não tinha mais tempo. O poderoso Chelsea havia sido derrotado pelo Corinthians e o bando de loucos poderia gritar, em qualquer parte do planeta, que o mundo havia sido pintado de preto e branco e que todos os amantes do futebol agora precisavam reverenciar o time de Parque São Jorge, dono do mundo pelos próximos doze meses.