Meu Hamster é um Gênio, Dave Lowe (ilustrações de Mark Chambers), tradução de Aline Leal, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Valentina, 2012, 108 páginas.

A primeira experiência de Dave Lowe com um hamster aconteceu quando ainda era criança. Décadas depois, o professor de inglês que adora ensinar crianças em escolas carentes lançou o livro Meu Hamster é um Gênio, o primeiro das aventuras de Cheiroso e Ben Travesso.
Ben é um garoto de nove anos que segue à risca o significado de seu sobrenome, e devido a uma de suas travessuras, sua mãe o obriga a cuidar de um bichinho de estimação. O garoto faz uma lista de seus possíveis bichinhos, mas sua mãe surpreendente aparece com um hamster, que recebe o nome de Cheiroso e mais tarde mostra saber falar e ainda ser um verdadeiro gênio em matemática. O que era pra ser um “castigo” se torna uma forma de ajudar Ben Travesso a se sair bem na matéria em que tem mais dificuldade.

Alguns minutos depois, quando saltou da rodinha, ele estava realmente sem fôlego.
- Tenho... duas... ufa... ideias - disse ele, ofegante.
- Diga logo, então.
- Número um: vou tentar lhe ensinar os fundamentos básicos da matemática nas próximas 48 horas.
- Hummm - murmurei. - Acho melhor a gente começar pela número dois” (pág. 47).

Para uma criança da mesma faixa etária de Ben Travesso, Meu Hamster é um Gênio pode ser mais do que apenas um pequeno livro de entretenimento. Em pouco mais de 100 páginas, Dave Lowe elabora piadas simples e ao mesmo tempo divertidas – que não vão agradar apenas as crianças -, além de ensinar diversos valores que devem ser fundamentais na educação de uma criança, como o incentivo aos estudos e a própria amizade, que no caso é entre garoto-hamster.
Assim como grande parte das crianças, Ben tem uma pequena dificuldade em aprender matemática, mas em sua primeira história ele é obrigado a tirar uma boa nota – motivo que será revelado conforme a leitura. Devido a isso que Cheiroso entra em ação e ensina o garoto de uma maneira pouco convencional. Antes, durante e depois desse ensinamento que compreendemos que Cheiroso é um personagem hilário.
Fica fácil compará-lo ao Sr. Fofinho do livro Al-Aisha e os Esquecidos (Resenha), já que Cheiroso, além de ser ótimo em matemática e muito esperto, tem uma personalidade forte e não se importa de dar suas ordens, visando na maioria das vezes o melhor para si próprio. Além de frases de efeito, Cheiroso ainda tem ideias que só poderiam sair de sua mente brilhante e faz comparações únicas, como quando diz ao garoto: “Sua chance de passar na prova é igual a de um sapo cururu ganhar um concurso de beleza”. Ben Travesso pode até não ter uma personalidade marcante, porém Cheiroso irá encantar desde as jovens crianças, até os idosos com alma de criança.
A estreia da Valentina no mercado editorial não poderia ser melhor e já nos detalhes gráficos percebemos que a editora carioca tem potencial para chegar muito longe. Se não bastasse o detalhe da mordida de Cheiroso na parte superior do livro, a capa possui cores fortes e vivas, para conquistar os olhos de uma criança à primeira vista; toda a diagramação é de primeira e as ilustrações internas, que estão por toda parte, se destacam principalmente pelos traços – um casamento perfeito entre Dave Lowe e Mark Chambers, escocês que ganhou importantes prêmios de ilustrações na Europa.
No geral, Meu Hamster é um Gênio possui uma história simples e até certo ponto previsível – o que já era de se esperar -, porém cativa e atinge o objetivo de ensinar as crianças com uma narrativa rápida e muito bem elaborada. Seja com uma lição de moral ou apenas uma aula de matemática com o hamster, o livro vai cair nas graças das crianças, que com certeza esperarão ansiosamente por Meu Hamster é um Astronauta, segundo livro da série e com previsão de lançamento para 2013.

Quando ficamos muito nervosos, costumamos dizer que estamos sentindo o corpo formigar. Mas formigas são insetos legais, e o que eu sentia não era nada legal. Fiquei meio enjoado, e o meu corpo, na verdade, estava frio, congelando. Eu mal conseguia respirar, quem dirá pensar” (pág. 97).