Médico formado pela Universidade do Rio Grande do Norte, Leonardo Barros é autor de cinco livros de sucesso, sendo Presságio: O Assassinato da Freira Nua seu mais recente trabalho, livro que em pouco mais de 200 páginas já pode ser considerado o melhor thriller nacional de 2012.
Lançado pela editora Novo Século, Presságio: O Assassinato da Freira Nua conta a história de Alice, uma mulher de 26 anos e que desde sua adolescência tem visões em momentos nada comuns. Devido a esse dom, Alice é considerada psicótica, mas isso pode mudar a partir do momento em que ela tem um presságio sobre um misterioso assassinato e talvez seja a única com a capacidade de evitar uma injustiça. Ela então precisa correr contra o tempo para provar ser uma pessoa normal e salvar a vida de uma possível nova vítima do serial killer.

“Sentia novamente um toque úmido lhe acalorando os lábios. A língua atrás da orelha se multiplicando, lambendo seus ombros. Sentia cada batida do coração nos pulsos nervosos dos vasos de suas coxas. Os cabelos macios entre seus dedos. A cabeça entre suas pernas” (pág. 33).

Desde a leitura de 72 Horas para Morrer que um thriller nacional não conquistava tanto quanto Presságio: O Assassinato da Freira Nua. A obra de Leonardo Barros, além de uma escrita viciante e de contar com uma estrutura dinâmica, possui tudo o que geralmente um fã da literatura policial busca e largar o livro por ao menos um instante é praticamente impossível.
Tudo começa com o assassinato de uma freira, o que bastaria para chocar a todos, porém o que envolve esse assassinato vai muito além de uma simples morte e os mistérios existentes criam pontos interessantes e bem desenvolvidos para o longo da história. Não demora muito para um novo assassinato acontecer, dessa vez de uma mulher que estava fantasiada de freira em uma festa como qualquer outra. A proximidade dos dois crimes e os detalhes semelhantes mostram que o assassino de ambos os casos deve ser o serial killer conhecido como Beato Judas, mas apenas Alice sabe o que realmente aconteceu na noite da festa.
Conforme se envolve na investigação e revela coisas que só sabe devido ao seu dom, Alice tem novos presságios e todos eles narrados de forma completa, mas sem muita enrolação. Isso acaba sendo um dos pontos fortes do livro Presságio: O Assassinato da Freira Nua, que mostra que para um livro ser bom não é preciso muitos detalhes. Apenas o necessário.
Autor de um romance erótico, Leonardo se aproveita do que já usou outrora para deixar o livro mais fascinante. Com muita sensualidade, e isso apenas nos momentos adequados, percebemos aqui que um livro policial pode ter muito mais do que apenas assassinatos e investigações, e que esse casamento dá muito certo tanto para o autor, como para o leitor. Vale lembrar também que Leonardo dedica essa obra a todas as vítimas de crimes sexuais e aos seus familiares.

“Voltou a observar o diretor do manicômio, que falava ininterruptamente. Ela percebera algo diferente em seu olhar: uma breve, quase imperceptível contração de suas pálpebras, que se repetia, vez por outra. E ela viu, no canto do lábio dele, um breve sorriso. Ele não a estava testando ou examinando. Apenas tinha prazer em ridicularizá-la, em diminuí-la. Talvez, irritar as pacientes fosse sua maior diversão. Ou a única forma lícita de um sádico se divertir ali” (pág. 142).

Mais do que apenas uma investigação, encontramos também todo o drama vivido pela protagonista ao ser considerada uma psicótica por alegar ter presságios. Quanto mais se envolve na história, mais Alice sofre com isso e acaba parando em um manicômio. A partir desse ponto, a realidade de pessoas com os problemas semelhantes ou não é revelada. Apenas mais um detalhe que deixou essa obra diferente.
Com tudo isso, aos poucos o livro contém uma investigação minuciosa e algo nem sempre usado nesse gênero literário: o envolvimento constante dos médicos forense. Isso se deve muito pelo fato do autor ser um médico, portanto com uma especialidade maior do que outros autores que se aventuram nos livros policiais. Toda a experiência de Leonardo com a medicina ajudou a ter detalhes, da psicologia ou não, até então desconhecidos pelo leitor e isso contribuiu muito para a avaliação final da obra, rica em todos os seus aspectos – inclusive pela atenção jurídica dada antes de se encerrar a história.
O essencial para esse tipo de obra é a estrutura da história, que deve prender e surpreender a cada página. Isso acontece desde a primeira página e ao chegar ao último capítulo, nos perguntamos como o autor conseguiu criar tantos pontos sem se perder em nenhum momento, mas talvez essa pergunta seja respondida ao classificar Presságio: O Assassinato da Freira Nua como o melhor thriller de 2012. Um livro que merece inúmeras releituras.

“Qualquer pessoa que se aproximasse dele e o encarasse fixamente veria no fundo de seus olhos a imagem de uma mulher bonita, de cabelos curtos e sorriso imenso, se despindo com tanta naturalidade e doçura que deixaria claro que uma freira também é mulher e que em suas carnes também ardem desejos, que em sua mente habita um anseio constante por carinho e companhia” (pág. 210).

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