O primeiro livro de Claudemir de Oliveira a ser lançado foi O Anjo Plantador de Árvores, publicado quando o autor tinha 27 anos. Anos depois o autor paranaense concluiu o livro O Diário de Litat, lançado recentemente, apenas dez anos depois de ser concluído.
Como o título sugere, o livro é narrado por Litat Dmefinos, herdeiro de uma bonita história envolvendo Bnus e Qeb, dois jovens que cresceram juntos e prometeram assim ficar para todo o sempre. Porém os dois foram escolhidos pelos deuses para servirem em lados opostos e seguem suas missões propagando o bem e o mal. Mesmo em lados opostos, o amor prevalecerá e muita coisa acontecerá até o fim dessa história que mostra todos os lados do verdadeiro amor.

“Não encontramos todos os dias amor eterno e verdadeiro e quando achamos que encontramos, surge o sentimento da frustação por saber que no próximo amanhecer ele pode não mais estar presente, transformando-se em sonhos não realizados ou em pesadelos” (pág. 22).

Apesar de ser um livro de fantasia, o que nos dá a visão de apenas entreter o leitor, O Diário de Litat engloba situações e ensinamentos que mesmo nos dias atuais precisam estar presentes em nossa vida. Um dos principais focos do livro é mostrar as mais variadas formas de amar e ser amado, a começar pelo amor verdadeiro entre homem e mulher. Mas, aos poucos, Claudemir de Oliveira cria um cenário complexo e ao mesmo tempo muito bem estruturado para que as outras formas em que o amor se manifesta possa ser mostrado e principalmente sentido. Entre elas o amor de pais, o amor impossível e até mesmo o amor pelo próximo.
Como todo bom livro de fantasia, O Diário de Litat tem o seu próprio mundo e sua própria mitologia. Entre tudo o que existe nessa obra, o principal destaque é o envolvimento dos deuses que buscam propagar o bem e o mal. Com isso, muita coisa própria começa a diferenciar o livro de outras obras semelhantes e então percebemos todo o trabalho do autor ao estruturar a história, sem deixar que ela se perca e transformando este em um livro bem original.
Mas, ao mesmo tempo em que sua estrutura é convincente, alguns detalhes deixam a desejar, principalmente quando se trata da troca de cenários. No início da obra, quando o narrador-personagem divide a narrativa entre Bnus e Qeb, não há nada que mostre a troca de cenários. Existe ainda a troca de modos verbais, e em algumas vezes esses dois detalhes podem deixar a leitura confusa, ao menos enquanto ainda não estamos acostumados com o estilo de escrita.

“Muitas vezes, dar um passo para trás não significa desistir como se fosse sinal de fraqueza diante das dificuldades, mas sim, a serenidade de pensar na melhor maneira de se atingir um objetivo com segurança” (pág. 133).

O interessante é que percebemos uma clara evolução em O Diário de Litat, que possui sim altos e baixos, mas que acima de tudo possui histórias diferentes e em ritmos diferentes. No início recebemos uma aula sobre o mundo criado por Claudemir e acompanhamos a história de Bnus e Qeb, sendo que essa história agrada. Em seguida, Litat conta a história de seu pai e essa parte do livro é a que menos agrada, mas felizmente passa rápido e Litat começa a narrar sua própria história. A partir desse ponto, o livro se torna mais viciante e desgrudar de suas páginas é impossível, já que o narrador não apenas é o melhor personagem, como também vive as melhores aventuras em nome do amor.
A exemplo do que pensamos ao perceber o gênero de O Diário de Litat, a capa criada por Adriano de Souza também passa uma imagem parcialmente diferente do que realmente encontramos no livro, porém é uma capa muito significativa. Apesar de simples, ela reúne os principais elementos da história: as armas e a luz (representando o bem e o mal) e o diário (que faz referência ao herdeiro).
Além de uma verdadeira lição sobre o amor, o livro ainda faz uma viagem pelo tempo, narrando situações que se passam em determinados povos que realmente existiram – chegando ao ponto de citar deuses gregos, a Biblioteca de Alexandria, a cidade de Halicarnasso, entre outras. Nota-se, a partir de então, que no fundo foi necessária uma grande pesquisa por parte do autor, que mostrou, com qualidade, diferentes culturas, começando por sociedades anteriores a Cristo, e chegando a cidades do mundo atual, unindo assim ficção e realidade em uma fantasia que se destaca por mostrar a essência do amor, o sentimento mais belo que pode existir na vida de alguém, seja na ficção ou não. Percebemos, por fim, que o amor pode ultrapassar gerações.

“Mantiveram assim toda a humanidade livre da intervenção dos deuses, pois enquanto existir um amor puro e verdadeiro entre os mortais, todos terão o livre arbítrio de estar entre o Bem e o Mal” (pág. 154).