E Aí... Comeu?


Resenha: Um filme nacional com o título E Aí... Comeu? passa a clara impressão de que será apenas mais uma comédia sem graça onde o sexo e as palavras de baixo calão serão usadas de forma repetitiva e totalmente desnecessária. Por pensar dessa forma que E Aí... Comeu? conseguiu surpreender, mesmo com o uso frequente de situações que beiram a vulgaridade.
Grande parte do filme, baseado na peça de Marcelo Rubens Paiva, se passa em um bar, onde diariamente três amigos se divertem juntos. Fernando (Bruno Mazzeo) acaba de se separar de Vitória (Tainá Muller) e se interessa por sua vizinha Gabi (Laura Neiva), que é menor de idade; o jornalista Honório (Marcos Palmeira) desconfia de que sua esposa Leila (Dira Paes) está lhe traindo e por isso passa a investigar; enquanto Afonsinho (Emílio Orciollo Netto), que sonha em se tornar um grande escritor, se relaciona apenas com prostitutas, mas não quer mais apenas um relacionamento casual. Juntos na mesa desse bar que os amigos conversam sobre as mulheres e tentam resolver as determinadas situações.
Sempre critiquei Bruno Mazzeo por achar que ele tentava, em vão, se aproximar do brilhantismo de seu pai. Foi apenas assistindo E aí... Comeu? que percebi que estava muito errado e que Mazzeo tem sim grande potencial, ainda mais atuando ao lado de grandes atores. Mazzeo, Marcos Palmeira e Emílio Orciollo Netto pareciam ser amigos de longa data e não apenas companheiros de cena, que precisavam passar uma dramaticidade para seus personagens, algo que foi exigido e feito muito bem por todos eles. Já entre as atrizes, Laura Neiva é o grande nome em seu segundo trabalho no cinema.
Não ache estranho que os personagens de uma comédia pesada, em todos os sentidos, tenham essa dramaticidade, já que são os conflitos internos do trio de amigos que fazem dessa uma comédia diferente e muito bem produzida. Até certo ponto os conflitos de todos os protagonistas são clichês e terminam de uma forma totalmente previsível, porém o que acontece durante o desenvolvimento das histórias que dá o humor sem que esse seja o único foco da história.
Claro que cada vez que o trio senta-se à mesa do bar tem início os diálogos de humor pesado, que mesmo próximos a baixaria, não deixam de ser engraçados. O motivo para conseguir ser engraçado é que tudo acontece no momento certo, e as falas saem naturalmente, como se aquilo não estivesse programado para acontecer. O humor também é grande quando o dia-a-dia de um dos personagens é retratado e apenas algumas situações são suficientes para tirar o riso fácil do espectador. Vale ressaltar que o filme não poupa ninguém e todos são zoados. Sobra até para o personagem de Seu JorgeReis e Ratos (Resenha) -, garçom no bar que é cenário do filme e que, mesmo sendo um personagem secundário, tem grande importância para a história – e uma cena exclusiva após os créditos finais.
No fim, o diretor Felipe Joffily produziu mais um grande filme, que não abusa da pergunta "E aí... Comeu?" e ainda tem o personagem de Marcos Palmeira como uma espécie de narrador. Uma comédia que retrata bem as famílias de uma mesma classe social e que, querendo ou não, tem cenas que farão algumas pessoas se identificarem e também refletirem sobre suas próprias vidas. Ao final da história a mensagem que fica é que todos os homens – inclusive o garçom - querem e precisam de uma mulher ao seu lado, independente dos problemas que irão enfrentar. Com E aí... Comeu?, Bruno Mazzeo não só perdeu um crítico, como ganhou um novo fã. Mas e aí... Assistiu?