O Monge (Le Moine)


Resenha: Uma das características mais encantadoras encontrada nos filmes europeus é a forma como diretores e produtores contam uma história. Na grande maioria das vezes, tudo é muito simples e ao mesmo tempo rico em detalhes, por isso que O Monge, do diretor Dominik Moll, se destaca entre os demais filmes já resenhados.
A história se passa na Espanha no século XVII, quando uma criança é deixada na escadaria de um mosteiro da Ordem dos Capuchinhos. Os anos se passam e essa criança, que recebe o nome de Ambrósio (Vincent Cassel), se torna um importante pregador da palavra de Deus e por isso é respeitado por todos de dentro ou fora do mosteiro.
Certo dia, Valério (Déborah François) chega ao mosteiro após possivelmente sofrer um acidente que o obriga a usar uma máscara que protege seu rosto. De início, Ambrósio precisa enfrentar o preconceito para acolher o jovem, só não imagina que isso pode gerar problemas para si mesmo e que no futuro ele estará cercado pelo pecado.
Baseado no clássico conto escrito por Matthew G. Lewis e publicado em 1796, O Monge reúne o que podemos chamar de assuntos proibidos dentro de uma instituição religiosa. Um desses temas é o desejo carnal, que nem mesmo um homem que dedicou toda a sua vida a Deus está livre, mas o filme ainda mostra casos de gravidez e até de atitudes improváveis em busca de saciar o desejo e do amor, levando em conta sempre os personagens ligados à religião.
O interessante ao acompanhar o desenvolvimento da história de Ambrósio e de todos os demais personagens é ver o clima sombrio criado pelos produtores, que também exploram o cenário, de lindas imagens naturais, e os jogos de câmera para construir uma ótima produção – apesar das transições de cenas serem muito simples e até mesmo ultrapassadas. A trilha sonora contribui para que o suspense fique ainda mais evidente, apesar de não ser o tipo de suspense que estamos acostumados. Acaba sendo impossível se esquecer de citar sobre a fotografia, que também dá um charme a mais para o filme. De qualquer forma é um suspense que deixa todos com os olhos atentos pelo fato de inúmeras revelações aconteceram ao longo da história.
Algo que é necessário citar é a dublagem, mas não dá para saber até que ponto isso foi um problema apenas da versão em português. Como dá para saber ao ler a sinopse, o personagem Valério – que usa uma máscara - é protagonizado pela bela atriz Déborah François, porém a voz feminina não engana o espectador, ao contrário do que acontece com os personagens. Talvez devesse ser algo para ser pensado antes da gravação ou até mesmo da dublagem, já que acaba sendo irritante estar na cara de todos que por baixo da máscara existe uma mulher e não um monge como qualquer outro do mosteiro.
Como citado no início, o que encanta no cinema europeu é a delicadeza de tudo o que envolve suas produções, e em O Monge, parceria entre França e Espanha, percebemos isso principalmente na atuação de Vincent Cassel, o grande destaque do longa-metragem por interpretar um personagem difícil. Em todos os momentos Cassel mostra estar preparado para essa produção, além de realmente viver os dramas do protagonista, passando a verdadeira emoção através de seu olhar e expressões.
Com algumas cenas marcantes, o filme também possui sensualidade e até mesmo nudez, por isso é bom não esperar por um filme religioso, apesar do nome e até mesmo do pôster. Na verdade, o único propósito de O Monge é mostrar que ninguém está livre do pecado e que o desejo carnal pode transformar qualquer pessoa e levá-las a cometer loucuras contra os seus próprios princípios.