Não Conte a Ninguém (Ne Le Dis à Personne)

Estreia: 2006 (Mundial)

Resenha: A princípio o livro Não Conte a Ninguém (Resenha), de Harlan Coben, seria adaptado pela indústria hollywoodiana, mas uma série de problemas impediu que isso acontecesse e sobrou para o cinema francês. Pior para Hollywood, que mesmo com os direitos para a produção do remake, dificilmente terá o brilhantismo do filme dirigido por Guillaume Canet.
Em Não Conte a Ninguém, o pediatra Alex Beck (François Cluzet) recebe um misterioso e-mail que lhe mostra uma suposta imagem ao vivo de sua esposa Margot (Marie-Josée Croze), morta há oito anos. Essa reaparição de Margot coincide com a descoberta de dois corpos próximos ao local onde ela teria sido assassinada, por isso muitas perguntas passam a não ter respostas e o próprio Alex é considerado suspeito por essas mortes. Sem saída, ele precisa agir para provar sua inocência e descobrir até que ponto o e-mail não é apenas uma cilada.
Adaptar livros para o cinema sempre causou discórdias e críticas, sobretudo em relação à fidelidade de tudo o que foi colocado nas telas, mas poucas vezes encontramos um filme que podemos dizer estar realmente fiel ao que estava nas páginas de um grande sucesso literário. Esse é o caso de Não Conte a Ninguém, que não só é uma ótima adaptação, como também dá vida a personagens e situações eternizadas pelo excepcional Harlan Coben.
Muita coisa foi mudada, como o nome e as características físicas dos personagens e o próprio cenário em que tudo acontece, porém o essencial estava ali. O mistério era o mesmo. A solução de todos os casos que se encontram no livro permaneceu igual, assim como o drama vivido pelo protagonista e a emoção sentida por Dr. Beck ao pensar na possibilidade da esposa, que tanto ama, estar viva. A essência permaneceu e qualquer leitor que tenha gostado do livro com certeza vai ficar satisfeito com o resultado final, já que se sabe que a perfeição nunca sairá das páginas de um livro.
Claro que um livro sempre será superior e não é justo ficar apenas nessa comparação. Harlan Coben tem a capacidade de deixar o leitor sem fôlego com suas descrições, porém não dá para se esquecer de que isso também aconteceu em algumas cenas de Não Conte a Ninguém, que contou sempre com a belíssima atuação de François Cluzet, convencendo na emoção e na perseguição, além de mostrar estar totalmente em forma para interpretar um personagem que precisa correr contra o tempo – em todos os sentidos.
A trama não se perde em momento algum e todas as situações deixam o espectador apreensivo com o desfecho e encantado com a forma como as mentiras foram usadas sem atrapalhar o desenvolvimento da história. A trilha sonora encanta e pode deixar o espectador fascinado, assim como todo o cenário, seja ele do subúrbio ou do campo. Nem mesmo as mais de duas horas de filme o tornam cansativo e fica fácil desejar que a história continue nos envolvendo, principalmente após a cena final, que tem um clima dramático. Ben Affleck que me perdoe, mas precisará continuar mostrando sua genialidade para que a versão americana não fique abaixo de Ne Le Dis à Personne.