A Viagem do Tigre, Colleen Houck, tradução de Ana Ban, 1ª edição, São Paulo-SP: Arqueiro, 2012, 496 páginas.

Em suas obras, Colleen Houck usa de suas principais paixões para construir um enredo fechado e ao mesmo tempo instigante, que já conquistou fãs em 18 países e teve os direitos de adaptação comprados pela Paramount.
No terceiro livro da série, intitulado A Viagem do Tigre, a protagonista Kelsey Hayes continua suas aventuras ao lado dos tigres, e príncipes indianos, Ren e Kishan. O objetivo, como se sabe desde o início, é ajudar os príncipes a ficarem livres de uma antiga maldição e para isso, todos os protagonistas precisam se envolver em uma perigosa aventura, cercada dos mistérios que estão por trás da encantadora mitologia indiana.

“Ele me agarrou, me puxou de encontro ao seu corpo e me beijou. Foi um beijo cheio de fogo e paixão. Seus lábios se fundiram quentes aos meus. Eu nem tive tempo de reagir antes que chegasse ao fim. Ele se afastou e se dobrou para a frente, apoiado no tronco de uma árvore. Estava ofegante e suas mãos tremiam” (pág. 65).

A cada nova obra, Colleen Houck consegue surpreender e criar situações até então inimagináveis, por isso que a saga continua ganhando um espaço especial na estante e no coração de leitores do mundo todo. O fato é que, apesar de certas inspirações, todos os livros possuem algo novo para transmitir, além de aventuras empolgantes e eletrizantes.
Muitas das características dos livros anteriores continuam sendo determinantes para o desenrolar da história, como as citações de poemas, escritores e até mesmo filmes famosos. As histórias e profecias, tão importantes desde o princípio, estão todas conectadas, ainda que nas entrelinhas, e podem facilitar o leitor que desejar descobrir com antecedência o que vai acontecer. O grande responsável por isso continua sendo o Sr. Kadam e fica fácil compartilhar da mesma opinião de Kelsey: “Eu adorava a forma como o Sr. Kadam contava histórias”.
Nos livros anteriores, as aventuras aconteciam em determinados elementos da natureza. Em A Viagem do Tigre, Kelsey e os tigres precisam enfrentar dragões – vale ressaltar que todos os dragões possuem personalidades marcantes -, em mar aberto e com isso um de seus principais medos é revelado ao leitor. Parte disso mostra a realidade da protagonista, que possui ainda outras características importantes, que a deixa o mais humana possível.

“Na superfície, a água era calma, mas eu sentia que, se olhasse bem nas profundezas, ia ver a água agitada, irrequieta, cheia de pensamentos e lembranças que eu não podia acessar. Mas eu não conseguia enxergar através da superfície daqueles olhos. Não era capaz de arrancar o homem que eu conhecia das profundezas da própria mente. Ele se escondia de mim” (pág. 251).

No primeiro livro da série, A Maldição do Tigre (Resenha), somos apresentados a Ren e facilmente o personagem conquista o leitor, e principalmente a protagonista. Já no segundo livro, O Resgate do Tigre (Resenha), é a vez de Kishan ser revelado em toda sua essência e assim deixar Kelsey confusa. Por fim, em A Viagem do Tigre, tudo acontece ao mesmo tempo e a indecisão da protagonista chega a irritar, principalmente por mudanças na personalidade dos dois tigres.
Entre essas mudanças, o sentimento possessivo de Ren consegue irritar da mesma forma que a indecisão de Kelsey. Após o livro anterior, em que o tigre branco sofreu consequências por ter sido torturado, o mínimo que se esperava era uma resistência maior, o que não acontece. Tudo vai muito rápido e quando menos se esperava, volta ao normal. Então, por alguns instantes, Ren deixa de ser o mocinho por quem todas as leitoras se apaixonaram, enquanto Kishan deixou apenas de ser bad boy – o que pode agradar.
Em uma de suas estratégias de venda, a editora Arqueiro perguntou: “O coração da Kelsey está dividido. E o seu? Você é Team Ren ou Team Kishan?”. Tanto Ren, como Kishan, possuem características únicas e opostas, por isso de início era difícil dizer ao certo qual seria a escolha. A Viagem do Tigre serviu para ajudar, apesar de estar claro que a escolha da protagonista, no final, será contrária ao que desejo.
O antagonista, Lokesh, continua não aparecendo tanto quanto deveria, porém, com mais um final de deixar o leitor impaciente pelo próximo livro, percebemos que em O Destino do Tigre, previsto para ser lançado já no primeiro semestre de 2013, isso não deve acontecer. As intenções, e atitudes de Lokesh, demonstram que ele terá grande importância – é o que se espera de um vilão. De qualquer forma, a autora continua nos brindando com uma saga cheia de ação, suspense, mitologia, um romance exagerado, ao mesmo tempo em que uma história encantadora nos envolve. Fica fácil entender porque a série está se tornando um verdadeiro fenômeno. Se não fosse o tal romance...

“Eu ficaria total e desesperadamente sozinha. Do mesmo modo que acontecera com Li antes, eu precisava escolher. Precisava escolher entre o amor devastador de Ren, que me deixava tão ávida que às vezes eu me esquecia de respirar, e o brilho constante, a bondade infinita e o conforto que Kishan me oferecia” (pág. 389).

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