Inverno da Alma (Winter’s Bone)


Resenha: Indicado em quatro categorias do Oscar 2011, Inverno da Alma foi o filme de menor orçamento desde 1983 a ser indicado como Melhor Filme, mas se destacou principalmente por uma das melhores atuações individuais dos últimos tempos.
Apesar de ter apenas 17 anos, Ree Dolly (Jennifer Lawrence) tem grandes responsabilidades em sua vida, como cuidar dos irmãos mais novos e da mãe doente. Mas ela ganha uma nova missão quando descobre que seu pai usou a casa da família para garantir sua liberdade condicional. O problema é que o pai, que está sumido, precisa comparecer à justiça para que a família não perca a casa, por isso Ree precisa agir e arriscar a própria vida em busca da verdade.
Inverno da Alma foi classificado por alguns críticos como um suspense e muitas vezes esperamos que esse tipo de filme nos deixe sem fôlego por uma série de acontecimentos ao longo da trama, por isso que quando assistimos algum filme do gênero e ele não atende tais expectativas, nos sentimos um tanto decepcionados. Foi o que aconteceu com Inverno da Alma, que possui uma história muito bem elaborada, porém que se desenrolou com uma lentidão incomum – talvez o único problema.
O desaparecimento do pai de Ree está cercado por muita mentira e pessoas dispostas a tudo para evitar que a verdade venha à tona, por isso a personagem precisa ter cautela, o que acaba sendo um fator prejudicial para quem não espera um filme que envolve um drama pessoal. Apesar de ser ameaçada por todos os lados, o que como consequência gera cenas marcantes e angustiantes, o que mais chama a atenção é a personalidade de Ree e como ela assume as responsabilidades, mesmo sendo muito jovem para isso. A grande responsável por isso é a atriz Jennifer Lawrence, que como citado fez uma das atuações individuais mais brilhantes dos últimos tempos.
Quando Inverno da Alma chegou aos cinemas, Lawrence tinha apenas 20 anos e já disputou o Oscar de Melhor Atriz, que na ocasião ficou com Natalie Portman, protagonista em Cisne Negro (Resenha). Mas, independente de quem faturasse esse prêmio, a estatueta estaria em boas mãos e talvez o que foi fundamental para a escolha de Portman foi o conjunto da obra em Cisne Negro. Ao contrário de Portman, acompanhada de outros excepcionais nomes do cinema, Lawrence precisou carregar o filme sozinha nas costas. Carregou muito bem. Atuou como gente grande. Passou emoção, sofrimento e dor, além de ter dado vida a uma personagem forte e que necessitou de muito envolvimento – a ponto de a atriz aprender cortar lenha e até mesmo tirar a pele de esquilos.
Mesmo com a grande atuação de Lawrence, e tudo o que Ree passa ao longo do filme, o que realmente dá o clima de suspense para Inverno da Alma é a trilha sonora que anda junto com o cenário, por vezes frio – em todos os sentidos – e com uma carga de mistério tipicamente de um povoado. Sendo assim, é fácil entrar no clima e sentir o verdadeiro inverno interior das personagens principais.
Também com uma ótima atuação de John Hawkes, que interpreta o tio de Ree e único capaz de ajudá-la, o filme possui um excepcional roteiro, que aparentemente é mais do mesmo, mas que na verdade é muito original, por isso apenas a lentidão decepciona. As reviravoltas estão presentes, assim como cenas incríveis – leia, por exemplo, “cena do barco”. Algumas dúvidas podem até ficar no ar, mas quanto a jovem Jennifer Lawrence... Essa garota vai longe!