Um Porto Seguro, Nicholas Sparks, tradução de Ivan Panazzolo Júnior, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2012, 414 páginas.
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Alguns autores possuem um estilo de escrita que pode se perder com o passar dos anos, mas isso não tira o mérito de seus livros, principalmente quando esses continuam de alguma forma emocionando. É o caso das obras de Nicholas Sparks, autor de vários livros, inclusive A Escolha (Resenha), e que já teve mais de 75 milhões de exemplares vendidos no mundo todo.
Um Porto Seguro, lançado originalmente em 2010, conta a história de Katie, uma misteriosa mulher que acaba de chegar em Southport, cidade na Carolina do Norte. Aos poucos ela vai se adequando a essa nova vida, enquanto trabalha em um conhecido estabelecimento da pequena cidade. Katie vive sozinha, por isso não demora a criar um laço de amizade com Jo, sua simpática vizinha, que acaba incentivando o início de uma aproximação com Alex, um viúvo e ótimo pai para seus dois filhos.
Tudo conspira para que ambos se apaixonem, inclusive a relação de Katie com os filhos de Alex, mas um segredo do passado da bela mulher pode colocar em risco não apenas o relacionamento, como também a própria vida de Katie, que sabe apenas que mais cedo ou mais tarde o passado irá voltar para atormentá-la, e quando isso acontecer, apenas o amor pode ajudá-la.

“É claro, aquilo não significava que ele estava pronto para mergulhar de cabeça na vida de solteiro. Se acontecesse, tudo bem. E se não acontecesse? Ele imaginava que só pensaria em atravessar aquela ponte quando chegasse até ela. Estava disposto a esperar até encontrar a pessoa certa, alguém que não somente trouxesse a alegria de volta à sua vida, mas que amasse seus filhos tanto quanto ele os amava”  (pág. 33).

Que Nicholas Sparks possui uma fórmula pronta para escrever seus livros nunca foi um segredo, mas provavelmente apenas com a leitura de Um Porto Seguro que isso ficou claro, já que as obras lidas até então tinham pouca relação. No entanto isso não acontece com esse livro, onde encontramos principalmente personagens semelhantes aos de Um Homem de Sorte (Resenha), personagens esses que podemos considerar que são totalmente estereotipados.
A história é simples e não se diferencia em nada: vivendo em uma pequena cidade da Carolina do Norte, os personagens se conhecem, se apaixonam e logo percebem que se completam e que por isso não podem se afastar, mesmo sabendo que um relacionamento no momento em questão não é o melhor que pode acontecer. Não demora muito para que algo aconteça e eles precisam provar que o amor é verdadeiro e capaz de superar qualquer obstáculo.
No meio disso tudo surge Kevin, um policial de extrema importância para o decorrer da história, mas também um personagem chato – ainda mais chato do que os primeiros momentos de Katie, que ao menos nas páginas iniciais demonstra ser uma mulher sem graça. Ao contrário de Katie, Kevin é totalmente cheio de graça, no pior sentido da palavra, e o leitor se vê obrigado a fazer uma pergunta: como alguém pode conviver com esse homem e ainda aceitar tudo o que é imposto por ele?
Mesmo sendo um personagem chato e também estereotipado, percebemos que Sparks trabalhou muito bem na construção da personalidade do policial, que possui uma série de distúrbios, talvez até mesmo transtorno bipolar, onde em um único devaneio atinge dois extremos: o de bondade e maldade. E justamente nesses devaneios, que são constantes, que o personagem acaba irritando ainda mais, já que repete de forma excessiva as suas intenções e isso não é nada bacana para a leitura.
Como já citado, Um Porto Seguro segue a mesma estrutura de outros livros do autor, por isso já esperamos o que pode acontecer. Isso também acontece na forma como o autor divide os capítulos entre Katie, Alex e o próprio Kevin. Em sua maioria os capítulos são curtos, e a leitura flui de uma maneira única, prendendo o leitor em grande parte da história, sobretudo no final, onde novamente encontramos semelhanças com o livro protagonizado por Logan e Beth, já que ambos possuem uma tensão que geralmente não esperamos em livros românticos, mas que dá certo.
Com importantes relatos sobre o passado de Katie, o livro pode ser considerado mais chocante do que emocionante, apesar de também ter cenas capazes de emocionar – inclusive nas tais partes chocantes. Possui os comuns encontros românticos, a relação dos personagens com o passado, os segredos/mistérios por trás de um dos protagonistas e por fim um desfecho parcialmente esperado. Mas Sparks é sempre Sparks, e até mesmo quando menos esperamos, ele consegue surpreender ao mostrar que o impossível pode sim acontecer quando existe o amor, e deixar o leitor por algum tempo refletindo sobre amá-lo ou odiá-lo por aquilo que escreveu, mas também feliz por saber que nos braços de um grande amor, podemos encontrar o nosso porto seguro. Resta torcer para que o filme de Lasse Hallström, previsto para abril, não perca a essência e passe essa importante mensagem.

“Ela suspirou. “Alex...” Ele era a única coisa em que ela conseguia pensar agora. Mais tarde, era no que ela conseguia pensar. Ele a amava e a queria. E, mais do que qualquer coisa, ela queria lhe mostrar que sentia o mesmo por ele. Queria sentir seu corpo contra o dela, queria-o por inteiro, pelo tempo que ele quisesse. Para sempre” (pág. 354).

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