Conselho de Amiga, Siobhan Vivian, tradução de Maysa Monção, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2012, 224 páginas.
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Não importa a classe social, o país em que vive ou os costumes, qualquer adolescente passa por momentos conturbados e enfrenta problemas que podem abalar uma relação familiar ou simplesmente de amizade. Isso é tão natural na realidade que acaba se tornando um tanto maçante na ficção, ainda que esses mesmos adolescentes busquem algo em que possa se identificar.
Em seu primeiro livro lançado no Brasil, Não Sou Este Tipo de Garota (Resenha), a autora Siobhan Vivian, que atualmente é professora da Universidade de Pittsburgh, questionou a forma como as garotas deveriam se comportar perante algumas situações clássicas na vida de uma adolescente. Em Conselho de Amiga, a autora volta a fazer questionamentos presentes na adolescência, porém agora envolvendo segredos de família e amigas.
Para isso, a autora nos apresenta a personagem Ruby, que está completando dezesseis anos e como surpresa, não tão agradável, recebe a visita inesperada de seu pai, que a deixou com sua mãe e não manteve contato durante anos. O que poderia ser um encontro aguardado, e por isso proveitoso, se torna um verdadeiro pesadelo para a personagem, que para evitar o contato direto com o pai, sai com suas melhores amigas para aproveitar essa data tão especial.
Conforme o tempo passa, Ruby se pergunta se não deve se encontrar com o pai, ao mesmo tempo em que ouve os conselhos de suas amigas, de personalidades distintas, e enfrenta pequenas intrigas que atingem esse grupo de amizade. E para piorar, surge a presença de um garoto, que apenas deixa Ruby mais confusa, enquanto percebe que suas amigas guardam segredos e por isso é preciso estar preparada para descobrir que a amizade pode não ser tão verdadeira quanto aparentava.

“Somos como dois amigos que foram juntos para a guerra. Temos uma história, nos amamos e somos companheiras, mas nenhuma de nós quer reviver as batalhas por que passamos ou comparar nossas feridas. Estamos satisfeitas com o passado que pesa entre nós sem fazer nenhum comentário ou suspiro. Nenhuma de nós quer puxar o gatilho das memórias doloridas” (pág. 89).

A princípio Conselho de Amiga passa a impressão de utilizar uma ideia um tanto comum, e se estudá-lo profundamente percebemos que isso de fato acontece no livro de Siobhan Vivan, que tem grandes chances de conquistar o público adolescente, mas que dificilmente convencerá pessoas mais velhas de que essa história é boa a ponto de se dedicar um tempo para leitura. Não dá para negar que a autora utiliza uma linguagem simples, e até mesmo viciante, possibilitando a leitura em questão de horas, porém falta algo capaz de inovar.
Com uma narrativa em primeira pessoa, e alguns capítulos que mostram passagens importantes do passado de Ruby, nos deparamos com situações desnecessárias e outras hilárias, mas que ainda assim não funcionam como forma de engatar a história. Se não bastasse esse pequeno detalhe, encontramos uma protagonista com atitudes infantis, ao menos na visão masculina, e com mudanças repentinas, seja no humor ou em sua relação com as amigas. Pode não fugir da realidade, mas ainda assim é capaz de irritar o leitor.
Desde o início já sabemos como será o desfecho de algumas situações, porém conseguimos nos surpreender e isso que faz a diferença. Tudo ganha um sentido quando a verdade é revelada, ainda que não deixe de ser normal, e nos perguntamos por alguns instantes se aquilo foi a melhor decisão dos personagens envolvidos, o que pode causar grande discussão, já que a proteção nem sempre é o melhor caminho.
Aparentemente o pouco destaque dado ao romance de Ruby com Charlie, com quem ela descobre as facetas do amor, é algo diferente de outros livros do gênero, e talvez esse seja um ponto interessante de Conselho de Amiga, um livro que a autora tinha um objetivo claro: mostrar que como humanos, somos vulneráveis e suscetíveis a erros, mas que nem sempre existe uma desculpa ou é possível conseguir o perdão, principalmente quando tais erros prejudicam o lado pessoal de terceiros.

“Não dá nem para acreditar em tudo o que aconteceu nos últimos dias. Não tenho bem certeza do que vou fazer com todas essas memórias e sentimentos novos. Se fosse antes, eu apenas os evitaria. Mas isso já não é mais o certo. Fiz uma espécie de antidistintivo de bandeirante. Queria usá-lo, não mais esquecer disso” (pág. 223).

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