Para Roma com Amor (To Rome with Love)


Resenha: Woody Allen costuma ser sempre lembrado em papos sobre cinema, e um dos principais motivos é a quantidade de prêmios que o ator e diretor americano conquistou em quase cinquenta anos de carreira. Trabalhando em ao menos um filme por ano, muitas vezes Allen é sinônimo de inovação, mas também corre o risco de desagradar e não superar trabalhos anteriores. Esse talvez tenha sido o medo de seus fãs com o lançamento de Para Roma com Amor, sucessor do vencedor do Oscar, Meia Noite em Paris.
Baseado no clássico Decamerão, escrito por Giovanni Boccaccio entre 1349 e 1352, Para Roma com Amor se passa nos dias atuais e conta quatro histórias: a primeira do casal Jerry e Phyllis (Woody Allen e Judy Davis), que viaja para Roma para conhecer a família do noivo de sua filha. A segunda história nos apresenta a Leopoldo (Roberto Benigni), um homem que tem sua vida mudada quando passa a ser confundido com uma estrela do cinema. Já o arquiteto americano John (Alec Baldwin) vai para Roma e ali conhece o jovem Jack (Jesse Eisemberg), pra quem dá conselhos sobre a vida e a relação desse jovem com a namorada, Sally (Greta Gerwig) e a amiga de Sally, Monica (Ellen Page). Por fim a história menos significativa mostra o casal Antonio e Milly (Alessandro Tiberi e Alessandra Mastronardi), que se afastam por algumas horas, o que é suficiente para ele se envolver com a prostituta Anna (Penélope Cruz) e ela conhecer um de seus ídolos do cinema.
O filme tem muitos elementos comuns do cinema europeu, principalmente no humor, que pode até ser considerado sem graça em alguns momentos, porém é característico do cinema italiano, que não costuma abusar para conquistar e tirar gargalhadas de quem assiste – e sempre consegue. Porém, outra marca natural que encontramos é a divisão de história, o que também acontece em As Idades do Amor (Resenha) e Guerra dos Sexos (Resenha). A diferença é que o único ponto em comum dessas histórias é o cenário, já que em nenhum momento elas se encontram, podendo inclusive se passar em espaço de tempo diferente, seja em um dia ou em vários deles, ainda que sejam contadas simultaneamente.
Os apaixonados pela capital italiana certamente vão se encantar com o trabalho de Allen, ao menos nos jogos de câmera que buscam enfatizar a beleza de Roma, principalmente quando se trata dos prédios históricos e do modo com que os italianos vivem o dia-a-dia, com destaque para a história de Roberto Benigni.
A mescla de nomes conhecidos e desconhecidos proporciona momentos agradáveis, e mesmo que tenha se dividido para o roteiro, a direção e a atuação, Woody Allen, com seus 77 anos, é o nome mais engraçado, dando a ideia de que o personagem Jerry não poderia ter sido interpretado por outro ator. Mas em certo momento a história envolvendo Jerry é meio que deixada de lado, já que poderia se tornar dispensável, e quem tem a responsabilidade de conduzir o filme é Benigni, outro ator que proporciona situações hilárias, além de algumas caras e bocas imperdíveis. Só não podem ser esquecidos os nomes de Alec Baldwin, uma espécie de “voz da consciência” de Jesse Eisemberg, e Penélope Cruz, sensualizando na pele de Anna.
Se realmente não supera os demais filmes do diretor, como sugere os críticos, apenas os fãs assíduos poderão dizer, mas uma coisa é certa: mais do que simplesmente divertir, como qualquer outra comédia romântica, Para Roma com Amor consegue transmitir mensagens interessantes sobre o amor, que não por acaso está no título da produção. Afinal, é válido trocar o certo pelo duvidoso? Até que momento de nossa vida o talento deve falar mais alto? Um homem de sucesso é capaz de conviver com o fracasso? São perguntas simples, mas que Woody Allen consegue responder de uma maneira a la italiana.