Criaturas fantásticas dominam o mundo de A Saga de Mitrax e buscam por magia e poder se enfrentando em uma guerra criada pela mente, vejam só vocês, de um físico. Um físico que deu um sentido maior para a frase “de gênio e louco todo mundo tem um pouco”, já que usou de sua genialidade e inteligência para criar uma história que envolveu filosofia, mitologia, magia, física, ação, humor, e claro, loucura; muita loucura em uma mistura de Harry Potter, O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Gelo e Fogo. E se você pensa que Sérgio Roberto de Paulo, que estreou no mercado editorial com A Grande Rainha (Resenha), está satisfeito com apenas o primeiro livro, você está muito enganado e por isso não só pode como deve ficar De Olho Nele:
Over Shock - Sérgio, gostaria de agradecer pela confiança no trabalho realizado pelo blog Over Shock e por conceder essa entrevista com exclusividade. Para iniciar o nosso papo, conte para os leitores quem é o escritor Sérgio Roberto de Paulo.
Sérgio Roberto de Paulo - Bem, sou um professor universitário. Trabalho no Instituto de Fisica da Universidade Federal de Mato Grosso. Dou aulas de Física e adoro fazer isso. Atualmente pesquiso sobre o Ensino de Física e sobre Física Ambiental. Tenho uma esposa, que é minha colega profissional, e duas filhas.

Over Shock - Em que momento de sua vida você descobriu o prazer da leitura e da escrita?
Sérgio - Bastante cedo, pelo que me lembro. Talvez lá pelos 12 ou 13. Li muito dos clássicos até os vinte anos, como A Ilíada e o Fausto de Goethe. Comecei a escrever aos 15. Escrevi muito até vinte e poucos anos, depois parei para me dedicar à vida profissional. Assim, fiquei mais que vinte anos sem escrever ficção até que retomei, há uns três anos, quando a Saga de Mitrax praticamente explodiu de meu interior e me fez passear os dedos pelo teclado.

Over Shock - Você possui graduação e doutorado em Física pela Unicamp, mas antes dessa especialização você pensou na possibilidade de viver da literatura, ou o desejo de publicação surgiu posteriormente apenas como um hobby?
Sérgio - Não, nunca pensei em viver da literatura, pois a profissão que escolhi foi a de físico. Por outro lado, não diria que foi um hobby, pois, como disse, a história tomou conta de mim e “tive” que publicá-la. Contudo, adoro escrever e adoro a série que estou escrevendo.

Over Shock - Qual foi o seu sentimento ao ver a sua obra pronta pela primeira vez?
Sérgio - Bem, o sentimento é indescritível, não sei se há algum termo para descrevê-lo. É como um sonho bom. Emocionante. Contudo, antes eu imaginava que, quando visse pela primeira vez A Grande Rainha na vitrine de uma livraria, ficaria extasiado, mas, estranhamente, quando isso aconteceu, o sentimento predominante que tive foi o pensamento de que eu ainda não fiz nada e que há muito ainda a fazer.

“As flechas cravaram-se precisamente nos olhos do bicho. Ele enlouqueceu, contorcendo-se para todos os lados e mordendo o que vinha pela frente, mas continuando a se deslocar. Irvine se colocou de lado e o agh passou por ela. Abocanho uma árvore com uma força tão grande, tomado pela dor nos olhos, que a arrancou do chão. Com o movimento abrupto, o gigante foi derrubado.
Ele, então, se levantou rápido. Estava furioso e gritava:
- Tu thuellai! Ai chom are! Natda!”. – conto Vivendo por um Beijo (A Saga de Mitrax)

Over Shock - Talvez o que mais chamou atenção em “A Grande Rainha” foi o mundo criado por você, já que possuí uma riqueza de detalhes impressionante. Quanto tempo foi necessário para a criação de tudo o que existe nessa saga? E quanto tempo durou a escrita e preparação de seu livro antes da aguardada publicação?
Sérgio - Na verdade, isso é um processo. A cada dia veem novas cenas e personagens na minha mente e o universo de Mitrax vai se descortinando. Isso é um tanto desesperador, pois a quantidade de elementos que surgem na minha mente é muito maior que minha capacidade de escrita, tudo o que posso fazer talvez é um resumo da história (por isso a narrativa de A Grande Rainha, e também dos demais livros ainda não publicados, é rápida). Posso também deixar elementos para introduzir mais tarde. Contudo, isso não é algo extraordinário, pois já vários autores disseram que passam por esse mesmo processo. A escrita de A Grande Rainha deu-se em mais ou menos seis meses, escrevendo nas horas vagas.

Over Shock - Você acha que a mistura de elementos de vários livros conhecidos pode atrair ou afastar novos leitores para sua obra?
Sérgio - Essa é uma pergunta bastante interessante e inteligente. Acredito que alguns elementos vão atrair o leitor, pois os clássicos realmente possuem diversos atrativos, contudo, outros elementos podem tornar trechos da obra um pouco enfadonhos para muitas pessoas. Refiro-me mais especificamente aos ensinamentos. Em A Grande Rainha, por exemplo, temos as discussões filosóficas entre Aara e Aldebaran acerca da estrutura da realidade que vivenciamos que pode parecer enfadonho para diversos leitores. Nos livros seguintes, há passagens que versam sobre geometria e álgebra que possivelmente alguns vão querer pular. No entanto, os Doze Ensinamentos que são passados de Aldebaran para Aara são a espinha dorsal da série. Na verdade, tudo o mais gravita em torno disso. Mas eu posso fazer o que faço com os meus alunos. Por exemplo, os conceitos da Mecânica Quântica são muito difíceis de serem entendidos e uma aula sobre isso pode ser extremamente chata. Contudo, posso rechear a aula com histórias interessantes e assim passar algum recado.

Over Shock - “A Grande Rainha” é apenas o primeiro livro da série A Saga de Mitrax. Você pode contar um pouco do que seus leitores encontrarão na continuação dessa obra?
Sérgio - Nossa, há tanta coisa que nem sei o que dizer! Vou fazer breves recortes: em O Senhor do Gelo, o segundo livro, descreve-se um pouco sobre a vida das ondinas, as elementais da água; em Os Cinco Príncipes sobre a sociedade e personalidade complexa dos elfos; e em O Fogo de Dracmali, sobre as salamandras, as elementais do fogo. Alguns personagens que podem chamar a atenção: o elfo Bing Mocha Aeris Clarivarius, que se manifesta em quatro formas diferentes; o capitão Phoebe, um pirata que perdeu as duas pernas, vítima do ataque de uma hidra; o anjo caído Belial, um gênio inventor, que se torna amigo de Lianor e Theobaldo; a maga Belatrix, extremamente boa, mas completamente pirada e, é claro, Zeilig, um porqueiro atrapalhado, por quem Aara se apaixona em O Senhor do Gelo. Toneladas de novas histórias de Gdu. Dragões, muitos dragões. A maneira com que os anjos veem o mundo, que é completamente diferente da nossa. A missão dos arcanjos através do Universo. Alienígenas. Dor, emoção e alegria.

“No instante em que o peso de seu corpo foi projetado sobre os pregos, uma torrente abundante de sangue jorrou das mãos da rainha e a espada de Alionor, à medida que a terra se encharcava, afundava ainda mais no chão. A dor da dilaceração de suas mãos era tamanha que ela ficou completamente sem ar” – A Grande Rainha (pág. 220).

Over Shock - Como você vê o atual mercado editorial brasileiro? E como você imagina esse mercado em 2023?
Sérgio - Eu sou bastante otimista. Embora vivemos num país em que as autoridades não conseguem tirar a educação de índices desprezíveis e modesto hábito de leitura por parte da população, estou vendo que, em plena era da informática, há um enorme número de jovens que amam os livros. Por outro lado, aliado ao trabalho fundamental dos blogs literários, há uma nova geração de escritores nacionais absolutamente incríveis, que estão ganhando espaço no mercado editorial. Parece-me que algo está emergindo nisso tudo e o instinto que tenho é que daqui dez anos vamos ter um vigoroso mercado editorial no Brasil.

Over Shock - Sabemos que os principais eventos literários do país se concentram no eixo Rio-São Paulo. Morando em Cuiabá, você acha que encontrará dificuldade para divulgar sua obra?
Sérgio - Acredito que não, pois nos dias de hoje podemos contar com facilidades como a internet. Mas principalmente acho que não terei dificuldades devido ao trabalho desenvolvido pelos blogs literários como o Blog Over Shock.

Over Shock - A cada dia que passa o livro digital ganha mais adeptos e justamente por isso as editoras brasileiras começam a apostar nesse formato, o que já acontece em outros países. Para você, até que ponto o livro digital pode ajudar os escritores iniciantes?
Sérgio - Acredito que possa ajudar muito, pois o custo de produção é baixo. Assim, as editoras que apoiam os escritores iniciantes, como a Novo Século, têm melhores condições de lançar o livro de um autor desconhecido. Contudo, acho que o livro eletrônico não fará com que o impresso desapareça, muito pelo contrário, da mesma forma que o DVD não fez com que o cinema se extinguisse.

Over Shock - Jogo Rápido:
O Senhor dos Anéis: A obra fantástica mais importante por ter sido a precursora.
Harry Potter: A obra mais importante da atualidade. Por isso a mais vendida.
As Crônicas de Gelo e Fogo: Fantástica. Tem valor literário. Martin merece o Nobel.
A Grande Rainha: Lágrimas que não são de tristeza.
Aara: Uma menina que sonha e trabalha para um mundo melhor.
Mitrax: Podemos cometer erros.
Gdu: Nunca se sabe o que os gambás estão pensando.
Física: Conhecimento é liberdade.
Futuro: Belo e luminoso.
Sérgio Roberto de Paulo: A carregar o piano.
Gostaria de ter escrito o livro... Tantos! Talvez o mais simples e singelo: O Pequeno Príncipe.
Blogs Literários: Ajudando a fazer desse país um lugar melhor.

Over Shock - Sérgio, novamente agradeço por conceder essa entrevista e aproveito para desejar muito sucesso em sua carreira literária. Para encerrar, deixo o espaço aberto para que você mande uma mensagem especial aos leitores.
Sérgio - Eu é que agradeço pela oportunidade ímpar. Aos leitores gostaria de dizer que espero que A Saga de Mitrax possa lhes trazer momentos agradáveis, tão agradáveis quanto um leitor, ávido por viajar através de mundos fantásticos, espera encontrar numa obra.

Contato com o autor

“Aldebaran foi tomado pela intensidade das sensações. As cores ficaram muito mais vivas. A tênue luz da noite pareceu ficar inexplicavelmente brilhante. Um universo de sons, sussurros, cantos e coros preencheu completamente o ar. Sensações intensas percorreram-lhe o corpo, fazendo-o sentir vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Viu pássaros translúcidos, sentados sobre as árvores. Viu nuvens de cristal e, em torno de si, unicórnios, sacis, fadas e silfos” – conto As Três Marias (A Saga Mitrax).