O Lorde Supremo, Trudi Canavan, tradução de Frank de Oliveira e Júlio Monteiro de Oliveira, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 624 páginas.
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Quando A Trilogia do Mago Negro chegou ao Brasil, muitos leitores apostaram suas fichas na trilogia de estreia da australiana Trudi Canavan, mas também muitos se decepcionaram com o primeiro livro, O Clã dos Magos (Resenha). Havia motivos para essa decepção, assim como havia motivos para dar uma segunda chance, que poderia confirmar o sucesso em outros países mundo afora. Felizes aqueles que não tiveram receio em continuar com essa leitura, que pode facilmente ser classificada como surpreendente.
Após ter seus poderes revelados e passar a aprender tudo o que envolve a magia, a personagem Sonea ainda tem muito no que se aventurar, assim como aprender, e apesar de ser uma garota pobre que viveu sua vida inteira na favela, ela não demora a conquistar o respeito de todos ao seu redor. Em O Lorde Supremo, último livro da trilogia, Sonea mostra a sua importância e o poder absurdamente fundamental para o Clã dos Magos.
Mas ainda nos primeiros momentos de Sonea no Clã, ela presenciou algo proibido e por isso agora guarda um segredo. Um segredo que a obriga a ficar lado a lado com o Lorde Supremo, ao mesmo tempo em que um antigo inimigo pode declarar guerra contra Kyralia. E tudo o que Sonea aprendeu nos últimos anos dentro do Clã pode ser fundamental para a vitória ou o declínio dos magos e de todas as terras aliadas.

“Um sentimento de culpa tomou conta de Cery. Ele pensou na maneira como Savara fizera seu coração disparar. Como ele poderia se permitir admirar uma mulher estranha, em quem provavelmente não podia confiar, quando ainda amava Sonea? Mas Sonea estava além de seu alcance. E, de qualquer forma, ela nunca o havia amado. Não da maneira como ele a amava. Por que ele não podia pensar em outra?” (pág. 105).

A leitura de A Aprendiz (Resenha) já mostrou aos leitores de Trudi Canavan que a trilogia tinha grandes chances de melhorar com o passar dos livros, mas em nenhum momento podíamos imaginar que a história ganharia rumos inesperados e se tornaria tão complexa e intensa. As primeiras páginas de O Lorde Supremo são destinadas a um resumo dos livros anteriores, porém não demora a ter início um misto de ação, emoção e muitas revelações, principal característica da obra.
No último livro da trilogia temos uma história muito bem estruturada e dividida, para que todos os personagens tenham a merecida atenção. Chegamos ao ponto da história de Akkarin, o Lorde Supremo, ser totalmente revelada, e como acontece em grande parte das mais de seiscentas páginas, são revelações surpreendentes e até mesmo inesperadas. Ainda continuamos aprendendo sobre os demais países (sejam terras aliadas ou não), o passado, o motivo para que uma possível guerra se inicie, e até mesmo os principais detalhes de algo temido por todos: a magia negra.
Com todos os acontecimentos ao longo do livro, percebemos que o Clã dos Magos não quer abrir mão de seus ideais e aceitar o uso da magia, mesmo sabendo que isso pode ser a única escolha em uma guerra contra inimigos de forças superiores. Mas há motivos para essa insistência, o que nos leva a seguinte questão: vale a pena quebrar a tradição para evitar uma tragédia?
Em grande parte de O Lorde Supremo, os magos superiores fazem esse tipo de questionamento, enquanto também se preparam para a guerra. Uma guerra que transforma a rotina dos magos e dos moradores de Imardin, e que proporciona muita ação, talvez não em intensidade, mas em importância. E mesmo que existam poucas mortes, todas elas são significativas e até mesmo emocionantes, o que talvez seja o grande diferencial em relação aos livros anteriores.
Apesar de existir muitas coisas que podem causar certa emoção, apenas no terceiro livro isso é explícito, já que existem despedidas, reencontros, mentiras, dúvidas e aproximações que fazem com que o lado sentimental ganhe uma importância maior. E com a emoção falando mais alto, logicamente que existiriam romances, alguns que podem ser considerados sem sentido, e indecisões relacionadas ao coração. Aliás, será que qualquer relacionamento entre duas pessoas gera um possível romance? Aparentemente no mundo de Canavan sim!
Em um livro repleto de magia, em todos os sentidos da palavra, O Lorde Supremo fecha em grande estilo a primeira trilogia da autora e presenteia o leitor com cenas marcantes, uma história rica, um mundo diferenciado e muitas questões sociais, assim como já existe em grande quantidade nos livros anteriores. Uma trilogia que conquistou e que criou uma grande expectativa por The Traitor Spy Trilogy, segunda trilogia da série de Kyralia.

“Quando o escudo passou sobre ela, Sonea agarrou o pedaço de madeira, levantou-se e fez um corte na parte de trás do pescoço da mulher. A mulher começou a se virar, mas Sonea havia antecipado isso. Ela pressionou a outra mão contra a ferida e concentrou toda a vontade em extrair energia para dentro de si tão rápido quanto possível” (pág. 208).

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