Frankenweenie


Resenha: Em 1984, quando lançou o curta-metragem Frankenweenie*, o diretor Tim Burton ainda era desconhecido e estava participando da produção de seu sétimo curta. Mesmo sem nenhum grande filme, que viria apenas no ano seguinte, Burton já demonstrava ser um diretor com características singulares, que mais tarde se tornariam sua marca registrada. Chegou a ser demitido da Disney, porém deixou um curta de grande importância para sua carreira.
Na ocasião, o diretor tinha a intenção de produzir um longa-metragem com a técnica do stop-motion, o que não foi possível devido ao alto orçamento necessário. Quase trinta anos depois, Burton finalmente realizou o seu desejo com a animação Frankenweenie, que conta a história de Victor Frankenstein (Charlie Tahan), um garoto que fica triste quando seu cachorro, Sparky, morre atropelado, e após uma aula de Ciências, aproveita o que foi ensinado para tentar reviver o cão. Para isso, Victor cria uma grande engenhoca capaz de estimular o cadáver de Sparky através da eletricidade. O experimento dá certo, porém o garoto não imaginava o quanto isso causaria confusão para todos ao seu redor.
Em uma animação divertida e com o toque sombrio e inusitado dos trabalhos de Tim Burton, Frankenweenie em nada se assemelha aos grandes clássicos da Disney, o que pode conquistar não apenas os fãs do diretor, como também aquele público que ainda não teve a oportunidade de conhecer os sempre geniais trabalhos de Burton. Totalmente em preto e branco, o filme tem uma mistura de comédia e terror, aproveitando-se disso para parodiar o clássico Frankenstein, escrito por Mary Shelley entre 1816 e 1817.
Assim como se espera ao ver a ficha técnica, o filme começa de forma empolgante, já se destacando ao apresentar os personagens, que de bonitos não têm nada, e a relação de Victor com seu cachorro Sparky, essa sim muito bonita de se acompanhar. Além disso, aos poucos vamos compreendendo a importância de cada um dos personagens, personagens que a partir da segunda metade do filme ganham um destaque especial e compreendemos então que não são meros coadjuvantes, e que possuem características que apenas completam o que está acontecendo.
E justamente quando notamos essa importância que somos obrigados a comparar a animação com o curta-metragem de 1984. Também filmado em preto e branco, o curta segue uma linha bem divertida ao mostrar as confusões que o cachorro que voltou à vida causa com os vizinhos de Victor, interpretado na ocasião por Barret Oliver. Mesmo com atuações fracas, Frankenweenie, o curta, passa em apenas trinta minutos, uma mensagem idêntica àquela que é apresentada pela atual animação.
Logicamente que por ser um longa, a animação necessitava de acréscimos, visando um enredo mais complexo e uma mensagem mais elaborada. O problema é que, a partir da segunda metade do filme, muito do que acontece poderia facilmente ser descartado, já que a confusão se dá exageradamente e em algumas situações repetidamente, às vezes até sem um motivo convincente.
Mesmo que isso aconteça, acaba sendo uma ótima escolha para distração, podendo facilmente agradar as crianças, que encontrarão algo novo nas tão apreciadas animações, como o público mais velho, já que esse sim saberá entender a mensagem por trás da história de um garoto comum, que ao perder o seu amigo e companheiro, não sossegou até encontrar uma forma de trazê-lo de volta a vida, mesmo que pra isso fosse necessário ir a um cemitério e desenterrar o corpo do pequeno animal. Victor só se esqueceu de que a água não teria o mesmo efeito e que Sparky vivo não seria o mesmo de antigamente – mas quem se importa com isso quando o que se quer é viver ao lado de quem ama?

* O curta-metragem Frankenweenie (1984) foi lançado nos extras do DVD de O Estranho Mundo de Jack (1993).