As Palavras (The Words)


Resenha: O brasileiro tem a falsa ideia de que a vida do escritor norte-americano é recheada de facilidades, o que contribui para o sucesso imediato de inúmeros nomes da literatura. Em partes isso é real, porém até mesmo em um país em que mercado editorial proporciona inúmeras oportunidades, existem casos de extrema dificuldade.
O enredo do filme As Palavras é simples, porém dividido de uma forma um tanto complexa. Clay Hammond (Dennis Quaid) é um escritor renomado que visita uma universidade para contar a história de seu novo livro. A história é sobre o também escritor Rory Jansen (Bradley Cooper), que trabalha em uma editora e tem o grande sonho de publicar um livro, porém não é aceito pelas editoras.
Apesar de todo o apoio familiar, principalmente da esposa Dora (Zoe Saldana), Jansen se sente incapaz de escrever uma história boa o bastante para agradar os agentes literários e também o público. E no momento mais difícil de sua luta por criatividade, Jansen encontra um manuscrito perdido e resolve transcrevê-la, assumindo o livro e apresentando-o como sua própria obra. O livro se torna um sucesso e Jansen um escritor reconhecido pela crítica e pelo público. O que ele não imaginava era que um senhor (Jeremy Irons) apareceria em sua vida revelando ser o autor dessa história e passaria a contar a verdade por trás do manuscrito.
Sem um suspense de tirar o fôlego ou um drama capaz de tirar lágrimas, As Palavras é um filme que surpreende positivamente, ainda que não saibamos quais personagens podem ser considerados protagonistas ou apenas secundários. Todos têm certa importância para o enredo, seja o agente literário com suas opiniões, a esposa com os conselhos, o velho com sua história de vida ou os escritores com suas dúvidas.
Em seu elenco, o filme mistura nomes experientes e outros que estão relativamente apenas no início de suas carreiras, mas todos eles deixam transparecer a emoção sentida pelos personagens. Isso basta para que toda história de determinados personagens seja revelada apenas com o olhar, e mesmo a misteriosa Daniella, interpretada pela sempre bela e competente Olivia Wilde, passa a ter sua importância ao sensualizar e querer a verdade sobre a história de Rory Jansen. Mas é Jeremy Irons, na pele de um senhor simpático e claramente de vida sofrida, o responsável pela melhor atuação.
Com três histórias contadas em um único filme e divididas em camadas, aparentemente As Palavras é um filme difícil de compreender, o que na verdade não demora a ser desmentido. Ele não possui nada de extraordinário e inovador, a não ser um enredo que convence por não se focar apenas na atitude de um escritor desesperado para realizar seu sonho. Mostrando a dificuldade pré-publicação e as consequências de uma atitude mal pensada, o filme dos diretores Brian Klugman e Lee Sternthal mostra como uma pessoa reage quando é obrigado a encarar suas próprias escolhas.
Muito provavelmente o filme merece ser visto inúmeras vezes, porque possui coisas que só serão percebidas com o tempo. Coisas importantes para a história e que de alguma forma podem ensinar, fazendo o espectador refletir sobre si mesmo e sobre o preço a se pagar quando assumimos aquilo que não é nosso. E esse preço pode ser caro, mesmo se o maior interessado em cobrar tiver como objetivo apenas abrir o seu coração.