Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.
Em meu último artigo sobre as greves, apontei a violência nas escolas como um dos fatores dos professores se queixarem. Ironicamente na mesma época em que escrevi o texto, um caso de agressão ocorreu no colégio Santos e um professor agrediu um garoto no Rio de Janeiro. Infelizmente, não é de hoje que isto acontece, como podemos ver. Aí tive que parar pra pensar e procurar onde isto começou, quem são os culpados e o que podemos fazer. Algumas notícias me ajudaram a ver como estão as condições atuais e sei que a minha opinião pode soar um pouco agressiva, então peço que leiam com o mesmo olhar crítico que tive que usar pra escrever este texto.
Primeiro gostaria de esclarecer dois pontos: vou dividir este artigo no que considero o contexto histórico e depois vou pro atual. Vou ser obrigado a sair da jurisdição escolar e mostrar a quem lê que não é a escola que fomenta esta barbárie e sim todas as partes envolvidas, além de falar sobre suas diversas categorias: a social onde o aluno não assume o compromisso com o estudo, a verbal onde o aluno procura ofender o professor pessoalmente ou virtualmente e por último a física, que dispensa explicações. Estamos entendidos? Então vamos começar.
Onde começou: segundo um levantamento histórico, nos anos 70 a escola era reservada a elite que podia pagar ou que o filho estudava pra entrar na escola. Só que nesta época com a industrialização do país, começaram os movimentos de inclusão (opinião minha: pra ter onde deixar os filhos dos operários. No bairro da Mooca, em São Paulo, há uma fábrica de rótulos de cerveja de frente a um colégio). Lembro até uma vez que li um texto quando era criança sobre um garoto que queria estudar e ver “as letras saindo redondinhas da ponta do lápis”. Esta ideia assim como a de estudar para entrar na escola e de se manter lá como diria o corvo do Edgar Allan Poe... NUNCA MAIS.
Calma, pessoal. Não estou querendo dizer que a população pobre é responsável pela violência escolar. Há muito colégio até hoje onde a diferença de desrespeito está entre uma caixa de som com funk ou rap e um tablet com Angry Birds. O que quero dizer é o seguinte: a população pobre deixou de precisar lutar por algo que queria e que sabia que só podia obter com esforço. E todos nós sabemos que coisas fáceis não são valorizadas. Na ditadura, podíamos ser presos dependendo dos livros que tivéssemos em casa. Hoje temos um grande número de livrarias, sebos e bibliotecas. O que falta são freqüentadores que não procurem as pérolas aos porcos dos best sellers, gibis ou mangás.
Espero ter esclarecido o que vi em pesquisas sobre o meio histórico. Agora vou entrar no meio atual onde coloco a minha opinião com base em pesquisa e observação. Vamos aos culpados:
Pais / responsáveis: sim, eles são culpados. Muitas vezes já vi casos que alunos saíam na porrada e diziam “mas meu pai disse que se alguém levantar a mão pra mim, eu tenho que devolver”. O problema é que “pai-asso” não se toca que uma hora o filho pode encontrar um aluno mais forte que quando devolver vai ser pra derrubar. E aí cai a culpa no professor não ter apartado a briga. Aprendam uma coisa: nas faculdades não temos aulas de Metodologia do Conflito, Prática em Apartar e Paulo Freire jamais escreveu “é dever do educador impedir que os educandos se matem”. Sempre peço aos alunos para procurarem as autoridades da escola (professor, inspetor, diretor, etc) para comunicarem conflitos e não para serem os justiceiros. E se não sabe educar o seu filho, pra quê o colocou no mundo? Nem venham colocar a culpa em Deus porque preservativos e anticoncepcionais estão aí pra isto. A nossa sociedade é formada por pais ignorantes de tais meios e irresponsáveis, que hoje em dia mandam o filho para escola para poderem trabalhar, para não ficarem com eles em casa ou porque os políticos e a mídia colocaram na cabeça deles que educação escolar e educação civil são a mesma coisa. Aprendam de uma vez por todas: pais EDUCAM. Professores ENSINAM. E pra completar, avaliem o que filho de vocês gostam. É cada coisa incentivadora a violência que vocês nem imaginam.

(nota: estou ciente da desestrutura familiar que atualmente temos. Porém sou do tipo que crê que há diferença entre a impossibilidade de um ato e o bode expiatório)


Mídias: com a popularidade do computador, há muitos sites de entretenimento do mundo jovem que expõem o ato de desacatar um professor como algo divertido e ousado. E quando você reclama de algum deles, falam “que é tudo brincadeira”. Mas cá entre nós, qual é o discernimento de um garoto de 12 anos, por exemplo? Eles veem listas como esta e acham engraçado.
Sociedade: em parceria com a mídia e o governo, ela cria parâmetros e formula estereótipos. Os alunos se sentem marginalizados e aprendem a agir a margem da sociedade com malícia, algazarra e sem se importar com os próprios atos ou com o próximo. Uma vez tive uma discussão com uma aluna e disse que eles não podem ver uma bronca que já gritam agitando confusão. Uma delas disse “ah e o que você quer que eu faça? Que eu a console?” e eu disse “não. Só quero que fique quieta”. Ela não falou mais nada, contudo se fosse dizer ia dizer a coisa mais comum de uma sociedade que se faz de cão sem dono: “ai, professor...”.
Alunos: não adianta vir me dizer que um garoto não tem consciência de seus atos porque é inadmissível que aos 16 anos ele possa votar e dirigir, mas não pode responder por tentar matar um professor. Como eu disse antes, eles criam seus artifícios para sobreviverem no mundo cão em que vivemos, estipulam suas regras, suas crenças, valores, heróis e como agir (já vi alunos que brincam de dar socos uns nos outros. Só que no fundo dá pra ver que eles têm a ideologia do “descontar”. Então se uma hora um deles acerta um golpe forte, é dever do outro devolver na mesma moeda). Como os adultos estão ocupados demais dando casa e comida pra muitos deles por aí, eles têm total liberdade e espaço pra agir. E quando você reclama, falam que “isto vem no tempo certo”, “que você não pode tirar a juventude de um jovem”, etc. Até parece que esqueceram que hábitos são criados com práticas. E disciplina e responsabilidade não se adquirem da noite pro dia.
Governo: o mais poderoso agente causador da violência nas escolas, em minha opinião. Os políticos em maior e menor grau só foram eleitos por alianças e precisam mantê-las, aprovando projetos e ementas que nem fazem ideia de como funcionam (já vi político que não sabe nem o que quer dizer a sigla Enem!). E neste meio tempo pela ignorância do não saber, distorcem palavras de estudiosos como Paulo Freire, alegando que a escola é lugar de educação e não entendem o que eu disse antes sobre escola ser lugar de APRENDER. Quem nunca ouviu aquele velho bordão “você não tem educação não? Vai pra escola pra quê então?”.
Como se não bastassem as leis absurdas distorcendo termos técnicos, o governo insiste em tirar o poder da escola em alegando que não se pode repudiar o aluno, pois isto gera a defasagem (e consequentemente, menor  verba para a educação escolar). O construtivismo faz com que mesmo depois de um xingamento, uma piada ou até mesmo uma agressão o professor tenha que dar aula para aquele aluno.
Apesar do tamanho deste artigo, espero que as pessoas que o acompanham tenham chegado até aqui. É triste ver que nem todo pai, mãe ou outro responsável conhece o meu trabalho aqui e não pode opinar. O texto pode soar como um tapa na cara de uns e outros já vão se sentir ofendidos e querer dizer “mas eu dou educação pro meu filho” e derivados. Eu não estou culpando o leitor ou o pai de quem não leu o meu texto. Culpo todas as camadas que colaboram pra que a violência fique cada vez pior. Claro que com a globalização e o mundo moderno em que vivemos, para alguns a escola tem que se fazer atrativa ao aluno e buscar se aproximar dele... mas como fazê-lo adequadamente sem ferir princípios éticos? E quem afinal o salvador da pátria? O governo que quer ajudar o aluno através do professor ou os pais, mídia e governo que exclui em parceria com a sociedade? Contem quantos estão de cada lado e poderão chegar a uma resposta.
Obrigado a todos(as).

Davi Paiva da Silva nasceu em 22/03/1987, em São Paulo – SP. Está cursando Letras na UNICSUL, publicou o texto "18 anos sem Ayrton Senna" no site minilua.com, lança um capítulo por semana do seu romance "Coração de Fogo" no site www.recantodasletras.com.br, além de um microconto com a hastag #tweetcontos no twitter DaviTweetcontos e colabora com artigos no blog espadaarcoemachado.wordpress.com. No mundo impresso, participou das antologias de contos Corações Entrelaçados, Névoa, Quimera e Sopa de Letras, todas da Andross Editora. Contato: davi_paiv@hotmail.com

2 Comentários

  1. Texto publicado em 25 de maio e nenhum comentário? Será porque pisou no calo de muita gente? Porque não creio que seu texto não tenha sido lido. Bem, de qualquer forma, parabéns pelo artigo, muito bem contextualizado e que só contém verdades. Somos todos culpados, em maior ou menor grau. O problema é que nenhum lado quer ver essa culpa - ou até enxerga, mas acha que não pode fazer nada a respeito e deixa como está pra ver como é que fica. Não fica, só piora.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eduardo, primeiramente gostaria de agradecer por seu comentário e dizer que esse foi uma das postagens mais lidas e comentadas da coluna. A falta de comentários se deve a um problema com um antigo programa de comentários, que acabou excluindo grande parte dos comentários. Problema que voltou a acontecer pouco depois do seu comentário. Espero conseguir recuperar em breve.
      Em relação a sua opinião, concordo com você quando diz que somos todos culpados. Infelizmente isso acontece e as coisas estão piorando.

      Excluir