Assassinato no Expresso do Oriente, Agatha Christie, tradução de Archibaldo Figueira, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Nova Fronteira, 2009, 223 páginas.
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Se existe uma autora capaz de surpreender em cada uma de suas obras, essa certamente é Agatha Christie, que não por menos é considerada a “Dama do Crime” e é uma recordista de venda. Além de possuir uma escrita inconfundível, Christie é a criadora de um dos principais personagens da literatura, Hercule Poirot, que protagonizou duas das obras-primas da autora: O Assassinato de Roger Ackroyd e Assassinato no Expresso do Oriente.
Na segunda obra citada, lançada originalmente 1934, Poirot se envolve em um dos seus casos mais enigmáticos enquanto está atravessando a Europa no luxuoso Expresso do Oriente, que misteriosamente possui mais passageiros do que costuma acontecer na época do ano em que se passa a história. O grande problema surge quando, após uma tempestade de neve que impossibilita que o trem prossiga sua viagem, um dos passageiros é encontrado morto, com doze facadas e a porta de sua cabina trancada por dentro.
A intenção do assassino era que sua identidade permanecesse desconhecida, porém a tempestade de neve e a presença de Hercule Poirot estragam todos os planos. Por isso a identidade do verdadeiro assassino está prestes a ser revelada, ainda que inúmeras pistas falsas tentem enganar uma das mentes mais brilhantes da literatura mundial.
A primeira leitura de uma obra escrita por Agatha Christie se deu tardiamente em 2010, quando Assassinato no Expresso do Oriente foi o responsável pelo surgimento de uma paixão, admiração e principalmente idolatria por uma mulher que não se compara a ninguém no meio literário. Como se em um passe de mágica, a Dama da Ordem do Império Britânico consegue construir uma narrativa fora do alcance de qualquer mero mortal e faz com que um caso que parecia impossível chegue a um final.
Na décima obra protagonizada por Poirot, a autora tem a brilhante ideia de usar do passado do homem assassinado para que tudo tenha um sentido e pareça o mais verossímil possível, utilizando-se de um crime antigo e também do famoso Expresso do Oriente, trem fundado em 1883 e ativo até os dias hoje, contudo sem a mesma importância da época de ouro, pouco antes da segunda Guerra Mundial, quando a história se passa.
Como costuma acontecer, Poirot investiga cada um dos possíveis assassinos, e por isso vale lembrar que todos são suspeitos até que se prove o contrário. Devido a essa investigação, o detetive belga é obrigado a usar suas famosas células cinzentas para descobrir a verdade. O leitor até tenta, em vão, usá-las e também chegar a uma conclusão, mas o único que consegue essa façanha é Poirot, que surpreende ao supor algo totalmente inesperado e impossível de acontecer – ao menos para a mente dos meros mortais que somos.
A maneira como cada uma das pistas é exposta sugere exatamente o que costuma ser usada em casos policiais, mas ao mesmo tempo em que todos são suspeitos, aparentemente nenhum deles possui realmente motivo para cometer um crime. Mas quando se trata de Agatha Christie isso não serve para nada, porque cada página é uma nova surpresa.
Com uma narrativa tão bem estruturada, Assassinato no Expresso do Oriente se foca principalmente na visão de Poirot e seus principais companheiros de investigação, nesse caso sem o fiel escudeiro Arthur Hastings, porém também se destaca pela singularidade de cada um dos passageiros presentes no Expresso do Oriente. Isso também mostra, mais do que nunca, que a autora sabe construir um personagem e encaixá-lo perfeitamente em uma história complexa como a que encontramos.
No fim, a obra se torna um dos principais trabalhos da autora e de quebra um dos livros mais impressionantes da literatura policial, já que revela um crime quase perfeito e um desfecho totalmente diferente do que pode ser imaginado. Em outros casos poderíamos até afirmar que se trata de um crime perfeito, só não podemos se esquecer de que estamos falando de Hercule Poirot e esse belga de “cabeça do formato de um ovo” e um “espesso bigode” é simplesmente o cara!

“- O senhor tem muito bons servos - disse Ratchett - mas será que vinte mil dólares não o tentariam?
- Absolutamente.
- Se o senhor está barganhando por mais, não conseguirá. Sei quanto as coisas valem exatamente.
- Eu também, M. Ratchett.
- O que há de errado com a minha oferta?
Poirot ergueu-se:
- Se me desculpas a observação pessoal, eu não gosto da sua cara, M. Ratchett - dizendo isso, foi deixando o carro restaurante”. (pág. 30).

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