Preces e Mentiras, Sherri Wood Emmons, tradução de Ana Paula Corradini, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2012, 360 páginas.
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A instituição família tem papel fundamental na educação moral e psicológica de uma criança e adolescente, mas todos sabem que cada família possui suas determinadas características; suas determinadas histórias. São as histórias marcantes de uma família que constroem, direta ou indiretamente, o futuro de uma pessoa, e isso acaba sendo o fio condutor de Preces e Mentiras, obra de estreia da escritora Sherri Wood Emmons.
Narrado sob o ponto de vista de Bethany, uma garota de sete anos que com o passar dos anos vai amadurecendo e conhecendo a vida como ela realmente é, Preces e Mentiras conta como Bethany, ao conhecer sua prima Reana Mae, encontra a libertação de uma solidão que a acompanhava – ao mesmo tempo em que conhece verdadeiramente as pessoas que sempre estiveram a sua volta.
As férias da família de Bethany tinha sempre um destino certo: a cidade de Reana e dos demais familiares. Isso era motivo de felicidade para as garotas, que podiam estar juntas e compartilhar suas alegrias e angústias, porém aos poucos a protagonista percebe que sua família possui segredos inimagináveis e situações constrangedoras. E a única chance disso não destruir vidas é se a fé e os segredos se mantiverem intactos.

“Minha pele sentia o ar frio e úmido, e parei por um instante para aproveitar a estranha sensação de estar sozinha à noite. Todo mundo que eu conhecia, todo mundo que sabia quem eu era estava dormindo. Eu me senti como se fosse a única pessoa acordada no mundo todo” (pág. 40).

A velha mania de julgar um livro pela capa fez uma nova vítima, que aguardou ansiosamente pela oportunidade de leitura e no fim se decepcionou com uma história previsível, ainda que bem escrita. Wood Emmons soube escolher um tema que tivesse uma infinidade de situações para explorar, e as explorou, porém pecou com o desenvolvimento, que pouco agrada. Por sorte a escrita tem a capacidade de envolver e não ficamos presos em uma leitura totalmente arrastada.
Ainda assim, o início possui poucos acontecimentos marcantes, já que tem a intenção de apresentar os personagens que conduzirão a história até o seu desfecho. Isso, obviamente, é natural que aconteça, mas com a apresentação de tais personagens percebemos que eles não passam de estereótipos batidos, como, por exemplo, a garota má; a mulher esquentada e que não deve servir de exemplo; a mulher bondosa; a garota rebelde e/ou solitária; entre outros. A personalidade de tais personagens, que existem em qualquer pequena comunidade e principalmente em uma família, mostra outro ponto negativo: as já citadas situações previsíveis.
Conforme conhecemos as personagens que fazem parte da vida de Bethany, podemos apostar em suas futuras ações e isso, na maioria das vezes, de fato acontece. Para não dizer que não houve surpresas, em apenas um momento Tracy, a irmã insuportável de Bethany, causa surpresas com suas atitudes e sua revolta, mas acaba sendo insuficiente.
Protagonizado por crianças, a ingenuidade é um ponto forte da personalidade de tantos personagens previsíveis, que esperam por justiça ou por um grande amor, com a mesma intensidade em que acusam Deus de abandoná-las quando mais precisam. E nesse momento é que a prece, que dá título ao livro, ganha um sentido, já que a narradora, apesar de tão jovem, assume o peso de orar e cuidar de tantas pessoas que fazem parte de sua família.
O que salva Preces e Mentiras, que também envolve mortes, paixões, intrigas e maluquices (afinal toda família tem seu lado maluco), é a mensagem deixada por Sherri Wood Emmons. Segundo T. Greenwood, autora de Um Mundo Brilhante, o livro possui “uma análise tocante de todos os tipos de amor”, e essa opinião poderia ser concluída citando que Emmons nos mostra que os segredos e as mentiras podem ser usados pelo bem de um amigo e um familiar, ainda que não seja o melhor a se fazer. E quando a família, nosso bem mais precioso, está em jogo, tudo é possível e esperado.

“Minha mãe sempre dizia que a oração era a força mais poderosa que existe. E nossa professora da escola bíblica de domingo afirmava que, se você rezasse com muita fé, Deus atenderia à sua prece. Ela dizia que a resposta podia até não ser aquela que você esperava, mas jurava que Ele responderia, sim. Então, toda noite, depois de ter certeza de que Tracy estava dormindo, eu me ajoelhava ao lado de minha cama e rezava com o máximo de fé” (pág. 144-145).

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