Destrua-me, Tahereh Mafi, tradução de Maria Angela Amorim de Paschoal, Ribeirão Preto-SP:
Novo Conceito, 2013, 70 páginas.
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Com a facilidade encontrada para divulgar um trabalho através da internet, muitos autores escrevem histórias que teoricamente não fazem parte da série original, mas que também servem como presente dedicado aos fãs, que muitas vezes anseiam por novas histórias. Isso acontece com autores consagrados e também com aqueles que ainda buscam por seu espaço.

Após Estilhaça-me, intenso livro narrado pela personagem Juliette, a autora Tahereh Mafi decidiu escrever sob a visão do vilão Warner, responsável por liderar o setor 45. Foi quando surgiu o conto Destrua-me, considerado pela própria autora o volume 1.5 de sua série e que é distribuído gratuitamente pela internet.

A intenção é preencher o vazio que ficaria entre Estilhaça-me e “Liberta-me”, livro lançado pela editora Novo Conceito no mês de abril, por isso acompanhamos como Warner reagiu ao que lhe aconteceu no final do primeiro livro e ainda conseguimos perceber qual é a reação de Warner quando está pensando na jovem garota com poderes sobre-humanos.

Apesar de não ter nada de extraordinário em Destrua-me, uma coisa é interessante: a autora mostra todo o drama psicológico vivido pelo vilão não apenas com sua obsessão pela protagonista da série, como também por tudo o que ele precisa enfrentar como líder do setor 45. Assim como os especialistas da vida real sugerem, o narrador-personagem precisou superar traumas de sua infância, sobretudo devido ao modo autoritário de seu pai, o que contribuiu para que ele se tornasse um vilão digno de receber esse título.

Se após a leitura de Estilhaça-me o leitor não sabe o verdadeiro sentimento que tem por Warner, essa dúvida pode se tornar mais intensa com a leitura de Destrua-me, que revela não apenas o vilão que existe em Warner, como também o lado humano existente no vilão. E como qualquer humano, ele possui seus dramas e principalmente suas fraquezas. A principal delas ficou aprisionada por mais de 200 dias e é considerada um monstro.

Com certa impotência, já que por mais que precise agir de alguma forma, Warner não sabe como elaborar um plano para realizar o seu grande objetivo. Entre dores físicas e principalmente mentais, ele acaba encontrando o diário de Juliette, o que proporciona ao leitor acompanhar o que o vilão sente ao ler as palavras fortes escritas pela protagonista – palavras que causam no vilão o mesmo sentimento causado no leitor.

Não ler Destrua-me, conto dividido em 23 capítulos, não fará diferença alguma, por isso acaba sendo interessante apenas para os fãs do vilão ou simplesmente para os fãs de Mafi, que com certeza não pensarão duas vezes em ler mais uma história escrita pela autora americana, ainda que essa história sirva apenas para mostrar o talento da autora ao criar personagens fortes e marcantes.

“Quase esqueço que ela ainda me odeia, apesar de eu ter me apaixonado tão intensamente por ela.
E me apaixonei.
Perdidamente.
Fui até o fundo do poço. Até o fim. Nunca me senti assim na minha vida. Nada parecido. Senti vergonha e covardia, fraqueza e força. Conheci o terror e a indiferença, ódio de mim mesmo e repugnância geral. Vi coisas que não podem ser vistas.
[...]
O amor é um cretino perverso e sem coração”.

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