O Impossível (The Impossible)


Resenha: Os últimos dias do ano de 2004 poderiam ser de muita festa e diversão para a população e os turistas que estavam no sul da Ásia em 26 de dezembro, mas um terremoto entre 9,1 e 9,3 na escala Richter causou grande estrago. O tsunami que se formou provocou destruição em inúmeros países, como a Indonésia, o Sri Lanka e as Ilhas Maldivas, e ao todo quase 200 mil pessoas perderam a vida, além de quem se feriu ou desapareceu. O ocorrido chocou o mundo e a história de uma família inspirou o filme O Impossível, do diretor Juan Antonio Bayona.
Aproveitando as férias de inverno na Tailândia, Maria (Naomi Watts) e Henry (Ewan McGregor) estão com os três filhos e não imaginam o que a manhã pós-natal reserva para toda a família. Enquanto aproveitavam as belas paisagens e a comodidade, um tsunami de grandes proporções devasta o local e ainda separa os membros da família, que ficam sem a certeza da sobrevivência de todos.
Enquanto um grupo, formado por Maria e seu filho mais velho, enfrenta situações em busca da sobrevivência e um lugar onde possa se recuperar, o outro grupo, formado por Henry e os dois filhos mais novos, tentam o reencontro. Isso causa a esperança de um final feliz, ainda que todos saibam: a situação não é nada animadora.
Antes de assistir O Impossível podemos imaginar que as lágrimas estarão presentes, bem como a angústia por ver tudo o que é retratado e saber que, apesar de um filme, a história não é apenas ficção. As primeiras cenas são muito bonitinhas, mas isso não tarda a mudar e a verdadeira essência da história é enfim apresentada.
A partir do momento que o tsunami atinge a costa da Tailândia, tudo o que era belo se transforma em destruição e os sorrisos nos rostos da família de Maria e Henry ganham traços de angústia, desespero, medo e sofrimento. Sofrimento que nos acompanha a cada nova cena, ignorando assim a vontade de não deixar a emoção falar mais alto.
Para que isso aconteça não basta apenas uma ótima direção em todos os sentidos cinematograficamente falando. É preciso também que o lado humano dos atores se sobressaia e ao menos os membros da família conseguem transmitir algo semelhante ao que possivelmente foi sentido pela família que inspirou o roteiro de Sergio G. Sánchez. O roteiro, que por sinal, se estendeu mais do que o necessário.
Até determinado momento a história segue em um ritmo rápido e que empolga com a mesma facilidade que emociona, mas as quase duas horas de filme poderiam ser reduzidas, evitando que situações que nada têm a acrescentar fossem usadas. Isso resulta na perda do foco da produção, que ainda assim passa uma bela mensagem.
Por mais ignorante que possa parecer tal comentário, sabemos que muitas vezes perdemos a esperança de um final feliz, antes mesmo de lutar para que isso de fato aconteça. Em O Impossível, Naomi Watts e Ewan McGregor interpretam personagens reais que não desistiram em nenhum momento; que foram além, superando dificuldades, lutando para reunir a família e tentando provar que, assim como diz a música, o impossível é só questão de opinião. E a idade não é desculpa para evitar a persistência, o que Lucas, interpretado pelo jovem e talentoso Tom Holland, serve como prova viva.