(Peço, antes das mais longas palavras de pronunciamento, as desculpas pelo atraso das postagens. Imagino a cara do meu amigo Ricardo ao ter recebido o pronunciamento de atrasos. Infelizmente tudo anda muito corrido, e neste fim de semestre os trabalhos são cobrados e as provas são duplicadas, mas cá estou com as palavras ácidas, para pessoas que não deixarão caí-las com tanta facilidade).

Na última postagem, na minha tão amada coluna (e que reforço os elogios - sinceros - para não ser criticado), disse:
"Penso em uma revolução. Em rebeldias por igualdades e pessoas se chocando, se explodindo por dentro para causar sua revolução... Rebelando-se contra o sistema. Rebelando-se por causa". 

Isso aconteceu! - desculpem o longo texto, mas aposto que como bons leitores, terão a coragem.
Quem acompanhou os jornais, pôde notar que movimentos por melhorias começaram à acontecer nas últimas semanas deste junho que nunca foi tão quente por parte do povo e frio por parte da elite.

Começando por partes, o manifesto do Movimento Passe Livre, que tinha por objetivo abaixar a passagem dos ônibus que tinham subido R$ 0,20. O Movimento antes de mais nada, lutava por um transporte público, público. Sim, um transporte público para todos, fora das mãos da iniciativa privada. Assino embaixo.

O problema começa quando notamos que pagamos indiretamente a educação, saúde, infraestrutura, cultura, esporte (...), e temos que pagar (além dos devidos impostos), melhorias para nos darmos bem, porque o que é público não é de qualidade, eis que surgem escolas particulares, planos de saúde, pedágios - ou outras formas de "melhorias" que barram o direito de ir e vir, cinemas e teatros, e o esporte privado (muitas vezes patrocinados - novamente, indiretamente - pelo governo (ou se preferirem, o povo).

Pois bem, foi uma manifestação válida, que conseguiu o que queria. Uma manifestação por redução da tarifa do ônibus, que foi anunciada pelo prefeito (acreditem, quem "manda" na cidade, depois do povo, é o prefeito!), que seria abaixado. Fernando Haddad (PT), foi feliz ao falar que era favorável às manifestações e como líder eleito pelo povo, conseguiu a devida resposta, abaixando a tarifa dias depois da manifestação.

O problema está nas ordens que nosso governador do estado de São Paulo,  Geraldo Alckmin (PSDB), fez às Tropas de Choque que foram de confronto aos ideais dos manifestantes que estavam fora do Movimento Passe Livre, lutando por outros direitos que iam aquém do seu cargo.

É simples entender: O Movimento Passe Livre abriu espaço para a onda de protestos, a diferença é que conseguiram organizar com cautela todos os rumos que tomariam, mirando em apenas um alvo (justamente o passe livre, pasmem pelo óbvio!), e diferentemente, o outro lado queria mostrar sua existência (e a mídia também), e então os organizadores através de redes sociais, promoveram passeatas - então, pacíficas - para "protestar" contra a falta de saúde, educação, esporte, cultura, infraestrutura (tudo o que já foi mencionado), e muito mais. Dentre diversas placas e faixas que levaram (alguns de cara limpa, outros pintados, outros com máscaras), pediam justiça, penas aos "bandidos" ou "corruptos", e no meio das confusões políticas, o impeachment da presidenta por "não atenção". Vamos por parte:

1 - O Brasil é um dos países que mais se investe em educação, claro que dinheiro investido não é reflexo de um bom resultado, a qualidade e o repasse vem dos estados (e como vivo no de São Paulo), não chegam nem verbas, nem recursos. E vamos esperar o quê, de uma presidência que vem com seu passado em Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que desde então deixou a responsabilidade de investimento da educação para o Banco Mundial? Vamos esperar o quê, de um FHC comprado que diz que "a educação é ruim porque a classe baixa - massa - entrou nas escolas públicas"?

Para provar que tudo é política, vamos ainda mencionar os royalties de petróleo que já não é a primeira vez,  que a presidenta Dilma Rousseff (PT), tenta enviar à Câmara dos Deputados para a aprovação. Se aprovado, como não foi, os royalties de petróleo seriam revertidos em 100% para a educação.

2 - Quanto à saúde, tudo começa na educação. Nada resolve falarmos da situação de importação de médicos de Cuba por não termos profissionais qualificados. Cuba é vista como pobre - para um mundo capitalista - mas tem um ensino que os Estados Unidos chamaria de "primeiro mundo". A educação desenvolvida em um vulgo subdesenvolvido, tudo é educação: tudo se reverte pela educação.

3 - A infraestrutura não precisamos falar nada: a partir do momento em que existem empresas privadas participando, é óbvio que alguém ganha. Obsolescência programada, só querem faturar.

Toda a onda de protestos que veio junto com a onda do Passe Livre, gerou movimentação em diversos estados do País. Eis o grande conflito: quando tudo se torna massificado sem noção alguma, surgem divergências e problemas, barreiras que muitas vezes são impostas. O grande problema no nível nacional, que as manifestações tomaram proporção foi justamente a confusão de partidarismo e organização política, e claro, falta de embasamentos. Foram criticando coisas que fugiam das esferas do Poder; foram falando coisas, que apesar de estarem entaladas na garganta, fogem da noção.

Onde já se viu, a cena ridícula de manifestantes criticando as bandeiras de partidos de Esquerda, chamando-os de "oportunistas", uma vez que muitos dos partidários tomaram atitudes nos reais protestos do País - digo a Ditadura Militar e Diretas Já!, uma vez que o Fora Collor já iria acontecer de qualquer forma - e do outro lado, os partidários dizendo "democracia". E todas essas palavras foram da mais pura democracia.

E ainda temos a questão dos militares que tomaram atitudes errôneas durante as manifestações. A balbúrdia começou quando os mesmos avançaram sobre o povo, e ressalto, como defensor da minha classe, que um jornalista não gritaria em um protesto: não somos parte, somos apartes. E jornalistas levarem bombas de gás lacrimogêneo; serem barrados por portarem vinagre (que age contra o mesmo gás), para poder cumprir sua profissão; levarem balas de borracha em seus olhos, mostram o despreparo em todos os sentidos.

Manifestações ocorreram por todo o Brasil, inclusive no Distrito Federal,
liderados por estudantes e demais manifestantes

Diversos municípios, dos mais diversos estados e até o Distrito Federal, entraram na onda, acho bacana. A juventude não está perdida, mostra que existe e que quer tudo às claras. Mostra que é esperta poque está ligada no que é feito e quer mostrar sua atitude política, reivindicando os seus direitos, mas ao mesmo tempo, prova muitas vezes que não está tão preparada ao confundir esferas, poderes, noções básicas da política, como a própria participação de partidos. A verdadeira revolução também começa nas urnas, e votos em branco não representam ninguém - apenas pessoas que tem mentes tão limpas quanto o papel, e creio que não somos tão alienados à este ponto.

Foi um manifesto que se aproveitou do Passe Livre - que já conquistou o que desejava - e que conseguiu chamar atenção para reivindicações em nível nacional (até a Copa não escapou, mesmo depois de tempos sabendo que aconteceriam jogos aqui). Que essas manifestações existam quando professores também forem falar com vozes superiores  e não ocorram situações parecidas como este ano, quando professores do estado de São Paulo, também foram agredidos (e a Rede Globo, não mostrou) e não tinha massa acompanhando-os.

Me posiciono favorável ao crer que devemos tomar a voz e cantar o hino, mostrar que somos patriotas, mas que o patriotismo seja de 1º de janeiro à 31 de dezembro, e não uma coisa passageira que mostra que nos importamos com a Pátria apenas quando ela "cai". Enfim, o Brasil mostra que é o país do carnaval, e sobre tudo isso, que a única política efetiva é o pão e circo.



Nada melhor do que Legião Urbana para retratar exatamente tudo isso. O furdunço sem fim de um país que começou errado e que pode tomar atitude com uma juventude que ainda pode ter esperanças. Legião Urbana foi fundada em Brasília e permanece como a maior banda de rock nacional. Influenciou sua geração com Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Russo ocupando o cargo de responder por uma juventude muda e revolucionária. Que País É Este, é o terceiro disco da Legião Urbana (1978/1987) e contém grandes letras críticas ao sistema, com a venda de mais de 1 milhão de cópias de disco - e ainda com a presença do baixista Renato Rocha, e sofrendo censura na época.  Abrindo o disco, a faixa que leva o mesmo nome do disco, retrata exatamente todos os problemas sociais que poderiam ser abordados, mas que o texto por si só, fala.

Eduardo Rezende - Tenho 17 invernos de vida, sou jornalista, idealizador de um "Grupo de Debates", membro da "Casa do Escritor Pinhalense Edgard Cavalheiro", gosto muito da música popular brasileira, do nosso rock nacional, e de livros e café que aconcheguem e combinem. Fiz trabalho voluntário em Sala de Leitura e Estudo/Biblioteca, apaixonado por estudo de religiões, sociedade e simbolismos.

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Um Comentário

  1. O legal que tem varios filhos de papai ali no meio , voce ve gente que tem carro importando, carro do ano reclamando de 20 centavos e reclamando de corrupçao, voce nao ve pobre ir fazer grasça na rua ele trabalha pra ter o grande salario minimo que pra ele faz diferença.

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