Será que é tão fácil assim?
Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.
Creio que este será um dos artigos mais difíceis que já escrevi para o Over Shock. Tanto que ele será dividido em duas partes. Esta será a primeira. E mais para frente, eu digo onde começa a segunda.

Segundo pesquisas, as políticas de cotas foram adotadas no primeiro mandato do governo Lula, originadas das políticas de inclusão dos EUA nos polêmicos anos 60. Ela garante vagas em universidades públicas e particulares pela etnia, sendo mais abrangente para negros e indígenas. E destes, cai sobre os negros o maior peso de protestos, polêmicas e debates sobre ser contra ou a favor.

Há muitos argumentos originados do “povão”. Os mais comuns são:
- Cotas estimulam o ódio racial: ele já existe muito antes das cotas. Estamos falando de uma etnia que só no Brasil foi escravizada por 389 anos e que nos últimos 124, viu anúncios de emprego pedindo “boa aparência”, negros tendo que se passar por brancos, poucos atores na TV e o último exemplo de político honesto foi Joaquim Barbosa que muitos apontam como exemplo já que não precisou de cotas (por outro lado o próprio se diz a favor delas). Infelizmente o ódio racial sempre vai existir enquanto nos importarmos com as diferenças.
Ele não precisou. Mas quantos outros negros vocês conhecem que foram bem sucedidos
sem uma bola no pé ou um pandeiro na mão?
- Os cotistas largam a universidade no meio do curso: em parte, os índices de defasagem se devem ao fato que muitos contemplados vêm das escolas públicas, que não têm estrutura para preparar o estudante para a carga do ensino superior. Embora pesquisas apontem que na UERJ, por exemplo, dos 94 estudantes do curso de Medicina na turma de 2004 só houve 8 desistências, sendo 4 cotistas (Fonte: Revista Istoé).

- A cota faz o contemplado ser privilegiado, tornando-o incapaz de competir com os outros igual a todo mundo: para falar a verdade, nunca houve igualdade. A etnia negra sempre foi sinônimo de pobreza e subconsequentemente, desvalorizada. Hoje em dia há quem critique o sistema de cotas considerando que existem dois tipos de profissionais: o que entrou na universidade pelo meio comum e o cotista. Mas cá entre nós, qual a probabilidade do Mackenzie formar um estudante que não sabe a sua disciplina? Sempre digo a meus amigos que os movimentos de inclusão colocam dão oportunidades a várias pessoas. Contudo aproveitá-las parte do próprio indivíduo (em outras palavras, entrar na faculdade é para qualquer um. Já sobreviver lá dentro é outro assunto).
Realmente somo iguais perante a lei. Mas a sociedade não trata
os brancos e os negros com igualdade.
Como eu disse antes, é um artigo difícil de ser escrito. A minha meta no Fala, Davi! é não fugir da jurisdição da educação escolar. Só que isto envolve história e sociedade e não tenho como fazer omelete sem quebrar os ovos. Sei que há muitas pessoas brancas e pobres que creem que o sistema de cotas é injusto. Eu mesmo tenho uma irmã que é negra e é contra, pois alega que é algo que deveria ser mais voltado para abranger a sociedade pobre independente da cor enquanto a minha outra irmã que também é negra se coloca a favor, uma vez que as cotas oferecem a oportunidade que o negro não tem e serve para quitar a dívida que a nação brasileira tem com a comunidade afro descendente.

Para que os leitores possam entender como mesmo sendo todos economicamente iguais o buraco para o negro é mais embaixo, convido-os a ver os seguintes hiperlinks:

- teste de racismo criado pelo programa Legendários: clique aqui.
- padrão de beleza dito pelo ator Rodrigo Lombardi e pregado por muita gente (“lorinho e de olho azul”): clique aqui.
- teste de racismo nos EUA, comprovando que os padrões de beleza e qualidade nos são ensinados desde crianças: clique aqui.
- artigo sobre a história da inclusão dos negros: clique aqui.
- artigo sobre como os “programas com negros” são estereotipados como o Esquenta: clique aqui.
- reportagem sobre a proposta de emprego “só para brancos”: clique aqui.
- reportagem sobre defasagem dos cotistas: clique aqui.

Depois de todas estas leituras e vídeos, eu pergunto a vocês: acham que um negro ou um indígena se sentem aptos a lutarem em pé de igualdade em um país tão desigual, que escravizou seus antepassados, oferece condições de educação escolares tão escassas (seja ele branco, indígena ou negro) e crê que a aparência está ligada outras coisas sem dar uma chance não por ser negro, mas por viver em uma cultura onde a sua cor é mais importante que as suas palavras?

A parte dois desta conversa será dada não só pela resposta como também pelo comentário de vocês acerca do assunto tanto dentro quanto fora da área da educação escolar.

Obrigado a todos(as).

Davi Paiva da Silva nasceu em 22/03/1987, em São Paulo – SP. Está cursando Letras na UNICSUL, publicou o texto "18 anos sem Ayrton Senna" no site minilua.com, lança um capítulo por semana do seu romance "Coração de Fogo" no site www.recantodasletras.com.br, além de um microconto com a hastag #tweetcontos no twitter DaviTweetcontos e colabora com artigos no blog espadaarcoemachado.wordpress.com. No mundo impresso, participou das antologias de contos Corações Entrelaçados, Névoa, Quimera e Sopa de Letras, todas da Andross Editora.
Contato: davi_paiv@hotmail.com

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