Em meio a onda de protestos que parou o país nas últimas semanas, a figura de Fernando Henrique Cardoso, um dos mais importantes políticos vivos do nosso país, voltou a ganhar destaque na imprensa brasileira. Após várias declarações sobre o atual momento político do Brasil, o sociólogo, professor e ex-presidente da república foi eleito para substituir João de Scantimburgo (1915-2013), falecido no último mês de março, na Academia Brasileira de Letras (ABL).

FHC, como é conhecido, apresentou sua candidatura poucos dias após a morte de Scantimburgo. Segundo informações do portal G1, a candidatura do ex-presidente foi entregue através de uma carta pelo acadêmico Celso Lafer, que na ocasião substituía temporariamente a atual presidente da casa, Ana Maria Machado.

A votação que elegeu Fernando Henrique ocorreu nesta quinta-feira, 27, e segundo a assessoria de imprensa da instituição, o ex-presidente derrotou outros candidatos ao receber 34 dos 39 votos possíveis, sendo eleito já na primeira votação. Houve ainda uma abstenção.

Em nota oficial publicada no site da instituição, Marcos Vinicios Villaça, ex-presidente da ABL, declarou que “essa eleição é um ato de respeito da Academia Brasileira de Letras à inteligência brasileira”. “A grande obra de Fernando Henrique Cardoso de sociólogo e cientista dá ainda mais corpo à Academia”, completou. Ainda segundo essa nota, após a eleição Fernando Henrique recebeu seus novos companheiros na Fundação Eva Klabin, no Rio de Janeiro.

Em sua página oficial do Facebook, Fernando Henrique Cardoso fez uma declaração agradecendo “a generosidade dos que hoje me recebem como companheiro, reafirmando minha satisfação e meu desejo de ajudá-los no esforço para que a ABL continue cumprindo os desígnios de seus fundadores, primeiros ocupantes de cadeiras, dentre os quais Machado de Assis, Ruy Barbosa e Joaquim Nabuco”.

Nascido na capital fluminense em 18 de junho de 1931, FHC se mudou para São Paulo, onde graduou-se em Sociologia pela USP e exerceu uma importante carreira acadêmica. Sua participação no meio político se iniciou primeiramente nos bastidores, porém não demorou a participar ativamente, candidatando-se ao Senado em 1978. Apesar de não ter sido eleito, FHC exerceu a função de suplente por quatro anos, até que assumiu o cargo do então senador Franco Montoro, que renunciou para concorrer ao governo paulista. O político ainda foi um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), fundado em 1988, e figura importante na transição do governo de Fernando Collor para o de Itamar Franco (1930-2011). Durante o mandato de Itamar, FHC foi Ministro das Relações Exteriores e Ministro da Fazenda, começando o que seria conhecido como o Plano Real. Posteriormente foi eleito Presidente da República em 1994, sendo reeleito em 1998. Como escritor, é autor ou coautor de mais de 30 livros, incluindo os mais recentes Relembrando o que escrevi: da reconquista da democracia aos dias atuais (2010), A arte da política — A história que vivi (2006) e Pensadores que inventaram o Brasil, lançado na última semana. FHC foi casado com a antropóloga Ruth Cardoso (1930-2008) por 55 anos.

O político, de 82 anos, tomará posse em até 60 dias. Será o sexto ocupante da cadeira 36, fundada por Afonso Celso, e o terceiro ex-presidente a ocupar uma cadeira da ABL. Anteriormente, Getúlio Vargas (1882-1954) e José Sarney também foram eleitos na instituição com sede no Rio de Janeiro.

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