Inferno, Dan Brown, tradução de Fabiano Morais e Fernanda Abreu, 1ª edição, São Paulo-SP: Arqueiro, 2013, 448 páginas.
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Dante Alighieri é considerado o maior poeta italiano e sua obra atravessou os séculos transformando-o em um dos principais nomes da literatura universal. Sua principal obra, A Divina Comédia, não apenas levantou questionamentos, como também serviu de inspiração para artistas das mais variadas áreas, incluindo a literatura, como, por exemplo, no lançamento mais aguardado do ano: Inferno, de Dan Brown.

Em seu sexto livro, quarto protagonizado pelo professor Robert Langdon, Dan Brown novamente faz o leitor mergulhar em uma história empolgante desde a primeira palavra. Dessa vez, Langdon acorda de um pesadelo e percebe que está em um hospital, com ferimento à bala na cabeça, no entanto não se lembra de como foi parar ali e se espanta ao perceber que está em Florença, na Itália, quando na verdade deveria estar nos Estados Unidos.

Ainda no hospital, Langdon é vítima de um novo atentado e conta com a ajuda da jovem médica Sienna Brooks, que passa a lhe acompanhar em sua luta contra o tempo e a morte. No entanto, as coisas ficam ainda mais misteriosas quando o professor descobre estar de posse de um estranho objeto, que o leva a uma série de enigmas envolvendo A Divina Comédia. E ele precisa agir, não apenas para evitar um trágico fim de sua própria vida, como também o fim do mundo, já que esse é o principal objetivo do seu inimigo.

“De alguma forma, Langdon conseguiu se mover, o pânico e o instinto enfim vencendo os sedativos. Enquanto saía desajeitadamente da cama, sentiu o antebraço direito queimar. Por um instante chegou a pensar que uma bala tivesse atravessado a porta e o atingido, mas quando olhou para baixo percebeu que o acesso intravenoso havia se soltado. O cateter de plástico despontava de um buraco de bordas irregulares em sua pele e o sangue quente escorria do tubo.
Agora Langdon estava totalmente desperto” (pág. 27).


Parece ser impossível explicar a sensação de ler algo escrito por Dan Brown em poucas palavras. O autor norte-americano, que já vendeu mais de 150 milhões de exemplares, consegue envolver seu leitor e transportá-lo para o ambiente em que a história se passa. Consegue impedir que qualquer outra coisa seja feita antes do último ponto final. E felizmente isso volta a acontecer em seu novo trabalho, uma obra bem estruturada, empolgante e repleta de ação e aventura.

Após O Símbolo Perdido, que se passa nos Estados Unidos, Dan Brown volta a levar seu principal personagem para a Europa e dá para sentir uma grande diferença entre esses dois cenários. Apesar de todos seus livros serem recheados de citações ao passado, quando Langdon está na Europa algo se torna diferente; as aventuras são mais intensas, a cultura mais bela e o valor histórico incomparável.

O início de Inferno também possui uma grande diferença em relação aos livros anteriores. Se nos demais livros Langdon era “intimado” a ajudar em determinadas situações que aos poucos se tornam perigosas, nesse caso ele já está em uma zona de risco, o que não dá tempo para que o leitor respire antes de saber o que será feito pelo protagonista para se salvar. O início, portanto, é ainda mais acelerado.

Algo que nunca muda nos livros do autor é o desejo de conhecimento, tanto pela história como também pela arquitetura, personagens ou o conceito histórico que vem carregado com os livros. Nesse caso, a figura de Dante Alighieri, que é tão explorado como Leonardo Da Vinci em O Código da Vinci, desperta o interesse, assim como o que motivou inúmeros artistas a se inspirarem na obra do italiano que viveu entre 1265 e 1321. E já que Inferno faz um passeio por Florença, Veneza e Istambul, pesquisas sobre as três cidades também acompanham a leitura – não por necessidade, mas sim por curiosidade.

O passeio pelo universo dantesco é tão recheado de informações que aprendemos muito sobre Alighieri e A Divina Comédia mesmo sem ter lido a obra anteriormente. E para mostrar que sua inspiração tinha realmente potencial, o autor cria um vilão que não só possui um fascínio extraordinário pelo poeta, como também aproveita cada detalhe possível para montar seu enigma e tentar atrapalhar o protagonista, que se envolve em muitos mistérios.

Os símbolos são tão importantes que, além de estarem presentes na capa, podem contribuir para que o leitor tente desvendar os mistérios antes mesmo que Langdon, com toda sua inteligência, consiga entender a intenção do vilão. Obviamente que tudo acaba em surpresas inesperadas, mas isso não importa, principalmente porque tais surpresas apenas empolgam.

“Segurando com firmeza as bordas da tampa, moveu-a para um dos lados, deslizando-a com cuidado sobre a base de mármore e colocando-a no chão ao lado da pia. Então baixou os olhos para o espaço oco e escuro de meio metro de largura.
A visão sinistra o fez engolir em seco.
Das sombras, o rosto morto de Dan Alighieri o encarava de volta” (pág. 231).

Como sempre, o protagonista está acompanhado de uma mulher e Sienna Brooks talvez seja a personagem mais inteligente e misteriosa já criada por Dan Brown. O problema é que desde o início ela dá motivos para desconfiar de suas verdadeiras intenções, mesmo que aparentemente, assim como todos, também deseja um final feliz para toda a humanidade.

E justamente por estar buscando esse final que o livro se destaca. Ainda que não supere Anjos e Demônios, o melhor do autor, o livro Inferno pode agradar a muitos leitores, já que o motivo de Robert Langdon estar em ação é mais nobre do que no primeiro livro protagonizado por ele, que por sua vez possui uma história mais inesquecível. Vale lembrar que, apesar de ser o antagonista, o vilão também possui um motivo nobre, afinal, mesmo que à sua maneira, ele deseja salvar a humanidade e isso possibilita uma discussão importante para o mundo real: o controle do supercrescimento populacional.

Ao discutir sobre esse supercrescimento, que é o assunto principal de Inferno, percebemos que a humanidade está caminhando ao verdadeiro Inferno de Dante, e aos poucos vai enfrentando cada um dos estágios (os “pecados”), assim como é retratado em “O Mapa do Inferno”, de Sandro Botticelli. Ainda que tudo não passe de ficção, a humanidade está de fato com os dias contados e o nosso futuro depende simplesmente do nosso presente. Precisamos cuidar das nossas riquezas, para ao menos tentar salvar a nossa existência e evitar uma possível dizimação. E Inferno, o de Brown, dá a dica do que deve ser feito: Busca e Encontrarás.

“PPPPPPP
- Sete pês – disse Sienna – O que vamos fazer com isso?
Langdon abriu um sorriso tranquilo e ergueu os olhos para encará-la.
- Sugiro que façamos exatamente o que a mensagem nos diz para fazer.
Sienna o fitou, confusa.
- Esses sete pês são... uma mensagem?
- Isso mesmo – respondeu ele sem parar de sorrir – E, para quem estudou Dante, ela não poderia mais clara.” (pág. 235).

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