Quando Ela se Foi, Harlan Coben, tradução de Marcelo Mendes, 1ª edição, São Paulo-SP: Arqueiro, 2011, 256 páginas.
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Quando alguém próximo a nós está correndo perigo, somos impulsionados a agir sem medir as consequências de nossos atos. E para que um final feliz seja possível, somos obrigados a abrir mão de valores importantes para a nossa personalidade e lutar com todas as nossas forças.

Quando Ela se Foi, obra de Harlan Coben, mostra como Myron Bolitar, personagem mais importante criado pelo escritor americano, lida quando é obrigado a agir contra os seus valores. Nessa história, Bolitar recebe uma mensagem de uma mulher com quem se relacionou dez anos atrás. Com poucas palavras, Terese Collins pede que Bolitar vá para Paris imediatamente.

A intenção de Collins ao fazer esse pedido, totalmente inesperado, é que Bolitar lhe ajude a encontrar seu ex-marido, Rick Collins, que ligou implorando que ela o encontrasse na capital francesa, porém jamais apareceu. Juntos, Terese e Bolitar não demoram a descobrir que Rick está morto e, claro, Terese é a principal suspeita.

Porém, as pistas não param de surgir e a polícia francesa logo descobre, através de um exame de DNA, que a filha do casal esteve presente na cena do crime. O problema é que essa garota faleceu em um acidente de carro misterioso muitos anos antes e essa aparição desperta a possibilidade da garota estar viva. Para descobrir essa informação, Bolitar se envolve em muitas confusões que vão muito além de apenas a investigação de um assassinato.

“Exalei um suspiro. Violência não resolve nada. Win fazia careta quando me ouvia dizer isso, mas era verdade: sempre que eu recorria à violência – o que acontecia com certa regularidade -, a coisa nunca parava por ali. A violência irradia, se espalha, segue ecoando como se nunca fosse terminar” (pág. 30).

Que a experiência é uma grande aliada do sucesso profissional ninguém discorda, mas muito provavelmente isso não chega a ser notado em determinados tipos de profissionais. No caso de Harlan Coben, que já vendeu mais de 50 milhões de exemplares no mundo, a importância da experiência fica clara quando acompanhamos suas obras. A evolução é muito aparente.

Mais de dez anos separam as publicações de Jogada Mortal e Quando Ela se Foi, e nesse meio tempo, o autor ainda publicou, entre outros, o livro Não Conte a Ninguém, a melhor obra lida até então. E se Jogada Mortal, com toda a sua simplicidade (opinião formada após a leitura atual) já surpreendeu, Quando Ela se Foi, complexa e ainda assim empolgante, vem para incluir Harlan Coben entre os autores favoritos.

Se comparadas, Coben deixou de narrar uma simples investigação para narrar algo muito mais intenso, que envolve, além da possível morte e o reaparecimento de uma garota na cena de um crime, conflitos genéticos e de diferentes culturas, que juntos amarram uma história impossível de sair dos trilhos. O que é certamente uma grande qualidade de todas as histórias do autor.

Com a presença da mesmo ação que já conhecemos, novamente percebemos a maneira como, mesmo sem ser sua real intenção, Coben consegue criar uma história que possui sua carga dramática. Isso acontece principalmente quando percebemos a mistura do desespero e da ansiedade em Terese Collins, que novamente se sente feliz por saber que sua filha pode estar viva. Mas, ainda que exista essa possibilidade, a filha de Terese pode estar ligada a algo muito maior, e até mesmo perigoso, que de alguma forma coloca a vida de todos em risco.

Se focando muito no lado sentimental de Bolitar, dessa vez Coben revela um personagem muito mais complexo e maduro, resultado da série de livros publicados ao longo dos anos (semelhança com a evolução do autor não é mera coincidência). E além de ser irônico, engraçado e ficar ainda mais completo com a presença de seu amigo Win, Bolitar se envolve por completo nessa trama, mostrando estar disposto a fazer tudo para que, no final, Terese tenha uma resposta objetiva sobre o que de fato aconteceu com sua filha e se ela, misteriosamente ou não, está realmente viva. O desfecho criado pelo autor não poderia ser mais convincente e até mesmo atual.

Quando Ela se Foi não é apenas um livro policial. É um suspense completo, diferente, empolgante e acima de tudo verdadeiro. Com sua proposta de entreter o leitor, o autor consegue até mesmo retratar uma triste realidade de atos terroristas que acabam causando o sofrimento de família inteiras, que têm sua estrutura abalada devido aos interesses desumanos e pessoais. Sendo assim, fica difícil comentar sobre o livro sem revelar fatos importantes, no entanto é sempre bom lembrar: ela se foi, mas um dia ela pode voltar e mudar radicalmente a nossa vida.

“Então ele ergueu os dois braços, na certa tentando me dar um telefone. E ficou vulnerável. Não hesitei. Dei uma cabeçada contra o queixo dele. O sujeito vacilou para trás e me joguei na direção dele.
Agora tudo se resumia a técnica, tamanho e alavancagem. Até então eu levava a melhor nos dois últimos aspectos. Eu estava tonto por causa dos golpes que levara, mas a cabeçada o havia afetado bastante e sua perna ainda estava presa. Então torci-a cruelmente, e ele girou no mesmo sentido.
Foi seu maior erro: ficar de costas para mim” (pág. 123).

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