Mama (Mamá)


Resenha: Não importa quantos filmes e muito menos quantas vezes assistimos aos atuais representantes do terror no cinema. Todas às vezes encontramos os mesmos tipos de cenas, mas que ainda assim conseguem surpreender, muitas vezes apenas por personagens e, sobretudo por atores.
Após assassinar a esposa, o pai de Lilly (Isabelle Nelisse) e Victoria (Megan Charpentier) deixa as meninas em uma cabana abandonada e elas só são reencontradas, em estado deplorável, cinco anos mais tarde. Não há uma explicação plausível para o fato de ambas as garotas, totalmente indefesas, terem sobrevivido sozinhas durante tanto tempo, mas elas precisam reaprender a viver em uma família e para isso contam com a ajuda do tio, Lucas (Nikolaj Coster-Waldau), e sua companheira, Annabel (Jessica Chastain).
Mas, enquanto tentam reeducar as crianças e mostrar que estão ali apenas para protegê-las, Lucas e Annabel percebem que há algo errado com Lilly e Victoria, que insistem em conversar com a entidade Mama (uma espécie de mãe), que segundo as próprias garotas foi a responsável por cuidar delas ao longo de tanto tempo. No início, Lucas e sua companheira parecem não acreditar, mas ignorar esse fato mostra ser um grande erro. Um erro que não deveria ser cometido.
Baseado em um curta-metragem produzido em 2008,  Mama surgiu como uma grande aposta do terror (ainda que não seja o mais aguardado) e pode agradar a muitos que esperam um filme que, além de cenas intensas e capazes tirar uma noite de sono dos mais assustados, possui uma história interessante. Não perfeita. Simplesmente interessante.
Ao contrário de muitos filmes onde a intenção é apenas assustar os personagens, geralmente inúteis, e a história que gerou todos os sustos é deixada de lado, em Mama a entidade tem sua própria história e tudo ganha um sentido, mostrando que, ironicamente ou não, Mama tem um motivo convincente para conversar e querer as duas garotinhas indefesas. E mesmo com toda a ingenuidade, as crianças sentem o perigo causado pela entidade, que não sabemos até onde pode chegar por Lilly e Victoria - lembrando que são como mãe e filhas.
Mas não apenas o fato do motivo causador do terror ser explorado se destaca em Mama, que possui um brilho especial em seu elenco. Sem existir real necessidade de elogios a Isabelle Nelisse e Megan Charpentier, brilhantemente perfeitas, o destaque fica para Jessica Chastain e Nikolaj Coster-Waldau, que obviamente não tem o mesmo brilho de sua participação em Game of Thrones, mas consegue roubar a cena quando necessário.
Dirigido por um cineasta argentino, Mama segue em ritmo acelerado, impedindo pausas desnecessárias e facilitando também o trabalho de fotografia e trilha sonora, que trabalham em conjunto para deixar o filme com um clima sombrio. Isso de fato acontece, assim como uma cena final marcante e surpreendente, mas desagradável para o desfecho, já que claramente o desejo de um final diferente continue ativo mesmo dias após assistir a produção de Andres Muschietti.