Os escritores europeus são de importância vital para a literatura mundial, tanto por influenciarem escritores de várias partes do mundo, como também pela qualidade de seus textos. Qualidade essa inquestionável.

Entre tantos nomes lembrados e estudados até os dias hoje, talvez poucos conseguem agradar quase que por completo. Arthur Ignatius Conan Doyle pode ser incluído nessa lista, afinal, além de criador de um dos personagens mais importantes da literatura, continua influenciando todos aqueles que se aventuram na literatura policial. Mesmo depois de décadas de sua morte.

Influenciado por Edgar Allan Poe, Jules Verne, entre outros, Arthur Conan Doyle nasceu em Edimburgo, na Escócia, em 22 de maio de 1859. Membro de uma família católica, após concluir o colegial Conan Doyle se tornou agnóstico, porém antes disso, estudou em um colégio jesuíta e posteriormente cursou medicina. Nessa mesma época, iniciou a escrita de pequenos textos, sendo que sua primeira publicação aconteceu antes mesmo de completar vinte anos.

Apesar de sua formação em medicina, o escritor exerceu a profissão por apenas oito anos, tempo suficiente para servir em viagens navais pelo Oceano Ártico e pela costa da África. Desistiu da ideia após enfrentar dificuldades durante as viagens, o que o levou a atender pacientes em Portsmouth.

Como possuía poucos pacientes, Conan Doyle aproveitou o tempo livre para voltar a escrever suas histórias e disso surgiu o romance Um Estudo em Vermelho, publicado pela revista Beeton’s Christmas Annual em novembro de 1887. Um Estudo em Vermelho marca a primeira aparição de Sherlock Holmes, detetive mais querido da literatura mundial, e o encontro entre Holmes e seu grande amigo, Dr. John Watson.

Sherlock Holmes dispensa apresentações, mas é válido lembrar que segundo o próprio autor, o personagem foi parcialmente baseado em um de seus professores na universidade. Personagem de características peculiares, Holmes nasceu em janeiro de 1854 e tinha como passatempo a observação e a dedução, o que o ajudou a iniciar sua carreira como detetive consultor em 1878. Não demorou a se mudar para o 221b da Baker Street, que é até hoje a residência mais conhecida do mundo. Sherlock vivia como boêmio, usava vários tipos de drogas e chegou até mesmo a recusar o título de cavaleiro.

John Hamish Watson nasceu na Inglaterra, porém passou grande parte da sua infância na Austrália, voltando à Londres para concluir seus estudos. Formado em Medicina pela Universidade de Londres, Watson serviu o exército antes de conhecer Sherlock Holmes e se tornar o responsável por transmitir as histórias do detetive para o mundo todo.

Holmes e Watson estiveram presentes em quatro romances de Conan Doyle, incluindo, além de Um Estudo em Vermelho, os livros O Signo dos Quatro (1890), O Cão dos Baskervilles (1902) e O Vale do Medo (1915). Além disso, o escritor britânico também escreveu outros 56 contos divididos em cinco livros, sendo o primeiro intitulado As Aventuras de Sherlock Holmes.

Mesmo com todo o sucesso que o personagem conquistou tão logo apareceu para o público, o escritor resolveu matar Sherlock Holmes, o que aconteceu no conto O Problema Final, publicado no livro Memórias de Sherlock Holmes. Mas claro que os leitores não gostaram do desfecho criado pelo autor, que foi obrigado a escrever uma nova história de Sherlock e ainda dar um motivo convincente para “morte” do personagem. O retorno de Holmes aconteceu em A Volta de Sherlock Holmes (1905).

Antes do retorno de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle teve seu primeiro contato com o espiritismo e posteriormente foi condecorado com o título de cavaleiro do império britânico. Também se envolveu com a política, tentando, sem sucesso, entrar para o Parlamento em duas oportunidades.

Em 1912, o escritor britânico publica o livro de ficção-científica intitulado O Mundo Perdido, a primeira aventura do personagem George Challenger, que apareceu em outros quatro livros de Conan Doyle.

Autor de seis ensaios e inúmeros livros sobre guerras, o exército e o espiritualismo, Arthur Conan Doyle concedeu uma entrevista (vídeo) no ano de 1927 para o Movietone News. Nessa entrevista, realizada em sua casa em East Sussex, Conan Doyle comenta que sempre leu história sobre detetives, mas que eles descobriam tudo sem uma explicação, por isso criou um personagem que construía um contexto para o que descobria. Ele ainda diz que recebia cartas de pessoas pedindo autógrafos do Sherlock Holmes e que sua primeira experiência psíquica foi quando estava criando o personagem mais famoso da literatura.

Sir Arthur Conan Doyle casou-se duas vezes e teve cinco filhos, sendo que a mais nova faleceu em 1997. Já o autor faleceu no dia 07 de julho de 1930, aos 71 anos, após ter um ataque cardíaco em sua casa. Conan Doyle foi enterrado em Minstead, na Inglaterra.

Um dos mais importantes Imortais da Literatura mundial, Conan Doyle talvez seja menos conhecido do que seu próprio personagem, mas obviamente é o responsável por muito do que conhecemos da literatura policial nos dias de hoje.

Já Sherlock Holmes, foi levado para as telas dos cinemas em mais de 250 filmes, sendo os mais recentes Sherlock Holmes e Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras, ambos protagonizados por Robert Downey Jr. Para a televisão, o personagem também foi interpretado recentemente por Benedict Cumberbatch na série Sherlock. Até mesmo na literatura inúmeros autores se aproveitaram desse personagem inesquecível para também escrever seus livros, como Andrew Lane, na série O Jovem Sherlock Holmes, e Jô Soares, com seu livro O Xangô de Baker Street.

Independente de como e onde são encontrados, criador e criatura são únicos. Inesquecíveis. Imortais.

“Acredito até que Sherlock Holmes seja a máquina de observar e raciocinar mais perfeita que o mundo já conheceu. Como namorado, porém, não teria sido o mesmo. Quando falava das emoções sentimentais, era sempre com ironia e desprezo” – Arthur Conan Doyle no conto Um Escândalo na Boêmia.


Arthur Conan Doyle - 22/05/1859 - 07/07/1930

Ajude a melhorar o Over Shock! Responda nossa pesquisa de opinião!

7 Comentários

  1. Oie!

    Adoro esse tipo de post que nos informa.

    Acredita que ainda não li nada do autor? É até uma vergonha, mas pretendo assim que der ler os livros que super bem comentados.

    Beijos*

    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Ai Rick que post maravilhoso e bem como vc disse, acredito que o Doyle seja um desses autores que simplesmente somem, dando lugar aos seus personagens que teimam em aparecer mais que os próprios criadores.
    Sherlock é um dos meus personagens preferidos... Um dos mais brilhantes e completos que já conheci e devo admitir que Conan Doyle não é um nome que me vem à mente assim fácil, mas Sherlock Holmes com certeza é.
    Belo texto amigo, bjokas.

    www.lerepensar.com

    ResponderExcluir
  3. Oi Ricardo!
    Não conhecia o autor de forma tão profunda. Li apenas um livro do detetive mais famoso do mundo e gostei. Inclusive, pretendo ler outros, porque a leitura foi agradável.
    Sobre a parte que o autor teve que ressuscitar a personagem devido ao grande sucesso, deixou-me impressionado, pois eu não sabia disso! O_O
    Ótimo post! (:
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

    ResponderExcluir
  4. Nossa, sem comentários. Um dos melhores escritos já vistos no mundo. Eu não sabia que ele era espírita. Fiquei curiosa em ler algum livro dele neste gênero.
    xD

    ResponderExcluir
  5. O que o Doyle fez foi, sem dúvida, uma obra-prima! Sherlock Holmes é de uma perspicácia que sempre me deixa intrigada. E ele abriu um universo tamanho que as referências a Holmes nunca param.
    Incrível como autores adoram matar seus personagens, principalmente os que mais amamos; acho que está na cartilha ou deve ser uma espécie de ritual porque nem ele escapou!
    Sempre serei fã dos livros, afinal, não posso deixar de me perguntar como um autor conseguia pensar em tantos aspectos na hora de desvendar os crimes. Genialidade total! Mas as personificações de Sherlock Holmes tem seu charme; eu achava que Downey Jr. tinha tudo em cima até ver o Benny e o cuidadoso trabalho que os roteiristas de Sherlock tiveram ao adaptar as histórias de Doyle para os tempos atuais. Fico em um embate para ver qual é o melhor. rs (Não, mentira, o meu favorito é o Benny <3)
    E também tem a versão jovem de Holmes, que é de uma criatividade muito bacana, sou louca para ler "O Jovem Sherlock Holmes" e já assisti a "O Enigma da Pirâmide" que é super legal.
    Eu amei o post, definitivamente Sir Arthur Conan Doyle é a inspiração de muitas pessoas e seu pupilo, Sherlock Holmes, ainda garante boas histórias e adaptações.


    Beijos,

    Only The Strong Survive

    ResponderExcluir
  6. Realmente, Sherlock Holmes e Drº Watson são mais conhecidos do que Arthur Conan Doyle. Um dos poucos casos em que as criaturas ficaram mais conhecidas do que seu criador. Não imaginava que Sherlock já tinha aparecido em 250 filmes. Fiquei impressionado com esse número. Desses, só assisti esses mais recentes.
    Achei essa homenagem perfeita!!!

    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
  7. Vê, uma coisa eu preciso discordar. Eu sei que você é apaixonada pelo Benedict e concordo que a adaptação foi fantástica em todos os aspectos, mas o Downey dá um show a parte ao interpretar Sherlock Holmes (ou qualquer outro personagem). Eu vejo o Sherlock dos livros mais nos filmes do que na série kkkkk Mas ok, sua paixão fala mais alto, eu entendo :P
    Muito obrigado por seu comentário. Fico feliz que tenha gostado da postagem.
    Beijos.

    ResponderExcluir