A diferença entre as pessoas é sentida através da troca de olhares ou de uma conversa, mas principalmente pelo visual. Encontrar uma pessoa com visual diferente do que estamos acostumados já causa um espanto natural, mesmo que não seja um preconceito da nossa parte. Isso pode simplesmente nos adiantar o que é possível encontrar com uma aproximação, seja através de uma conversa ou não. Ao conhecer o estilo peculiar de Gail Carriger, e descobrir que se trata de uma escritora de steampunk, sabemos que suas histórias podem ser divertidas e com um estilo singular. Isso se confirma com a leitura de Alma? e principalmente quando a blogosfera literária fica De Olho Nela:
Memoirs and Books - Você já conhecia ou já trabalhou com o Steampunk antes da série Protetorado da Sombrinha? Utilizou alguma fonte inspiradora para isso?
Gail Carriger - Comecei a ter contato com o steampunk como movimento estético. Há muito tempo sou fã de roupas de época e do estilo gótico, e o steampunk me atraiu por mesclar ambos de um jeito divertido. Também adoro ver tecnologias antigas serem recicladas e transformadas em jóias, e adoro observar os incontáveis exemplos da incrível criatividade das pessoas nos últimos anos.

Saleta de Leitura - No império Britânico os sobrenaturais conviviam em harmonia com os humanos em virtude de regras impostas evitando com isso o ataque e de se alimentarem de humanos. Já para o americano queimava vivo qualquer um que fosse acusado de sobrenatural. O que a levou a colocar os americanos como inimigos em potencial dos britânicos em relação aos sobrenaturais?
Gail Carriger - Quis deixar um possível conflito no ar para os livros seguintes.

Livros e CitaçõesTodos os steampunks que li envolviam personagens na faixa etária de quinze anos, então por que uma mocinha mais velha, não seria mais fácil uma nos padrões convencionais?
Gail Carriger - Pelo que li até agora, não creio que seja esse o caso. Então, não tenho como responder a essa pergunta, uma vez que foi feita uma generalização que não corresponde à minha experiência.

Daily of books - Em que você se inspirou para construir uma personagem tão autêntica quanto a Alexia?
Gail Carriger - Alexia é uma solteirona que lida com diversas questões constrangedoras: é filha de italiano (e, ainda por cima, parece ser italiana), lê demais, é desalmada, matou sem querer um vampiro e anda sendo incomodada por um lobisomem grandalhão. Costuma lidar com esses probleminhas dando sombrinhadas nessas criaturas ou conversando com elas, ambas atitudes com resultados desastrosos. Ah, e sua melhor amiga adora usar uns chapéus super espalhafatosos.

Saleta de Leitura - A sombrinha da Alexia Tarabotti além de ser bem especial e diferente é a sua marca registrada e que deu o nome à série. Pode nos dizer por que escolheu a sombrinha?
Gail Carriger - As sombrinhas, além de fazerem parte do cotidiano das jovens elegantes da época vitoriana, são uma ótima arma, sobretudo quando se tem vontade de dar uma sombrinhada na cabeça de alguém. Além disso, “sombrinha” é uma palavra muito agradável.

“Nunca imaginara que encontraria um deles na forma de uma solteirona de personalidade forte demais, vivendo no coração da alta sociedade londrina, acompanhada de duas irmãs tolas e de uma mãe mais idiotizada ainda. Sendo assim, aproveitava todas as oportunidades para lembrar a si mesmo quem ela era, agarrando a mão ou o braço da moça por puro capricho” – Alma? (pág. 49).

Saleta de Leitura - O mordomo Floote e o Lorde Akeldama são personagens que nos cativaram durante a história. Seus nomes são bem diferentes e sugestivos. Pode nos explicar em que se inspirou para batizá-los com esses nomes?
Gail Carriger - Só em pouquíssimas ocasiões o personagem escolhe o próprio nome (Alexia sempre seria Alexia). Na maioria das vezes, os nomes que uso são cookies, ou seja, uma recompensa para o leitor cuidadoso. O nome pode passar aos leitores informações sobre o personagem, sua origem, sua identidade real e seu verdadeiro objetivo ou se relacionar a um aspecto histórico (Tarabotti) ou ainda dar alguma pista ou prognóstico ao seu respeito (Akeldama). Como adoro nomes, brinco com eles, quando possível. Um dia eu gostaria de escrever a história de Alessandro e Floote, mas ainda vai demorar um pouco.

Editora Valentina - Lorde Akeldama é um vampiro com interesses bastante peculiares, alguns que não eram aceitos até bem pouco tempo atrás. Você recebeu alguma crítica negativa devido a esse personagem em particular?
Gail Carriger - Lorde Akeldama é um dos meus personagens mais populares. Eu o adoro porque me divirto muitíssimo quando escrevo sobre ele ― aquele seu jeitinho peculiar que requer o uso de itálicos. Só mesmo lendo-o dá para entender por quê.

Amor, Mistério e Sangue - Quais são suas maiores influências literárias? Há algo de Jane Austen e/ou Agatha Christie nelas? Estou sentindo esse clima ao ler seu livro.
Gail Carriger - Minhas maiores influências literárias costumam vir de autores como Charles Dickens, Elisabeth Gaskell e P.G. Wodehouse. Também busco inspiração nos deuses do steampunk e da urban fantasy, tais como Jules Verne ou Horace Walpole e, então, recorro à comédia e à narrativa burlesca para lidar com os arquétipos inerentes a cada estilo. 

Livros e CitaçõesOs direitos de adaptação da saga foram comprados pela Parallel Films há quase um ano. Como você mesma havia dito, é difícil uma adaptação dos livros pelo orçamento sair caro. Houve algum retorno desde que o anuncio foi feito? E, hipoteticamente falando, se a adaptação saísse, qual seria seu cast dos sonhos?
Gail Carriger - Não tenho notícias recentes a respeito da adaptação para o filme. Dê uma olhada em: http://gailcarriger.livejournal.com/208802.html. Fiz um post com o elenco dos meus sonhos para um filme, aqui:

Livros e CitaçõesSaindo um pouco de O Protetorado da Sombrinha, no início do ano saiu o primeiro volume da saga spinoff, Finishing School, protagonizado por uma garota de quatorze anos. Como será essa nova etapa? Afinal, envolve uma garota de quatorze anos. O humor negro continua?
Gail Carriger - Todos os meus livros têm aspectos cômicos. Esse lado engraçado é fundamental para mim, como escritora. Até coloquei um bilhetinho na lateral do computador com a frase: “Gail, use o seu senso de humor!” Acho muito melhor fazer as pessoas rirem que chorarem. Quero que os leitores dos meus livros se sintam felizes ― a realidade já é deprimente demais, sem a minha ajuda. Ademais, eu tinha me dado conta de três fatores desconcertantes antes de escrever Alma?:  dos contos que escrevi, os únicos que vendiam eram os que tinham aspectos cômicos; tanto o steampunk quanto a urban fantasy costumam ser bastante sombrios; a maioria dos meus autores favoritos era engraçada (PG Wodehouse, Douglas Adams, Terry Pratchett, Jasper Fforde). Achei que estava na hora de dar uma remexida nos gêneros e escrever um livro que incluísse um pouco de tudo do que eu mais gostava: uma heroína de personalidade forte, steampunk, urban fantasy E comédia.

“Em um piscar de olhos, a srta. Tarabotti se viu sentada bem perto dele, no pequeno sofá. A temperatura pareceu subir de verdade, como insinuara antes. Ela sentiu uma quentura do ombro à coxa, pelo contato íntimo com os músculos prodigiosos de Sua Senhoria. Por que os lobisomens, pensou, tinham que ser tão musculosos?” – Alma? (pág. 178).

3 Comentários

  1. Oie!

    Sou muito curiosa para ler o livro Alma.

    Eu acho demais o estilo desta autora.

    Beijos*

    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  2. Eu não conhecia o gênero Steampunk e nem a Gail Carriger, mas ela parece ser uma pessoa interessante. Vi que os livros dela tem um aspecto cômico. É difícil para mim gostar de livros com essa aspecto, porém, ela me pareceu ser uma pessoa que consegue colocar isso nos livros, mesmo não os lendo, apenas pelo seu estilo.

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  3. A imagem da autora já causa um impacto interessante. É praticamente uma personagem. Em relação a entrevista, achei muito boa. A Gail Carriger respondeu tudo com clareza e sem frescuras. Ela deve ser mesmo uma figura.

    @_Dom_Dom

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