Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.
É engraçado eu falar disto, pois quem acompanha este quadro sabe que eu falo o tempo todo “professor ensina e pais educam”. Não é verdade?

Quem me dera eu fosse ouvido pelas grandes massas e não por em média quinze ou vinte leitores que se dão ao trabalho de ler o que eu escrevo e pensar em um comentário! Assim não ocorreriam casos de pessoas julgarem o professor que vai a um estádio de futebol ou em show de rock em um fim de semana antes de um bar e dizer “é este o cara que educa os meus filhos? Eu vou é tirá-lo daquela escola” e quem sabe o mundo seria um lugar melhor e assim como diria Chico Buarque, cada um cuidaria da “parte que lhes cabe neste latifúndio”...

Infelizmente não é assim que a banda toca aqui, meus caros leitores. Como eu disse uma vez em uma sala de aula de uma escola estadual na época em que eu fiz estágio, o governo é nosso maior inimigo. É ele que não atende às necessidades de bairros superpopulosos como as zonas periféricas nos dando mais transportes a preços acessíveis, melhores condições de saúde, segurança e educação, mete a faca nos impostos para que nunca possamos ascender socialmente seja com um negócio, projeto ou construção e só nos oferece regalias que nos fazem crer que subir na vida significa ganhar um salário de m**** de R$ 800 e poder comprar uma camiseta da Hollister.

O que tem a ver o governo com a participação dos pais na educação escolar dos alunos, algo aparentemente sem vínculos?

Eu lhes digo: tudo.

Foi o governo que manteve o ensino elitizado por tanto tempo. As camadas mais populares se acostumaram ao fato “eu vivo sem estudar. Logo o meu filho não precisa disto” e formou pais que passaram isto e dura até hoje, só que de forma mais mascarada.

Algum tempo depois com os movimentos de inclusão, o governo deu um “jeitinho” com um pouco de propaganda de coisas supérfluas e abdicando do fornecimento de coisas vitais ao povo. Assim as pessoas se acostumaram a pensar coisas como:

- “Putz. Engravidei? Ah, aconteceu. Deve ser a vontade de Deus”;

- “Tenho que colocar meu filho numa creche. Tanto faz qual seja desde que facilite a minha vida pra eu ir pro trabalho ou cuidar da casa. Estas escolas não ensinam nada mesmo...”;

- “Crianças precisam aproveitar este tempo. Quando ele for mais velho, terá que começar a pegar pesado nos estudos. Até lá, eu deixo ele brincar mais”

- “Levanto às 4h pra ir pro trabalho. Passo quase 2h naquele ônibus pra ir, suar a camisa para ganhar essa merreca com a qual compro as suas roupas, seu videogame e te levo ao Mc Donalds. Depois gasto mais 2h pra voltar pra casa e agora você quer que eu te ajude com a lição de casa? O que este seu professor faz que não te ajuda com a lição de casa?”

Conseguiram pegar a linha de raciocínio, caros leitores? O governo nega condições melhores para os pais (transporte, emprego, bons salários, etc.) e os deixa mais aptos a se “doparem” da realidade do que ajudar os filhos sendo que estes, quando não são planejados têm necessidades fomentadas pelo sistema (“pai, compra pra mim uma camiseta da Hello Kitty...”) os pais se desdobram para atendê-las e preferem comprar paz de espírito a enfrentar o olho do furacão.

Soluções?

O problema vai além da jurisdição escolar, da qual eu não gosto muito de falar (sim. Eu sei que citei o caso de gravidez indesejada. Contudo é uma Caixa de Pandora que eu não queria abrir). Mas no que se refere à escola, pais são considerados legalmente como “responsáveis”. E para honrar o tal cargo (além das condições de educação escolares), é preciso abdicar às vezes do desejo de assistir à novela ou ao jogo de futebol para ajudar o filho com a lição de casa. Procurar saber como anda o desempenho escolar, o comportamento do filho nas reuniões escolares ou não necessariamente nesta época também ajuda em vez de “ir só pra assinar” como muitos fazem. E por último, mas não menos importante, os educadores estudam a teoria pedagógica e não são cegos para a realidade de nosso país (a não ser que eles estejam no meio político) e sabem das necessidades de aprendizagem. E se um pai pergunta “o que posso fazer para melhorar o aprendizado do meu filho?”, já vi em vários lugares: eles respondem.

Obrigado a todos(as).

Davi Paiva da Silva nasceu em 22/03/1987, em São Paulo – SP. Está cursando Letras na UNICSUL, publicou o texto "18 anos sem Ayrton Senna" no site minilua.com, lança um capítulo por semana do seu romance "Coração de Fogo" no site www.recantodasletras.com.br, além de um microconto com a hastag #tweetcontos no twitter DaviTweetcontos e colabora com artigos no blog espadaarcoemachado.wordpress.com. No mundo impresso, participou das antologias de contos Corações Entrelaçados, Névoa, Quimera e Sopa de Letras, todas da Andross Editora.
Contato: davi_paiv@hotmail.com

2 Comentários

  1. O governo é o grande responsável pela péssima educação escolar que temos no nosso país, mas os pais não podem só esperar pelo milagre do governo se preocupar realmente com a educação dos seus filhos, eles tem que agir. É como você falou, eles tem que se preocupar mais com a vida escolar deles.

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  2. É isso mesmo, David! Entra governo, sai governo, as coisas não mudam. Ou podem mudar, mas são tão insignificantes, que mal percebemos. Essa análise que você fez, mostra claramente que tudo está interligado: transporte, saúde, emprego, educação, etc. Não adianta jogar toda a culpa pra cima dos pais, ou professores, ou do próprio aluno, temos que analisar o contexto como um todo, e quem são os principais responsáveis?!?! Os que comandam esse país!

    @_Dom_Dom

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